Produção industrial do setor de madeira lidera alta, impulsionada pela produção destinada à exportação; setor de bens de capital contribui para resultado positivo

 A produção industrial catarinense cresceu 1,1% no acumulado dos três primeiros meses do ano em relação ao 4º trimestre do ano passado, na série livre de efeitos sazonais. O percentual ficou acima da média nacional, que registrou expansão de 0,3% na mesma base de comparação. 

A indústria de madeira foi destaque no primeiro trimestre de 2024, com crescimento de 4,0% frente ao último trimestre de 2023,  demonstrando uma recuperação gradual, incentivada pela demanda externa crescente. “Esse setor industrial é um dos mais internacionalizados do estado, com boa parte da produção destinada à exportação. Diante da melhoria no mercado imobiliário nos EUA, principal comprador dos produtos de madeira catarinenses, as exportações têm aumentado, contribuindo para o desempenho positivo no início do ano”, ressalta o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Mario Cezar de Aguiar.

As atividades industriais ligadas à produção de bens de capital também apresentaram melhora. A fabricação de equipamentos elétricos teve aumento de 2,7% de janeiro a março em relação ao trimestre anterior. Segundo análise do Observatório FIESC, o desempenho foi motivado pelo consumo doméstico, aquecido pelo arrefecimento do preço de produtos como eletrodomésticos, além das vendas internacionais de motores elétricos.

Outro setor ligado a essa dinâmica é o de máquinas e equipamentos, que cresceu 1,6% no acumulado dos três primeiros meses de 2024 na comparação com o último trimestre de 2023. Para o economista do Observatório FIESC, Arthur Della Vecchia, o resultado foi ampliado pelas exportações de compressores de ar e a produção de maquinário agrícola.

No período analisado, o setor automotivo também apresentou desempenho positivo, com 2,2% acima do trimestre anterior. A indústria local foi estimulada pelo recuo nas importações de veículos e as exportações de partes e peças, especialmente para o México, contribuíram para a recuperação do segmento no estado.

No primeiro trimestre, as condições financeiras menos restritivas na economia doméstica estimularam ainda o setor de fabricação de minerais não metálicos, que aumentou 1,4%. O crescimento é explicado por um maior dinamismo da construção civil no início do ano, beneficiada pela queda dos juros, e tem registrado aumento nas contratações de mão de obra.


Setores em queda
Por outro lado, a fabricação de produtos de borracha e materiais plásticos registrou retração no trimestre. A queda pode ser explicada por uma menor demanda por embalagens vinda do setor de produtos alimentícios, que também apresentou decréscimo na produção no primeiro trimestre do ano. 

“O setor de metalurgia teve queda de 5,1%, e o de produtos de metal recuou 9%. O desempenho pode ser parcialmente explicado pelo aumento das importações de aço e produtos de aço da China. Tanto a indústria brasileira quanto a catarinense vêm enfrentando dificuldades devido à concorrência com esses produtos importados”, enfatizou o economista do Observatório FIESC, Arthur Della Vecchia.

Segundo análise do Observatório FIESC, em relação ao primeiro trimestre de 2023, a produção industrial do estado teve alta de 3,7%, resultado da continuidade da recuperação nos níveis da produção industrial.