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Entrevista: O PT é uma noiva muito cobiçada em Santa Catarina, diz Décio Lima

Foto: RCN/Arquivo

Pré-candidato pelo Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo do Estado, o presidente estadual da sigla e ex-deputado Décio Lima é otimista com o futuro do petismo, mesmo após a perda de espaço em 2018.

Segundo ele, o PT virou "uma noiva muito cobiçada" pela fatia de eleitorado que conquista com apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias (RCN), Lima fala sobre 2022, Lula e a construção de uma frente dita de esquerda em Santa Catarina. 



Rede Catarinense de Notícias - Hoje, vários partidos já destacam seus pré-candidatos ao governo do Estado. O PT catarinense vai de Décio Lima?

Décio Lima - O PT é um partido muito horizontalidade. Decisões desta natureza tem um processo coletivo. Entretanto, o partido pediu para que eu protagonizasse o processo de candidatura ao governo de Santa Catarina. Hoje, o meu nome está colocado, mas ainda não formalizado. Mesmo com o resultado adverso [de 2018] manteve-se muita esperança porque mantivemos o nosso patrimônio político em Santa Catarina. Tenho feito vários diálogos pela a aglutinação de um campo na defesa da democracia e que possa se expressar contra esses lampejos de fascismo e de ódio que Brasil foi tomado. Os partidos que sentaram à mesa foram o PDT, PSB, membros do Psol, Rede, PCdoB, e PV. A gente tem tentado sair do isolamento, o que não conseguimos em 2018. 


RCN - É desse grupo que será escolhido o vice?

Lima - Não necessariamente, porque eu não estou ali na condição de ser o nome exclusivo. Não estamos ali com qualquer soberba. O PT está com as sandálias da humildade. Os nomes se darão pelo pragmatismo da política, vai aquele que tem condições melhores. Surgiu o nome do [Fernando] Coruja, [ex-prefeito de Lages e ex-deputado estadual] mas tem outros nomes. O que mais temos trabalhado é a lista de dificuldades. E nós ainda não temos a segurança legal já que as regras da eleição ainda estão sendo discutidas. 


RCN - Um das dificuldades é a questão nacional? O apoio, ou não, a Lula, o apoio do PDT a Ciro...

Lima - É uma das dificuldades que foram colocadas e, para surpresa de todos, essa é uma dificuldade que todo mundo disse assim: vamos nos unir e vamos nos respeitar. Eu já não vi mais isso como dificuldades. Um sentimento que eu tenho é que em 2018 ninguém queria falar conosco, agora todo mundo está atrás de nós. Não só esses que mencionei, mas todos, praticamente. Por quê? Vamos fazer uma continha. [Em 2018], mesmo isolado, [Lula] preso, nós chegamos com quase 13% dos votos. Com o lulismo, já praticamente dobra. Todas as pesquisas mostram que o Lula se aproxima de 30% aqui em Santa Catarina. É uma expressão que nos dá possibilidade de dizer que nós somos competitivos mesmo sozinhos para ir para o segundo turno. O nosso alcance não seria mais 13%. Nós estamos pensando em 25%, 26%, talvez 30%. Isso nos coloca no segundo turno. O que há de interessante é que os partidos que antes não queriam conversar conosco, vieram, porque perceberam isso. 'Olha, quem se abraçar com o PT está no segundo turno'. Nós viramos uma noiva muito cobiçada por todos aqueles que querem disputar. 


RCN - O senhor encerrou o mandato como deputado federal em 2018, perdeu a eleição para o Estado, e ficou sem mandato. Faz falta não ocupar um cargo eletivo?

Lima - Talvez eu seja no PT alguém que mais teve mandato. Vereador, prefeito duas vezes, deputado federal três vezes. Não posso deixar de somar nessa conta os quatro mandatos da Ana Paula [Lima, companheira de Décio e ex-deputada]. Mandatos são importantes, eles institucionalizam a opinião política, mas eu aprendi que mais importante é a causa. O Lula foi deputado federal e duas vezes presidente. Eu tive mais mandato que o Lula. O dobro. Eu não acho que os mandatos são fundamentais, é importante, mas o principal é ter a opinião e protagonismo político. Eu não parei nesse período. Eu tenho mandato. Sou presidente estadual do PT. Andei pelo Estado. Mesmo com a pandemia, operamos online.


RCN - O PT tinha cinco deputados na Alesc, caiu para quatro. Tinha dois federais, caiu para um. O senhor acredita que com o Lula no páreo o PT cresce no legislativo?

Lima - Eu queria fazer uma correção na tua conta. Nós perdemos um deputado estadual, mas nós ganhamos dois federais, tirado por um absurdo jurídico. A Ana Paula foi eleita, inclusive reconhecida pelo tribunal aqui. Apenas por um voto de um ministro do TSE completamente equivocado, uma estranha decisão, tirou um segundo mandato de deputado federal em Santa Catarina. A chapa de estadual em 2018, nós fizemos milagres, porque caiu muito. O Dirceu Dresch e outras figuras disputaram federal e deixou fragilizada nossa chapa de estadual. Como presidente, posso dizer que a nossa chapa para federal tem uma capilaridade que é o dobro da de 2018. Isso do ponto de vista dos protagonistas. Por exemplo, em 2018, nós não tivemos candidato em Criciúma a federal. O partido estava numa situação muito delicada. Agora não. Vamos fechar a chapa completa para estaduais e federais. Em 22, nós não vamos recuperar o que perdemos, nós vamos aumentar significativamente a nossa musculatura.


RCN - Lula vem a SC? Está no mapa?

Lima - Está no mapa sim. Eu converso bastante com o presidente Lula. Ele deve estar construindo a pauta para o Nordeste e para o Centro-Oeste. E o Sul do Brasil estaria nessa terceira pauta. Talvez ainda esse ano. Ele tem uma pauta no Norte do Brasil e uma outra no Sudeste, em Minas Gerais.








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