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03/04/2025 19:52
Política

A receita do prefeito João Rodrigues para lidar com o aumento de moradores em situação de rua

Por Rita Lombardi

 Publicado 21/03/2025 18:21  – Atualizado 21/03/2025 19:12

  • Prefeito de Chapecó, João Rodrigues (Fotos: Mafalda Press Prefeito de )

Em entrevista à RCN, o pré-candidato ao Governo de Santa Catarina também abordou sua visão para melhoria na área da Saúde e as expectativas para o lançamento de sua pré-candidatura ao Governo do Estado

Neste sábado, 22, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, oficializa sua pré-candidatura ao Governo de Santa Catarina, no Encontro Estadual do PSD, que acontece no Parque Efapi, em Chapecó, a partir das 9h55.

Segundo ele, o lançamento será mais simbólico neste primeiro momento, pois o objetivo é confirmar o compromisso com o projeto e com a população. “Vamos apenas iniciar o processo de construção do que pretendemos para o futuro de Santa Catarina, sem apresentar uma plataforma completa ainda. A ideia é fazer um evento de acolhimento, não de anúncio final. A partir de agora, o que importa é ter uma conexão real com a população”, disse ele na entrevista exclusiva à Rede Catarinense.

Em relação às alianças partidárias, João Rodrigues disse que elas estão em construção. “O processo político é dinâmico e estamos dialogando com diferentes grupos, mas o importante é que o nosso projeto seja o mais relevante. O que importa agora é que estamos focados em apresentar uma proposta de governo que se distinga pela sua capacidade de gestão e não pela quantidade de alianças políticas. A nossa preocupação é o futuro de Santa Catarina, não só quem estará ao nosso lado”.

Nesta terceira postagem sobre o longo bate-papo com o prefeito de Chapecó, o assunto gira em torno da questão da Saúde e dos moradores em situação de rua.

RCN: Uma questão preocupante para muitos prefeitos em todo o Brasil, inclusive em Santa Catarina, é o aumento do número de moradores em situação de rua. Como lidar com essa situação?
João Rodrigues: Em Chapecó, desenvolvemos um modelo que se tornou referência no Brasil. Acredito que todo gestor público deve se apaixonar pelo que faz, e foi com essa mentalidade que buscamos soluções eficazes para esse problema.
Quando assumi o mandato, em janeiro de 2021, encontramos cerca de 2.000 pessoas em situação de rua. Destas, 1.500 não eram dependentes químicos, mas sim venezuelanos que chegaram à cidade em busca de trabalho e acabaram morando nas ruas.
Nossa primeira ação foi garantir abrigo para essas 1.500 pessoas, oferecendo uma estrutura digna dentro de um grande parque de exposições da cidade. Montamos equipes para auxiliar na inserção no mercado de trabalho e garantir acesso à saúde.

Com essa iniciativa, reduzimos o número de pessoas em situação de rua para aproximadamente 400 pessoas. Paralelamente, iniciamos um programa de internação para dependentes químicos, tanto voluntária quanto involuntária, de acordo com a necessidade de cada caso. A prefeitura custeia o tratamento, trabalhando em parceria com equipes médicas e multidisciplinares. As abordagens ocorrem diretamente nas ruas, e as remoções são feitas com o objetivo de oferecer tratamento e recuperação.

RCN: A maior dificuldade para o gestor público é com a internação involuntária. Há alguma dificuldade legislativa ou institucional para implementar essa internação?
João Rodrigues? Não enfrentamos dificuldades nesse sentido. Quando se faz a coisa certa, os obstáculos são superados com trabalho e determinação. É claro que o respaldo legislativo e a cooperação de órgãos como o Ministério Público são importantes, mas o fundamental é entender o problema, reunir uma equipe multidisciplinar capacitada e agir com estratégia e compromisso

O primeiro passo foi buscar o Ministério Público e o Judiciário para apresentar a realidade da situação. Em seguida, analisamos o que diz a lei. O internamento compulsório é permitido em duas situações: quando a família solicita ou quando há prescrição médica que justifique a necessidade da internação obrigatória.
A abordagem deve ser técnica e humanizada. Para isso, é fundamental contar com uma equipe médica qualificada, que avalie caso a caso. A pergunta central é: qual o estágio daquela pessoa em situação de rua? De quem ela depende? Se houver um laudo médico que indique a necessidade da internação, essa medida pode ser tomada com responsabilidade.

Atualmente, Chapecó conta com um programa estruturado que engloba abordagem, internação, tratamento, acompanhamento e reintegração ao mercado de trabalho. Em uma cidade de 275 mil habitantes, reduzimos o número de moradores em situação de rua para apenas 40, e nossa meta é zerar esse número em breve. Todos aqueles que precisam de acolhimento são retirados das ruas e recebem hospedagem, alimentação, capacitação e treinamento. Quem opta por permanecer nas ruas tem essa liberdade, mas sem comprometer a ordem pública e o bem-estar da comunidade.

Mas não basta internar. É preciso investir na recuperação, garantindo o tratamento adequado. Por isso, financiamos tratamentos específicos e acompanhamos cada caso. O objetivo não é simplesmente retirar essas pessoas das ruas, mas incluí-las novamente na sociedade.

