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Terça-Feira, 23 de Abril de 2024




Polo regional

Centro Histórico Germânico Itapiranga ganha Museu do Suíno

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Inauguração reuniu autoridades, convidados e população em geral

Centro Histórico Germânico Itapiranga ganha Museu do Suíno
Foto: Jornal Expressão, associado da Adjori/SC
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Com a presença de autoridades, convidados e população em geral, foi realizada a inauguração do Museu do Suíno, o primeiro de Santa Catarina, localizado no Centro Histórico Germânico Itapiranga, na Linha Cordilheira, também popularmente conhecido como “Vila Germânica”. 

O Centro Histórico Germânico Itapiranga teve sua inauguração no ano de 2021, sendo todo idealizado por Inácio Oswald, tratando-se do primeiro empreendimento do gênero no Oeste de Santa Catarina. O local tem como missão preservar e registrar as memórias, os traços culturais e a história da imigração alemã para a região da então Porto Novo, sendo que cada unidade apresenta uma temática, como a vinda dos imigrantes alemães, as formas de trabalho, a religiosidade, a educação, o lazer, a sociabilidade, bem como a formação de Porto Novo a partir da década de 1930.

Para deixar a “Vila Germânica” ainda mais completa, pensou-se também no espaço do Museu do Suíno, o primeiro de Santa Catarina. Para a historiadora e museóloga, Elisandra Forneck, natural de Itapiranga, o Museu do Suíno é uma parte da cultura regional, atividade tão importante na região na questão econômica, histórica e cultural. “Que todos possam prestigiar esse espaço único que temos a disposição aqui em Itapiranga. 

É um espaço que nos faz refletir sobre a importância dessa atividade para toda a nossa região, afinal de contas, o Oeste de Santa Catarina é o maior polo de produção de suínos da América do Sul, então tudo o que movimenta a nossa vida, direta ou indiretamente, de alguma forma, tem a ver com essa atividade. É um privilégio para Itapiranga e para Santa Catarina ter esse espaço para contar a história da suinocultura”. Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suíno, enfatizou que é um enorme prazer poder participar desse momento ímpar. “O povo que não conhece a sua história, não tem raízes. Um povo sem raízes é um povo fracassado.

Precisamos cada vez mais valorizar a nossa história e aqui, esse espaço do Museu do Suíno, retrata muito bem a história da suinocultura. Então, a nossa juventude rural, que está fazendo acontecer a sucessão familiar lá nas propriedades, poderá conhecer em detalhes como foi que conquistamos o título de maior Estado produtor e exportador de suínos, com a melhor sanidade animal. Os pioneiros têm seu papel fundamental nessa conquista, pois fizeram seu papel para, aos poucos, chegarmos nos moldes e tecnologias de produção que temos hoje no setor. Com certeza seu Inácio está deixando uma marca muito forte e bonita para as futuras gerações, que é a história da suinocultura”

O vice-prefeito e suinocultor, Nilo José Bourscheidt, em sua fala, destacou a importância da suinocultura para a economia de Itapiranga. “Para mim é uma honra estar presente na inauguração do Museu do Suíno, pois faço parte da história da suinocultura itapiranguense. A suinocultura representa 50% do movimento econômico agropecuário de Itapiranga, desta forma, penso que o Museu do Suíno está no lugar certo. Sabemos que a suinocultura evolui de forma muito rápida. No ano de 2000, quando começamos com a produção de suínos, a matriz desmamava 18, 20 leitões, hoje está desmanando 35, 40 e aqui, neste espaço, está registrada toda a história deste ramo tão importante que é a suinocultura”.

Inácio Oswald, idealizador do Centro Histórico Germânico Itapiranga e do Museu do Suíno, frisou de que o espaço inaugurado, o primeiro do Estado, é mais uma prova de que Santa Catarina começa no Oeste, no município de Itapiranga. “Temos aqui a primeira cooperativa de crédito, a qual em breve também estaremos inaugurando um espaço próprio para expor a sua história. Também somos a cidade da primeira Oktoberfest do Brasil, e isso são marcos muito importantes para Itapiranga”. Oswald também explanou sobre a história de sua família no contexto da colonização da então Porto Novo. “Meu pai veio da Alemanha, fugido da guerra do ditador Hitler, e minha mãe veio de Braço do Norte, aqui em Santa Catarina. 

