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Sexta-Feira, 21 de Junho de 2024




Entrevista da Semana

“A tecnologia não substitui o trabalho do contador e o mercado profissional continua crescendo”

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A contadora Marisa Luciana Schvabe de Morais, presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina (CRCSC), fala sobre a relevância desse segmento profissional

“A tecnologia não substitui o trabalho do contador e o mercado profissional continua crescendo”
Foto:
- Marisa Luciana Schvabe de Morais, presidente do Conselho Regional de Santa Catarina (CRCSC)

No próximo dia 22, é celebrado o Dia do Contador. Para  falar sobre esse importante ramo profissional, a contadora Marisa Luciana Schvabe de Morais, presidente do Conselho Regional de Santa Catarina (CRCSC), concedeu entrevista exclusiva à Rede Catarinense de Notícias.

Durante a conversa, a dirigente destacou que a contabilidade foi a primeira profissão regulamentada no Brasil, em 1495, quando já era reconhecida como essencial  à economia, viabilizando os negócios e acelerando o desenvolvimento do país. Com o passar dos anos, se tornou também indispensável ao terceiro setor e no serviço público, possibilitando a transparência de contas e auxiliando na correta aplicação de recursos que são revertidos em prol dos cidadãos.

Diante disso, o mercado para os profissionais da contabilidade só cresce, apesar dos desafios. Atualmente, são 21.952 contadores em Santa Catarina e 5.206  empresas contábeis catarinenses devidamente registradas no CRCSC.

Uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Contabilidade, em novembro de 2022, demonstra que a relevância de quem atua na área é reconhecida também pela sociedade: 86% dos empresários entrevistados responderam que profissionais da contabilidade os ajudaram na tomada de decisões. Em 2023, a criação da Frente Parlamentar da Contabilidade Brasileira também evidenciou o reconhecimento público ao ofício.

Marisa é contadora, doutora em Administração e especialista em Auditoria e Perícia Contábil pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), mestre em Engenharia da Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina, professora em cursos de graduação e pós graduação, coordenadora do curso de Ciências Contábeis da Univali. Foi conselheira do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) entre 2014 e 2021, vice-presidente de Desenvolvimento Profissional do CRCSC (2010/2011), membro da Academia Catarinense de Ciências Contábeis (2014 a 2021) e membro do Conselho Editorial da Revista Brasileira de Contabilidade (RBC).

O Dia do Contador marca a data da regulamentação da profissão, em 1945. Quais os principais desafios da profissão, 78 anos depois?

Marisa - Muita coisa mudou nessas quase oito décadas, desde funções que dependiam totalmente do trabalho humano e que agora foram supridas pela tecnologia, até o surgimento de novas demandas devido às mudanças no cenário econômico do país e do mundo. Podemos destacar, por exemplo, a convergência do Brasil às Normas Internacionais da Contabilidade (em 2010) e a sofisticação e complexidade do sistema tributário, com inúmeras atualizações. O que não mudou é a relevância do contador para todas as áreas da economia, para a prosperidade dos negócios na área privada, para a transparência e devida aplicação de recursos na área pública e terceiro setor. Eu diria que somos profissionais essenciais à cidadania e à democracia, já que a sanidade financeira dos negócios e o desenvolvimento se revertem em mais emprego, renda e qualidade de vida à população. Na área pública, o trabalho do contador acarreta em investimentos em prol dos cidadãos.

Na sua avaliação, esta importância da atuação do contador é reconhecida pela sociedade?

Marisa - Felizmente, sim! A atuação do contador é reconhecida por quem utiliza dos seus serviços e também na esfera pública. O CFC realizou uma pesquisa, no ano passado, com empresários da mais diversas áreas, em todo o país, e 86% dos entrevistados afirmaram que os profissionais da contabilidade os auxiliaram na tomada de decisões mais acertadas para os seus negócios. Na esfera pública, podemos destacar o reconhecimento alcançado com a criação da Frente Parlamentar Mista da Contabilidade Brasileira, em 2023.

A senhora avalia que a tecnologia, com o avanço da inteligência artificial, pode substituir o contador, no futuro? Como a senhora vê o impacto da inovação no mercado profissional?

Marisa - Esta é uma excelente pergunta que, de antemão, respondo e depois explico. A tecnologia não substitui o trabalho do contador e, mesmo com os avanços de funcionalidades como a Inteligência Artificial, o mercado profissional para o contador continua crescendo. Dados disponibilizados na página do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) demonstram que o número de profissionais e empresas contábeis segue aumentando: no final de 2020, éramos 519.080 profissionais registrados e 73.898 escritórios de contabilidade. Hoje, somos 529.757 profissionais e 88.426 organizações. As ferramentas tecnológicas são instrumentos que nos permitem sair da esfera operacional para nos dedicarmos ao que fazemos de melhor, que é filtrar e traduzir dados e informações em favor das organizações, auxiliando na tomada de decisões.

É inegável que, apesar do reconhecimento da profissão e da perspectiva de aumento de oportunidades na área, há desafios para a contabilidade. Como lidar com eles?

Marisa - Com toda a certeza há desafios para toda a classe contábil, como falamos lá no começo da conversa. O contador e as empresas contábeis precisam estar em constante atualização. Justamente por isso, uma das prerrogativas do CRCSC é promover a educação continuada. Só no ano passado, o CRCSC realizou 62 eventos, envolvendo, ao todo, mais de 40 mil participações, com cursos, seminários, palestras etc.

O CRCSC tem papel fundamental para os profissionais e empresários. Como autarquia federal, qual é o papel da entidade para a sociedade?

Marisa - É papel do CRCSC, além do registro e da educação continuada, fiscalizar a atuação profissional, garantindo  que os trabalhos desenvolvidos pelos profissionais e escritórios estejam de acordo com as normas vigentes. Ao mesmo tempo, o nosso foco principal é na prevenção e na orientação dos profissionais, de maneira a informar e capacitar para evitar os problemas. Ou seja, muito mais do que punir eventuais equívocos, queremos atuar de forma educativa.

Marisa, você é a segunda mulher na história do CRCSC a assumir a presidência da entidade. A contabilidade ainda é uma profissão essencialmente masculina? Como foi para você se destacar nesse meio?

Marisa - Esse cenário em termos de gênero já mudou ao longo das últimas décadas. Eu atuo na docência e uso como exemplo a sala de aula, que é onde estou atuando há mais de 20 anos. Quando comecei a dar aulas, a gente observava um volume mais expressivo de homens nos cursos de Ciências Contábeis e isso se refletia no mercado. No entanto, o que se viu foi uma inversão: hoje as salas são majoritariamente femininas e isso também se reflete no mercado. No primeiro ano de existência do CRCSC (1946-1947), dos 400 profissionais inscritos na entidade, apenas sete eram do sexo feminino. Atualmente, as mulheres representam 44% dos profissionais registrados no Conselho, ou seja, quase metade da carreira. Mas embora estejamos conquistando espaços muito importantes, ainda temos muito a fazer em termos de ocupar espaços nos papéis de lideranças classistas, merecidos pelos profissionais independentemente do gênero.

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