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A importância de proteínas alternativas à mesa do brasileiro, por Marcel Sacco

Uma pesquisa realizada pelo IBOPE, apontou já em 2018, que 14% dos brasileiros não consumiam proteínas de origem animal. De lá para cá, cada vez mais vem crescendo a busca por alimentos que definem as parcelas vegetariana e vegana da população. Em outra pesquisa, da Allied Market Research, com dados de 2020, aponta o quanto esse mercado é promissor, já que representa globalmente uma estimativa de faturamento de mais de US$ 2 bilhões até 2027.

Nesse sentido, com objetivo de ampliar a oferta global de proteínas, a indústria de alimentos vem investindo em pesquisa e desenvolvimento tecnológico para a transformação da cadeia produtiva de forma sustentável. Um dos resultados disso é a ampliação da oferta de produtos à base de proteínas alternativas, como as vegetais, que se assemelham à carne na textura, aroma e sabor, e são livres de gorduras saturadas. Além de reduzirem os impactos ambientais, essas proteínas são ricas em nutrientes fundamentais para o desenvolvimento humano.

A demanda global por novas fontes de proteínas ocorre, principalmente, por dois motivos: a busca por uma dieta mais saudável e a preocupação com o meio ambiente. Esse novo mindset causa uma verdadeira revolução na indústria, que se apressa em oferecer opções que atendam a esse consumidor.

Uma alimentação à base de proteínas alternativas não é modismo, pois prioriza o bem-estar animal como propósito, traz um viés sustentável ao sistema de produção com inovação que busca a diversificação das fontes alimentares na sociedade, atendendo aos novos hábitos de consumo, de um grupo complexo e diverso, com diferentes hábitos, rotinas e estilos de vida

Os produtos no meat têm base vegetariana, são feitos de grãos, com condimentos naturais e sem glúten, que proporcionam aos brasileiros uma dieta mais consistente e completa, atendendo aos valores nutricionais diários que devem estar presentes em cada refeição. Paralelamente, traz ganhos em proporções globais que reduzem em até 250 vezes os gases do efeito estufa, além de permitir a produção de dez vezes mais proteínas por hectare, se comparados à carne animal, e 60% a menos do consumo de água de quem adota a dieta à base de vegetais.

Entre as principais fontes de proteínas alternativas estão a ervilha amarela, o grão de bico e o feijão carioca. Esses grãos, além de ricos em minerais e vitaminas do complexo B, são fontes de proteínas de alta absorção. Passam por diferentes etapas de cozimento e preparo, que garantem a textura e o corte cada vez mais semelhantes aos da carne de origem animal, contribuindo diretamente para o incentivo à biodiversidade e ao aumento das práticas agrícolas regenerativas, eliminando o desmatamento e restaurando os ecossistemas naturais.

Outra alternativa trazida do exterior, e que começa a ganhar corpo no mercado nacional pelas mãos da BRF, é a carne cultivada, reproduzida a partir das células dos animais, sem a necessidade do abate ou de numerosos rebanhos.

Em parceria com a startup israelense Aleph Farms, a novidade já está em fase de desenvolvimento e deve chegar ao mercado até 2024. Os ganhos em sustentabilidade são enormes: para cada 1kg de carne bovina, gasta-se, em média 15 mil litros de água. A tecnologia empregada no cultivo garante economia de 70% nesse volume, evita o desmatamento e assegura maiores hectares de terra fértil, além de zero emissão de gases (a produção da Aleph Farms pretende zerar as emissões de carbono por completo até 2025). A carne cultivada é livre de quaisquer antibióticos, o que garante maior saudabilidade à proteína e menos riscos à saúde do consumidor. Também vale ressaltar que a carne cultivada provém de uma amostra celular animal 100% natural.

A inovação não pode - e nem deve - parar. Por isso, vale sempre a pena conferir o que vem por aí, tendo como principal foco o consumidor e suas demandas.


Marcel Sacco é vice-presidente de Novos Negócios e Inovação na BRF






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