Os dois se encontraram em Itapiranga, casaram e tiveram sua vida na comunidade de Linha Baú, se estabelecendo como os demais imigrantes da época. Aqui, no Centro Histórico Germânico Itapiranga, vocês encontram as diversas narrativas e dificuldades que tiveram nossos imigrantes, que trabalharam muito, toda a família, sendo que inclusive fizemos um monumento homenageando também a mulher agricultora. Por todo lugar que passo tem um grande homem, mas sempre atrás de um grande homem, existe uma grande mulher e, aqui, no Centro Histórico, vocês encontram a homenagem a mulher agricultura, mãe, educadora, cozinheira, que nunca deixou o marido sozinho na lavoura”.

Inácio Oswald seguiu seu pronunciamento falando da fé em Deus, a qual inspirava e dava forças as famílias imigrantes para adentrar as matas virgens aqui existentes na época e, em meio a essa mata, fixar residência e estruturar suas famílias. “Porto Novo mais tarde se desfez para dar origem aos municípios de Itapiranga, São João do Oeste e Tunápolis, três municípios de destaque no Oeste de Santa Catarina, porque todos têm sua origem no trabalho, bem-estar e na fé em Deus, sendo por isso que esses três municípios venceram e prosperaram”. Oswald também frisou de que o poder público deveria ter mais apreço para com este importante espaço em Itapiranga. “Penso eu que o espaço aqui, Centro Histórico, com o Museu do Suíno, merece uma atenção muito maior das autoridades municipais, como das autoridades estaduais e federais. 

Eu fiz tudo isso aqui, porque há 40 anos eu vi, em Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul, um centro histórico e eu pensei do porque não fazer um em Itapiranga, somos da mesma origem, e tudo o que eles tinham lá, nós também temos aqui. Foi pedido para todos os prefeitos que passaram até agora, mas por questão de recursos, dificuldades e, também, um certo desinteresse, não fizeram, por isso que eu fiz o Centro Histórico Germânico Itapiranga”. Inácio encerrou sua fala explanando sobre a história da suinocultura na região. “Em 1928, veio para Itapiranga, trazidos pela família Weidrick, os primeiros porquinhos. 

Desde lá os suínos do município e região se multiplicaram e hoje falamos em 50% do movimento econômico agropecuário de Itapiranga. Na época da colonização, a preferência era pelo porco que dava muita banha, porque a banha era importante na cozinha, para guardar e conservar as carnes e, vender o excedente. Eram carneados 3, 4 porcos para ter mais banha para vender, mas sobrava a carne, que era doada para os vizinhos, de tal maneira que se tornou um hábito entre os colonos, quando carneava um porco, dar um pedaço para o vizinho. Essa história foi se desenvolvendo e eu digo para vocês que na época dos anos 50, 60, ser um produtor de porcos no interior do município de Itapiranga dava dinheiro, eu sou testemunha viva disso. 

Penso que naquela época até 95% das famílias tinham seus porcos. Naquela época o trato era milho em espiga, mandioca, pasto verde, criando os porcos em piquetes, ao ar livre, ou em algum chiqueirinho de madeira. Depois, mais a partir do final dos anos 60,70, todos tiveram que mudar o sistema de criação de porcos, precisando fazer investimentos em chiqueiro novo, ração balanceada, vacinas... Uma coisa que, no tempo que era porco, não existia, era doença, depois, quando vieram as empresas de fora, trazendo outras raças, mudou tudo, começando, desta forma, também a entrar a questão dos medicamentos. Está certo que, com as mudanças, os investidores ganharam dinheiro, mas para o agricultor, então já chamado de suinocultor, não era bem assim.

Muitos quebraram e o número de criadores de porcos/ suínos foi reduzindo, sendo que hoje chega a uma pequena minoria que produz suínos em maior quantidade e produtividade com números excelentes. O suinocultor não tem vida fácil. São 365 dias do ano que precisa estar lá, cuidando dos suínos.

Hoje, a grande maioria não é mais dono dos suínos, mas eu ainda estou resistindo a esse sistema. Ainda compro os leitões, milho, farelo de soja e tudo o que é necessário, e depois vendo, mais ou menos como antigamente. Tudo o que acabei de falar está retratado aqui, no Museu do Suíno. Agradeço de coração a todos que vieram prestigiar esse momento histórico”. Após os pronunciamentos aconteceu a visitação ao local, seguido de almoço a base de carne suína.

Jornal Imagem, de São Miguel do Oeste, associado da Adjori/SC

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