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Sexta-Feira, 21 de Junho de 2024




Opinião

Santa Catarina: uma economia resistente a choques, por Carlos Lopes e Roberto Padovani

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Economistas argumentam que, apesar da desaceleração global, SC continuará sendo destaque na economia

Santa Catarina: uma economia resistente a choques, por Carlos Lopes e Roberto Padovani

Apesar da desaceleração global em curso, o Estado se mostra resistente a choques e deverá continuar sendo um destaque na economia nacional

A economia de Santa Catarina vem mostrando um crescimento acima da média nacional desde a recessão de 2014. Este bom resultado não é gratuito e reflete a força do agronegócio no Estado e a resiliência de seu mercado consumidor.

O Estado faz parte da história de sucesso dos setores ligados a commodities dos últimos anos. Além de milho e soja, a região é um destaque nacional na produção de proteínas. Mais importante, o complexo de carnes é integrado com a indústria de alimentos.
Por isso, o setor industrial mostra dinamismo e faz com que a participação da indústria no PIB esteja acima do padrão nacional. Vestuário, têxtil, maquinário, couro e móveis compõem um perfil diversificado e competitivo da indústria do Estado.

Esta estrutura produtiva reflete também o fato de a dinâmica econômica regional ser liderada pelo setor privado e marcada por uma forte cultura empresarial. Mesmo com um menor peso na economia, no entanto, vale notar que o setor público tem apresentado contas relativamente bem arruado.

Como resultado, os níveis de desemprego são historicamente mais baixos que os nacionais, o que favorece a renda e permite patamares menores de inadimplência. Não por outro motivo, crédito e renda ajudam a sustentar bons números no consumo e nos serviços.

O Estado tem desafios importantes à frente. Além da crônica escassez de mão de obra e infraestrutura, o cenário global é de desaceleração, o que implica a manutenção de uma tendência de queda de preços de matérias-primas.

De fato, os custos de crédito seguem em alta na Europa e, principalmente, nos Estados Unidos, cujo desafio de controlar a inflação se mantém elevado. Ao mesmo tempo, a economia chinesa tem menor fôlego com os ajustes no mercado imobiliário, menor oferta de mão de obra e tensões geopolíticas, afetando a confiança de empresários e consumidores.

Por outro lado, no entanto, a estrutura econômica do Estado permite resistir melhor aos choques. Dado o ambiente global desinflacionário, o IPCA deve se estabilizar na casa de 4,0%, o que abre espaço para a continuidade dos cortes das taxas de juros.

Os choques externos e as preocupações crescentes com as contas públicas locais atrapalham, mas não impedem um ciclo favorável no crédito. Isso porque a queda dos juros e o aumento da renda gerado por um mercado de trabalho aquecido e por programas sociais do governo trazem alívio financeiro e controle da inadimplência.

Com crédito e renda, a confiança sustenta níveis historicamente elevados e permite a aceleração do consumo, compensando parte do impacto negativo sobre o crescimento gerado pela queda da produção agrícola e pela desaceleração da economia internacional.

Mesmo com um cenário global adverso, portanto, o mercado consumidor regional deverá ser a grande notícia dos próximos meses


Carlos Lopes, economista do BV, e Roberto Padovani, economista e presidente do BV

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