João Rodrigues
  • João Rodrigues (Fotos: Mafalda Press)

Em relação à Saúde em Santa Catarina, João Rodrigues insiste que há espaço para várias melhorias. Ele fez elogios à gestão da ex-secretária estadual de Saúde, e hoje prefeita de Lages, Carmem Zanotto, mas apontou sua percepção sobre algumas áreas nas quais vê oportunidades de avanço. 

1. Melhoria da Estrutura dos Hospitais Públicos
"A infraestrutura dos hospitais públicos, como a Regional de São José e a Regional de Chapecó, precisa ser aprimorada. Muitas vezes, os pacientes não encontram sequer cadeiras confortáveis para se sentar nas emergências. O que se propõe é uma modernização da estrutura, com ambientes climatizados e adequados para quem procura o hospital público. Uma estrutura confortável é essencial, pois um paciente já chega com um problema de saúde, e um ambiente inadequado só agrava o desconforto".
2. Capacitação e Aumento da Equipe Médica
Outro ponto importante levantado pelo prefeito é a questão do número de médicos. "Em muitos hospitais públicos, o pronto-socorro não tem médicos suficientes para atender todos os pacientes de maneira eficaz. Para melhorar isso, uma possível solução seria aumentar o número de médicos em serviços de emergência, como os prontos-socorros, criando equipes maiores para atender melhor e mais rápido. A proposta é que, ao invés de dois médicos, como muitas vezes ocorre, a equipe fosse de cinco ou seis médicos simultaneamente. Isso pode reduzir significativamente os tempos de espera e melhorar a qualidade do atendimento."
3. Evitar a Fila de Espera para Cirurgias
Outro problema apontado é a demora nas cirurgias eletivas. Como exemplo, João Rodrigues menciona o caso de pacientes com problemas graves, como pedras na vesícula, que muitas vezes recebem alta antes mesmo de realizar a cirurgia necessária. "O que poderia ser feito é que, ao internar o paciente, a cirurgia seja realizada o quanto antes, evitando a perda de tempo e prevenindo complicações que podem surgir enquanto o paciente espera pela operação".
4. Compra de Equipamentos e Investimento em Tecnologia
A necessidade de comprar equipamentos médicos de alta qualidade também foi mencionada. "O Estado deve investir mais em tecnologia e equipamentos modernos para que os hospitais públicos possam oferecer um atendimento de qualidade. Isso inclui, por exemplo, a aquisição de equipamentos de alta tecnologia que permitam diagnósticos mais rápidos e precisos, como aparelhos de ultrassom e outros dispositivos essenciais."
5. Cirurgias Eletivas e "Corujão" da Saúde
O Prefeito João Rodrigues também sugeriu a ideia de realizar cirurgias eletivas fora do horário comercial, ou seja, um "corujão" da saúde, operando das 8h da noite às 6h da manhã. Isso permitiria que mais cirurgias fossem realizadas sem sobrecarregar o sistema durante o horário normal de funcionamento, o que ajudaria a reduzir a fila de espera e melhoraria o acesso à saúde.
6. Integração com as Entidades Locais
João Rodrigues mencionou ainda a importância de envolver as entidades empresariais e a sociedade na discussão sobre as prioridades de saúde no estado. "Ouvir os prefeitos e as entidades locais pode ajudar a entender melhor as necessidades específicas de cada região e garantir que os recursos sejam direcionados de maneira mais eficaz."
7. Gestão e Eficiência
Além de investimentos em infraestrutura e recursos humanos, é essencial uma gestão mais eficiente. O Prefeito mencionou a importância de uma gestão que não se limite a ser política, mas que seja efetiva na execução de ações. Isso envolve não apenas criar planos de ação, mas garantir que as soluções sejam implementadas corretamente e no tempo certo.
8. O Desafio das Cirurgias de Alta Complexidade
Outro ponto crítico mencionado foi a longa fila para cirurgias complexas, como a bariátrica e a retirada de pedras na vesícula. O prefeito trouxe o exemplo de como, em Chapecó, ele foi proativo e, diante da demora do SUS, financiou cirurgias particulares pela prefeitura, resolvendo o problema de pacientes que estavam na fila por anos.
 

 

  • Antes da entrevisra concedida à jornalista Rita Lombardi, o prefeito recebeu a Revista da Adjori/SC que trata do Novo Mapa Político de SC (Mafalda Press)

  • O presidente da Adjori/SC, José Roberto Deschamps, e o vice-presidente Hélio Westphal acompanharam a entrevista (Mafalda Press)

  • João Rodrigues (Mafalda Press)

  • Antes da entrevisra concedida à jornalista Rita Lombardi, o prefeito recebeu a Revista da Adjori/SC que trata do Novo Mapa Político de SC (Mafalda Press)

  • O presidente da Adjori/SC, José Roberto Deschamps, e o vice-presidente Hélio Westphal acompanharam a entrevista (Mafalda Press)

  • João Rodrigues (Mafalda Press)

  • Antes da entrevisra concedida à jornalista Rita Lombardi, o prefeito recebeu a Revista da Adjori/SC que trata do Novo Mapa Político de SC (Mafalda Press)

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