entrevista da semana

'Vamos fechar com resultado positivo', diz presidente da Ocesc

Foto: Divulgação

O cooperativismo enfrentou grandes desafios em 2020: precisou se reinventar durante a pandemia, enfrentou crises climáticas como a estiagem e o ciclone bomba, e ainda teve que encarar as consequências da alta do dólar. Mesmo assim, tanto cooperativas de crédito, quanto do agronegócio, devem fechar o ano com resultado positivo.

Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias, o presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), Luiz Vicente Suzin, comentou sobre a situação da estiagem, os desafios impostos pela pandemia, os bons resultados deste ano e as perspectivas para 2021. 

 

Rede Catarinense de Notícias - De modo geral, como o senhor avalia o ano de 2020 para as cooperativas?

Luiz Vicente Suzin - A gente vinha em 2019 com uma projeção muito boa, de bastante investimento na área do cooperativismo em Santa Catarina, mas quando começou a pandemia, todo mundo deu uma segurada. No início a gente tinha um certo medo, até porque o mercado deu uma retraída, e consequentemente as cooperativas sentiram o mesmo drama. Depois, as cooperativas começaram a adotar os cuidados como a vigilância sanitária vem pedindo, dentro das indústrias, no campo também, a gente teve esse cuidado até na visita dos técnicos com o produtor, eles iam só quando eram chamados. Então nós tivemos todos esses cuidados, tanto no campo quanto na indústria, e com isso a gente pode retomar no trabalho e as cooperativas foram se adequando. Então não paralisou, e isso foi muito importante. E o mercado foi reagindo, mercado externo principalmente, então as exportações não pararam, e isso foi muito importante. O agro foi retomando o trabalho, e com isso, as cooperativas hoje vão fechar o ano de 2020, apesar do susto, todas elas acima do planejado. Não temos os números finais, mas vamos fechar com resultado positivo. A gente espera que o clima continue ajudando, nós tivemos algumas perdas na agricultura, mais no Extremo-Oeste. No Meio-Oeste nós perdemos mas não muito, mas se chover daqui pra frente melhora bastante, com a chance de um novo plantio. É uma retomada do trabalho. Nosso produtor apostou no plantio, na safra, e as cooperativas conseguiram vender os seus insumos, mas a gente espera que o tempo colabore daqui pra frente.


RCN - A pandemia demandou muito crédito para as cooperativas. Elas conseguiram atender essa demanda?

Suzin - É a mesma situação das cooperativas do agro para as de crédito. Com a retomada dos pequenos investimentos, principalmente nos plantios, as cooperativas de crédito foram se adequando. Então os recursos vieram, e o produtor foi investindo nas novas culturas com esse recurso das cooperativas de crédito. Essas são muito ligadas ao agro em Santa Catarina, as micro e pequena empresas, e isso foi fluindo. Elas também vão fechar o ano com resultado positivo, tem sido um bom ano para as cooperativas de crédito também. Elas foram se adaptando, e o recurso não faltou. E quando não falta recurso consequentemente há um crescimento no cooperativismo de crédito.


RCN - Como o preço do milho, influenciado pelo dólar, afeta o mercado do agro daqui pra frente?

Suzin - A questão do agro, o preço das commodities, milho, soja, o próprio arroz, toda a questão dos cereais. Isso que apostou que o produtor com essa questão do preço, foi apostando no plantio, com uma tecnologia alta, em função dos preços que estimulam o produtor a plantar. Basta vir a chuva, pra minimizar as perdas que a gente teve em SC, e isso estimulou também. Então essa cadeia foi positiva, essa elevação dos preços das commodities, o que trouxe resultados positivos.


RCN - Como funcionou o trabalho do Sescoop durante a pandemia?

Suzin - A gente continuou realizando as formações virtualmente. Claro que no começo, como quase tudo, a gente paralisou até vir as adaptações, mas não foi um ano perdido. Foi um ano que teve uma retraída grande em alguns programas. Outros programas como capacitação dos nossos colaboradores aconteceram de forma virtual. Mas a gente tem um trabalho bastante aprofundado com as mulheres cooperativistas, e o Cooperjovem que foram mais prejudicados. Mas a gente está se adaptando para retomar no início do ano. Porque o susto foi tão grande que o próprio do conselho do Sescoop não quis correr risco, então a gente foi fazendo de forma virtual. Mas aquelas que precisariam ser resolvidos de forma presencial, dá pra ver que foram 100% paralisadas em função de segurança que a gente precisa ter. Então agora a gente está fazendo trabalho junto ao conselho, junto a algumas cooperativas, para a retomada quando vier essa vacina em 2021. Algumas atividades necessitam do presencial, mas a gente foi se adequando. Nossa expectativa é fazer essa retomada em 2021.


RCN - Com a chegada dessa vacina, o senhor projeta que 2021 seja um ano de normalidade?

Suzin - A principio, olhando resultado, como nós tivemos em 2020, há um entusiasmo sim, o que a gente espera é que a gente entre em 2021 com resultado positivo. Nós dependemos bastante da exportação. A gente sabe que o mercado interno vai retrair um pouquinho, mas a continuidade da exportação, podemos entrar mesmo sem ter a vacina, a principio, com crescimento desde o início do ano. Também, nós dependemos muito, especialmente no agro, do tempo, que ele colabore, no mês de dezembro, janeiro e fevereiro, para quem sabe a gente tenha uma boa safra em SC e isso já daria um bom alento. E os preços, a gente sabe que eles seguirão firmes em 2021, dessas commodities, então, a gente tem uma expectativa positiva em 2021


RCN - Quais os principais desafios do cooperativismo para 2021?

Suzin - A gente que vive do campo nunca pode perder a esperança. A gente sempre dá uma palavra de otimismo pro nosso produtor. Passamos por algumas dificuldades, o que mais afeta o agricultor seria preço, mas preço a gente sabe que pro ano que vem eles devem ser favoráveis. Então pra esse ano seria o clima, mas a gente sempre dá uma palavra de otimismo, de confiança, para que possamos entrar no ano de 2021 com o pé na frente. É isso que nós estamos esperando para o ano que vem. No começo do ano a gente perdeu o chão, mas fomos retomando e fechamos o ano positivo. Mas com o trabalho a gente vai superando, sempre acreditando e olhando para frente. O produtor apostou no plantio, ele fez sua parte, falta o clima fazer o dele.




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