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Sessão da Assembleia é marcada por críticas ao governo

Parlamentares se somaram para reclamar de tratamento do Executivo. Mesa diretora emitiu nota de repúdio

Foto: Bruno Collaço/ Agência AL
Indignado, Hobus (PSD) rasgou documento de convênio que teve atrasos

Em pouco mais de 24 horas, o governo de Carlos Moisés da Silva viveu uma montanha-russa de acontecimentos. Primeiro, foi vaiado durante sessão na Assembleia Legislativa. Depois, recebeu a notícia de que o pedido de impeachment foi arquivado. Logo após o alívio, novas críticas. 

A sessão ordinária da Assembleia desta quarta-feira (5) foi marcada por discursos ácidos de opositores. Os parlamentares aproveitaram o retorno da atividade legislativa para expôr as críticas ao Executivo. Essa foi a pauta da maioria dos deputados que se manifestaram.

Ivan Naatz (PV) condenou a situação das estradas e questionou o discurso de Moisés nesta terça-feira (4). "A gente esperava ontem uma mensagem de dados, de números, mas não. O governador se resumiu a três minutos de fala onde ocupou a tribuna para não dizer nada. [...] O posto de liderança de governo ninguém quer ocupar. Tem recado maior do que este?", disse na tribuna.

"É muito fácil vir aqui e fazer um discurso de que tudo vai bem, pregar a união do parlamento com o Executivo, mas, na prática, isso não acontecer. [...] O governador do Estado de Santa Catarina está sendo enganado pela sua equipe. Que burocracia é essa? Eficiência nos gastos, cadê?", afirmou Milton Hobus (PSD). O pessedista criticou a morosidade dos convênios. 

A questão também foi pauta de Felipe Estevão (PSL). "O Estado está indo de mal a pior. As pessoas na ponta estão nos cobrando. Quando a gente vai ao governo é tratado como algo não republicano. Que fique o registro: quando procuramos o governo é para falar de pautas da população. Eles burocratizam, vendem dificuldades", disse. 

"Ele não foi vaiado exatamente por estar propondo uma reforma e sim por atitudes imorais que tomou no decorrer do ano que fez com que ele deixou de ter moral para uma proposta dessa. Por exemplo, não adianta querer cortar dos outros e morar num palácio", afirmou Jessé Lopes (PSL). 


Nota de repúdio

O deputado Valdir Cobalchini (MDB) subiu à tribuna para reclamar da atitude do secretário da Infraestrutura, Carlos Hassler. Segundo o parlamentar, o Hassler fechou as portas da secretaria para ele quando acompanhava um prefeito do interior.

"Ele se disse surpreso com a minha presença e enfatizou que o assunto era entre Estado e município e portanto eu era estranho [...] O secretário pediu para que eu me retirasse", afirmou. 

A exposição do caso gerou solidariedade de diversos parlamentares, que criticaram a postura do Executivo em deixar de ouvir os parlamentares. Eles se queixam da falta de diálogo. 

"Na condição de presidente da Casa, não posso ter outra atitude senão me solidarizar. Quem ocupa uma função pública tem que ter o mínimo de respeito e educação. A presidência vai elaborar uma nota de repúdio ao governador do Estado. Espero que ele tome alguma atitude", disse o presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD).


Leia a nota na íntegra: 

A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Santa Catarina manifesta seu veemente repúdio ao Secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade Carlos Hassler, pelo tratamento dispensado ao Deputado Estadual Valdir Cobalchini, do MDB, impedido de participar de uma audiência na sede da Secretaria quando acompanhava o prefeito municipal de Pinheiro Preto, nesta terça-feira (04/02).

Quando impediu um parlamentar catarinense de participar de uma audiência em órgão público, o secretário não cometeu somente uma grave indelicadeza com um deputado que, inclusive, já comandou com êxito reconhecido aquela Secretaria. Também feriu um dos pilares da democracia, que prevê a representatividade do cidadão por seus parlamentares.

Quando deixou o deputado estadual Valdir Cobalchini do lado de fora do seu gabinete, o Secretário Hassler deixou lá também todos os cidadãos catarinenses representados pelo Parlamentar. Especialmente os cidadãos do município de Pinheiro Preto interessados no assunto daquela audiência. Na Secretaria de Estado só devem ser tratados assuntos administrativos e republicanos. Não existe, portanto, nenhuma razão para não permitir a presença de um Deputado Estadual naquele recinto e naquele encontro entre agentes públicos.

Com tristeza e indignação, a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina ratifica seu repúdio e clama para que nunca nos falte o respeito.


Resposta

A Rede Catarinense de Notícias procurou a secretária de Infraestrutura para comentar o caso. Até a publicação da matéria, a reportagem não obteve resposta. Assim que houver alguma manifestação, o conteúdo será atualizado. 





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