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Mercado livre de energia protege empresas do aumento da tarifa

Preços estão em alta no mercado regulado, mas compra direta garante economia e segurança de fornecimento

Foto: Agência Brasil

A Celesc anunciou na última semana que começou a aplicação do reajuste médio de 8,14% na tarifa de energia elétrica com cobrança, inclusive, retroativa ao período em que a Justiça suspendeu o aumento, entre agosto e outubro. Para piorar, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou na segunda-feira (30) a adoção de bandeira tarifária vermelha de grau 2, ou seja, o maior custo adicional possível em razão das condições adversas (estiagem) para produção de energia.

Os novos preços devem atingir principalmente os consumidores comuns já que muitas empresas atuam por regime de contratação fora do mercado regulado - o chamado mercado livre - e garantem estabilidade de preços e segurança no fornecimento. "As indústrias de forma geral atuam comprando energia no mercado livre, direto das geradoras, então conseguem gerir melhor esse custo", disse o presidente da câmara de energia da Federação das Indústrias de SC (Fiesc), Otmar Josef Müller.

Mesmo com a estiagem, não deve faltar energia já que o sistema é interligado e as térmicas foram acionadas. Apesar disso, Müller alerta que o Estado deveria investir mais em novos projetos. "Santa Catarina é importadora de energia. Não consegue produzir tudo o que consome. [...] Tem sido feitos poucos investimentos em novos projetos. É importante que haja políticas do Estado voltadas para o aproveitamento dos potenciais, especialmente de energia renovável", disse.

Segundo especialista no setor e diretor da consultoria em energia ENERCONS, Ivo Pugnaloni, a tendência para quem compra energia no mercado regulado é aumento grande, chegando até 20%. "As empresas de distribuição de energia sofreram e sofrem com inadimplência em meio à pandemia. Como é que essas distribuidoras e a Aneel resolveram o problema? Dando um empréstimo financiado pelo BNDES para as distribuidoras, que vão pagar aumentando o valor da tarifa de quem está adimplente", disse Pugnaloni.

Para quem está no mercado livre, o preço caiu com a pandemia e a consequente queda de consumo. A opção tornou-se uma boa aposta de economia para pequenas e médias empresas. Segundo Pugnaloni, que atua com mercado livre há mais de 20 anos, a economia pode chegar a 30%, mas desde que se faça um bom contrato. Para isso, diz, é preciso investir em um estudo independente, que não envolva as comercializadoras. "As empresas que são consumidoras precisam entender como estão jogando dinheiro fora. [...] O mercado livre foi feito para aumentar a concorrência e baixar os preços no Brasil, que são dos mais caros do mundo", disse o diretor da ENERCONS. 




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