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Em SC, Bolsonaro faz discurso ideológico e ignora pedidos por infraestrutura

Foto: Brenda Pereira/O Município Joinville

Em discurso para empresários na tarde desta sexta-feira (6), em Joinville, o presidente Jair Bolsonaro falou mal do PT, criticou o aparelhamento de estatais em governos anteriores, xingou o Supremo Tribunal Federal (STF), e voltou a dizer que a urna eletrônica tem indícios de fraude. Principal pedido dos empresários, os investimentos em obras de infraestrutura no Estado ficaram em segundo plano na fala do presidente.

Durante a manifestação, Bolsonaro disse que "parte do STF quer a volta da impunidade" e sugeriu que o ministro Luis Roberto Barroso é favorável à pedofilia, além de ser "marxista-trotskista", "favorável ao aborto" e à "liberação das drogas".

Desde a última semana, cresceu o desentendimento do presidente com o Supremo. O presidente do colegiado, ministro Luis Fux, chegou a cancelar publicamente uma reunião entre líderes dos poderes após falas de Bolsonaro contra a instituição.

No mesmo sentido, Barroso, que é presidente do Tribunal Superior Eleitoral, vem se contrapondo ao presidente em defesa da urna eletrônica. Barroso afirmou que classificar o sistema eleitoral como fraudulento é "discurso de quem não aceita a democracia".

Ao público em Joinville, Bolsonaro citou a eleição a prefeito de São Paulo como um possível indício de fraude. "Quando iniciou a apuração, tinha 0,39% das urnas apuradas e o sistema do TSE travou", disse. Segundo o presidente, quando o sistema voltou "todos os candidatos estavam na mesma colocação" e com os mesmos percentuais de votos. A fala foi mais uma das tentativas do presidente de tentar provar que a urna eletrônica e a apuração do TSE são passíveis de fraude. 

"Ele [Barroso] quer que nossas filhas e netas a partir de 12 anos tenham relações sexuais sem problema nenhum", disparou. "Esse tipo de gente quer decidir as eleições do ano que vem. Eu quero e desejo eleições: limpas, democráticas, sem que meia dúzia de pessoas sem compromisso com a liberdade contem nossos votos numa sala escura. [...] Só Deus me tira daquela cadeira", complementou o presidente.

Bolsonaro ainda falou mal dos governos do PT, especialmente os supostos empréstimos do BNDES para outros governos, como Cuba e Venezuela. Ele criticou ainda o suposto aparelhamento pelo PT das estatais, o que, segundo ele, foi um dos geradores dos prejuízos nestas empresas.


Infraestrutura

A principal demanda entregue a Bolsonaro no encontro foram os investimentos em infraestrutura, como revitalização das BRs e a inclusão de projetos de ferrovias para o Estado. Esses pedidos estiveram na fala do presidente da Federação das Indústrias de SC (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar, e da Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), Marco Corsini. 

No discurso, Aguiar também citou que Santa Catarina produz muitos impostos federais e envia os recursos para Brasília. Apesar disso, recebe pouco: cerca de 20% do que destina, defendeu.

Bolsonaro não falou sobre infraestrutura, mas, em fala rápida, atribuiu à falta de devolução dos recursos ao pagamentos de juros da dívida pública federal. 


Críticas

O presidente também estendeu as críticas a prefeitos e governadores e voltou a criticar a adoção de lockdown em meio à pandemia. Criticou ainda a imprensa no que chamou de "guerra de informação", supostas máfias em alguns setores econômicos, como o setor de combustíveis, e a adoção por governos anteriores do 'toma lá da cá', que, segundo ele, servia "para colocar bandidos e corruptos" nos ministérios. 

Bolsonaro defendeu a gestão do governo federal sobre as estatais "que estão dando lucro", disse que é sua obrigação combater a corrupção e voltou a dizer que é "imbrochável" e defensor da família.








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