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Não quero ser pré-julgado, mas não abro mão de ser julgado, diz Julio Garcia

Em discurso na tribuna da Assembleia, deputado negou que tenha envolvimento ou benefício em esquema apurado pela Operação Alcatraz

Foto: Murici Balbinot

Na tarde desta terça-feira (4), o presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD), ocupou a tribuna da Casa para falar pela primeira vez sobre o seu envolvimento na Operação Alcatraz, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada. Após quatro dias, Garcia quebrou o silêncio e disse que escolheu se pronunciar na Assembleia "em respeito ao Poder, aos deputados e servidores".

A ação, que apurou irregularidades na prestação de serviços ao Estado, resultou em busca e apreensão em sua residência e apontou indícios de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Garcia também tem ligação direta com dois investigados.

"Hoje, eu não tenho nenhuma dúvida, é o dia mais triste da minha trajetória no parlamento", afirmou. "Confio na justiça e acredito que esteja fazendo o seu papel. O final do inquérito só foi recebido ontem [segunda, dia 3] muito tarde, os advogados ainda estão lendo o inquérito todo. Não há ainda uma posição final em relação a isso."

Logo após seu pronunciamento na tribuna, onze deputados de oito partidos prestaram solidariedade. Os mais próximos reiteraram o seu caráter e desejaram um julgamento justo e amplo direito à defesa. Com apoio suprapartidário, Garcia descartou a possibilidade de se afastar do cargo para responder ao processo.

O objetivo agora, diz, é trabalhar em sua defesa. Principalmente para provar que não foi beneficiado com o esquema. Garcia afirma que há dois pontos principais que ele quer esclarecer.

"Investigam-me por ter relação com proprietário de prestadora de serviços da Secretaria de Administração. Posso afirmar que desconheço qualquer atividade comercial dessa empresa". O deputado se refere à empresa Apporti, cujo proprietário é Jefferson Rodrigues Colombo, genro de sua ex-mulher. Segundo ele, são amigos até hoje. 

Nelson Castello Branco Nappi Junior é outro investigado que é amigo de Garcia. Segundo a PF, Nappi estava no epicentro do esquema e fazia o meio-campo entre agentes públicos e empresários. Como secretário-adjunto de Administração, autorizava contratações sem licitação. Garcia é seu padrinho de casamento. 

"Reitero aqui minha amizade de muitos anos. Desconheço qualquer atuação ilícita de sua parte. Não fosse assim, não o teria nomeado para cargo comissionado na Assembleia. Não vou renegar meus amigos", disse. Nappi era diretor de tecnologia e já foi exonerado. 

Ele nega também irregularidades na posse de um terreno que, para a PF, é produto de pagamento de propina. Segundo Garcia, o imóvel foi adquirido em 1994, mas teve dificuldade na sua regularização. "Tal imóvel nada tem a ver com o objeto da operação", disse. 









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