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Valorizar quem garante a segurança alimentar, por José Zeferino Pedrozo

A agricultura brasileira, até algumas décadas atrás, era um setor subdesenvolvido da economia nacional. Até os anos 1970 o Brasil importava alimentos e praticava uma agricultura atrasada. A criação da Embrapa, o surgimento de modernas agroindústrias, o aumento do empreendedorismo no campo e a maior oferta de extensão rural e assistência técnica mudaram esse cenário. As cooperativas tiveram papel importante nesse processo ao optarem, de um lado, pela adoção e transferência de tecnologias aos produtores e, de outro, pela construção de indústrias de processamento das matérias-primas produzidas no campo - grãos, leite, frutas, carnes etc.

O sindicalismo e o cooperativismo agropecuário foram grandes impulsionadores na busca de produtividade e qualidade dos produtos agrícolas e, simultaneamente, na abertura de novos mercados no Brasil e no exterior. O programa de crédito rural do Governo Federal e os organismos de financiamento à produção permitiram os aportes necessários para custeio e os investimentos que sustentaram a expansão desse importante segmento.

O notável estágio em que se encontra o setor primário - especialmente a agricultura e a pecuária - é fruto de muitos anos de trabalho e investimento dos produtores-empresários e do Governo. Uma conquista da sociedade, portanto. A agricultura verde-amarela é sustentável, protege os recursos naturais e usa de forma racional as possibilidades de solo, água e cobertura vegetal. A agroindústria é avançada, moderna, sustentável, lastrada em longas, complexas e eficientes cadeias produtivas.

A agricultura e a indústria de alimentos deram ao País uma condição invejável de segurança alimentar e o tornaram um dos maiores exportadores mundiais de alimentos, como atestam os seguidos superávits na balança comercial.

Aqui, como no restante do planeta, a agricultura precisa de políticas permanentes de proteção e estímulo em razão das variáveis incontroláveis e imprevisíveis que a afetam, como o clima, o mercado mundial, a questão sanitária, as epizootias, as pandemias, as crises internas das grandes nações compradoras de nossos produtos exportáveis.

A oferta abundante, acessível e permanente de comida no prato dos brasileiros é garantia de combate à fome e paz social. Esse quadro se impõe na realidade brasileira e faz parte do cotidiano da população. Por isso, é incompreensível e inaceitável o ataque que o agronegócio vem sofrendo de alguns setores. A sociedade tem assistido, estarrecida, entidades privadas de representação e organismos estatais ou paraestatais invadidos e depredados diante da propagação de narrativas infundadas, fantasiosas e inconsistentes sobre o agronegócio.

Esses episódios são desconcertantes, mesmo que se identifique com facilidade a motivação ideológica que reveste essas ações violentas e intimidatórias e que se constante a pequena expressão desses grupos. Entretanto, seus efeitos são deletérios, afastam investidores, perturbam o ambiente de negócios e criam insegurança jurídica. As amplas garantias constitucionais para liberdade de opinião e manifestação do pensamento não autorizam a violência e a destruição da propriedade privada.

Episódios assim têm o único mérito de antecipar para a sociedade nacional o caráter de intolerância que alguns movimentos e algumas lideranças adotarão caso se alojem, no futuro, em alguma esfera da Administração Pública Federal. Aproxima-se um ano eleitoral no qual todas as correntes políticas poderão expressar suas ideologias, planos, projetos e propostas para o País - submetendo-as a soberana escola e decisão do cidadão brasileiro. Em uma democracia consolidada, somente as eleições indicam os caminhos das mudanças e transformações. Informação, debate, compromisso e posicionamentos devem ser as armas dos que querem mudar o País. 



José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)






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