PERSPECTIVAS

Na Fiesc, especialistas discutem cenário econômico do Estado

05 Dezembro 2017 16:54:00

Durante o evento, Glauco Côrte disse que o principal desafio de Santa Catarina é a infraestrutura

Foto: Filipe Scotti/Fiesc

Nesta terça-feira (5), a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) sediu o Fórum Regional Estadão com o intuito de discutir o cenário de 2018 e o futuro de Santa Catarina para os próximos anos. Estiveram presentes o governador do Estado, Raimundo Colombo, o presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, a colunista Adriana Fernandes e o consultor econômico, Raul Velloso, entre outros especialistas. 

Colombo apresentou os potenciais do Estado e os desafios enfrentados para superar a crise econômica. Ele destacou que para ter os melhores resultados diante do cenário de crise foi necessário fazer reformas estruturais e fortalecer os potenciais econômicos catarinenses. Ele também citou como medidas importantes a renegociação da dívida pública e a reforma da previdência. 

"Nosso Estado é inovador. Aqui os desafios sempre foram muito bem superados. Todas as ações tomadas nos ajudaram a garantir o equilíbrio fiscal, honrar os compromissos com nossos fornecedores e manter as obras e salários em dia", disse. 

"Temos um gargalo crônico em Santa Catarina que é a questão da nossa infraestrutura. É o principal desafio para que o Estado tenha um crescimento maior", disse o presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, durante sua participação. Côrte disse que o Estado precisa lutar pelas ferrovias, mas são projetos que precisam de pelo menos dez anos para sair do papel.

"Santa Catarina não pode esperar. Por isso, a Fiesc tem defendido e insistido muito nos investimentos em rodovias para escoar a produção", explicou. 

Ele chamou a atenção para o baixo volume de recursos aplicados. "O governo federal até hoje investiu zero em ferrovias em Santa Catarina. O pouco que temos são investimentos privados", completou Côrte, lembrando que há dois projetos em andamento: a Ferrovia da Integração (que liga o Oeste de SC aos portos) e a Litorânea (liga os portos à malha nacional), mas esbarram em questões relacionadas à burocracia.

A jornalista Adriana Fernandes, colunista do jornal O Estado de São Paulo, disse que a aprovação da reforma da previdência é importante, mas levantou outros temas. "O teto de gastos é um grande problema porque o que tem sido pouco falado é que outras medidas mais duras terão que ser tomadas. Nos bastidores, discute-se uma revisão do teto, o que seria ruim. O governo tem um pacote de medidas fiscais muito incerto", disse.

Adriana, que há 20 anos cobre economia em Brasília, disse que as despesas discricionárias, que são aquelas que o governo consegue administrar, são um volume pequeno, cerca de R$ 118 bilhões. Contudo, 92% do orçamento já está comprometido. "Sem a reforma da previdência o quadro vai piorar", prevê. Ela destacou outras fragilidades fiscais, como o orçamento dependente de receitas extraordinárias, teto de gasto apertado que exige ações do lado das despesas e não só buscar o aumento das receitas. 

"O grande drama é a previdência", resumiu o consultor econômico e ex-secretário de assuntos econômicos do Ministério do Planejamento, Raul Velloso, referência no País em finanças públicas. "O Brasil tem uma situação complexa. Os governadores têm pouca margem para fazer ajustamento financeiro", avaliou, ressaltando que os orçamentos têm "donos" e citou os repasses obrigatórios para educação, segurança, Poderes (Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Tribunais de Contas, etc.), serviços da dívida e demais vinculações. "Qualquer governador tem margem mínima para atuar. Quem manda no orçamento são os "donos" e o peso dos donos no orçamento varia. 

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