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Presidente do PSDB-SC lamenta a saída de Napoleão Bernardes do partido

19 Fevereiro 2019 15:52:00

Deputado Marcos Vieira também fez uma avaliação do cenário nacional, com duras críticas a Aécio Neves

Foto: Divulgação / Arquivo PSDB

Em conversa com um grupo de jornalistas de Florianópolis, o deputado Marcos Vieira, presidente do PSDB catarinense, lamentou a desfiliação de Napoleão Bernardes, ex-prefeito de Blumenau. Ele admitiu ter ficado surpreso com a decisão, informada pelo diretório municipal do partido tão logo concluída a reunião em que Bernardes alegou querer se dedicar mais a vida pessoal e profissional. Na carta, escrita de próprio punho, também afirmou que ficará sem filiação partidária por um tempo. 

O ex-prefeito de Blumenau, que nas últimas eleições disputou o cargo de vice-governador na chapa encabeçada por Mauro Mariani (MDB), era o nome preferencial de Vieira para sucedê-lo na presidência dos tucanos catarinenses. "É uma perda importante. Nós lamentamos muito. Foi uma surpresa, até porque não tinha qualquer burburinho que pudesse indicar sua saída do PSDB", disse o deputado, que não poupou elogios ao agora ex-companheiro de partido. "Um homem brilhante, capaz, inteligente", disse.

A saída de Bernardes abriu espaço para outro nome que vem crescendo entre os tucanos. O de Beto Martins, ex-prefeito de Imbituba, candidato do PSDB a segundo suplente de Jorginho Melo (PR) ao Senado. "Também é um homem capaz", elogiou, ao complementar, ainda sem querer abrir apoio formal a Martins. "Meu candidato é aquele que melhor se dispuser a trabalhar pelo PSDB. Ser presidente de um partido é exercer um sacerdócio. É renunciar a muitas questões pessoais e profissionais".

Para demonstrar o que entende por 'sacerdócio', deu o exemplo: de primeiro de janeiro de 2003 até agora, rodou 1,5 milhão de quilômetros por Santa Catarina. Ou seja, uma média de 93.750 quilômetros por ano.

Aécio precisa sair

Marcos Vieira lembrou que o PSDB de Santa Catarina já passou por diversas crises, problemas até então limitados ao próprio partido. Em 2018, avalia, a crise do partido tomou outras proporções e se tornou externa. Segundo ele, "não por culpa dos dirigentes estaduais, mas resultado do contexto nacional".

Nesse ponto, Vieira faz duras críticas ao ex-senador por Minas Gerais Aécio Neves. "Vou ser bem sincero. O principal ator que levou o partido à bancarrota chama-se Aécio Neves". E fez questão de repetir: "O principal ator que levou o partido à bancarrota chama-se Aécio Neves". O presidente do PSDB estadual fala que houve "coadjuvantes" no processo que alterou os rumos da organização partidária, mas reafirma que o ex-senador por Minas Gerais foi o principal responsável.

O deputado catarinense vai além e defende que Aécio Neves deve ser expulso do partido ou ter sua filiação cancelada, sob pena de um aprofundamento ainda maior da crise no ninho tucano. Na avaliação de Vieira, Santa Catarina é um Estado altamente politizado. Para justificar sua fala, faz referência ao Partido dos Trabalhadores (PT), que só ganhou uma eleição do PSDB em 2002, quando Lula disputou com José Serra. "Sempre tivemos votações muito superiores. Fizemos 66% dos votos para o Aécio em 2014, que agora migraram para o Bolsonaro."

No cenário nacional atual, o presidente do PSDB-SC vê apenas duas lideranças com possibilidades de recompor o partido: o governador de São Paulo, João Dória, e o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.


O preço das eleições de 2018

Resumindo as eleições de 2018, Marcos Vieira reconheceu que foi impossível sustentar, politicamente, uma candidatura tucana ao governo do Estado, no caso, o ex-senador Paulo Bauer. Essa percepção se deu já muito próximo do prazo final para inscrição das candidaturas, o que levou a uma rápida sucessão de conversas com outros partidos, acordos feitos e desfeitos em questão de horas, até que se chegou à configuração final: PSDB compondo com PR em chapa liderada pelo MDB.

O preço pago foi alto. Algumas das principais lideranças tucanas se apagaram, como o próprio Napoleão Bernardes. O partido, que tinha dois senadores na legislatura passada, agora não tem nenhum. A bancada estadual caiu de três para dois deputados, assim como a federal diminuiu de dois para um representante catarinense. Independentemente de quem for escolhido, o novo presidente do PSDB/SC precisa aproveitar o fato de não ter havido movimento de desfiliação, mantendo o foco na organização para as eleições municipais de 2020. A contagem regressiva já começou.

O deputado Marcos Vieira (PSDB) recebeu em seu gabinete os jornalistas Douglas Rossi (Adjori-SC), Andréa Leonora (ADI-SC) e Altair Magagnin (ND).
Matéria compartilhada entre os veículos da rede Adjori/SC e ADI/SC





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