entrevista

Moisés quer ampliar discussão sobre agrotóxicos e defende mais controle

Governador falou sobre Bolsonaro, pautas polêmicas e rebateu críticas em entrevista exclusiva à Adjori e à ADI

Andréa Leonora - ADI/SC - Murici Balbinot - Adjori/SC
Foto: Peterson Paul/Secom

Adjori/ADI - O governo tem anunciado entregas e faz relação com cortes de gastos. Esse dinheiro está saindo diretamente do tesouro? 

Carlos Moisés da Silva - Nós temos ações concretas de economia. Algumas são mensuráveis. Vou dar um exemplo: economia de R$ 6,2 milhões em combustível. Nós estamos comprando melhor. A gente passou a comprar por aplicativo. Nós tínhamos 2.688 contratos de compra e agora caiu para um. Isso gera economia. Fizemos o pregão eletrônico, que foi outro fator. O governo sem papel... selo e papel A4: só isso vai gerar uma economia de R$ 30 milhões, que é o orçamento das duas pontes [Pedro Ivo e Colombo Salles] para manutenção. Quem diria que o Estado gasta milhões com papel? Você tem noção do que é essa economia repetidas vezes? A gente cria coragem de lançar algumas obras com dinheiro próprio. Por exemplo, essa obra precisa de dez meses de execução e custa R$ 20 milhões. Então é R$ 2 milhões por mês. Tem R$ 2 milhões por mês? Tem, estou economizando aqui e ali. 

Adjori/ADI - Nesses nove meses, tivemos discussão sobre duodécimo, incentivos fiscais, e agrotóxicos. O senhor planeja outra grande mudança?

Moisés - O duodécimo é uma pauta que se repete. A pauta dos benefícios fiscais ainda não terminou porque tem o rescaldo. A discussão não é focada no agrotóxico. Tem a substituição tributária do vinho, que agradou muito o setor. Importante para a nossa indústria porque vai incidir um imposto real sobre aquele vinho. Nem sempre aumentar tributo é ruim. Você equilibra o mercado. E nem toda isenção é benéfica. Dar o incentivo é incentivar o consumo. Então a bebida alcoólica não tem incentivo, fumo não tem incentivo. Pauta polêmica? Acho que o que eu já apanhei já foi suficiente [risos]. 

Adjori/ADI - Além da continuidade dessas pautas citadas, existe alguma outra reforma estruturante em vista?

Moisés - A gente está rodando o Estado com a reforma administrativa. A partir das novas estruturas que criamos e das velhas que nós eliminamos, a gente vai ver como se comportam as pastas. Muito além de uma reforma, nós estamos estabelecendo indicadores de avaliação. É um governo que tem um rumo certo. Os indicadores vão fazer uma avaliação por resultado, como na iniciativa privada. No meio público é mais difícil, mas alguém tem que começar. A própria gestão por resultado já é uma reforma constante do Estado.

Adjori/ADI - Existe a expectativa de que SC se beneficie pela votação expressiva em Bolsonaro. O senhor está satisfeito com as ações do governo federal no Estado?

Moisés - Estou satisfeito. Ele tinha eventos aqui no início do mês, e não veio por saúde pessoal. Mas os ministros tem representado muito bem o governo federal. Para nós e para Santa Catarina obviamente ressurge a esperança com a eleição do presidente por quê? Porque se Jair Bolsonaro não fosse eleito, esses ministros que eu converso no dia a dia, tendo acesso a eles... se fosse outro presidente, seria um político de carreira. Como eu, um sujeito que nunca foi político , teria acesso franqueado a um ministro político? Eu ia ter que pedir a benção para quem? Todos os ministros do Bolsonaro, sem exceção, a gente liga para eles: "dá, não dá". É nesse nível a conversa. O que acontece no Brasil hoje é um fruto que nós vamos colher daqui a cinco, oito anos, e eu tenho expectativa e certeza de que o Brasil será outro. É um governo técnico, como se esperava. Tem muita gente que diz que o governador não sai muito: eu tenho que ter foco na gestão. E quando sair, sair efetivamente para fazer entregas. Inclusive, estamos fazendo entregas por ordem de prioridades escolhidas pelas próprias regiões.

Adjori/ADI - O senhor falou que estão trabalhando com indicadores de avaliação. Isso é diferente de meritocracia?

Moisés - Muito diferente. Porque a meritocracia está baseada na valorização do profissional. É uma gestão de pessoas. Quando eu falo em gestão por resultado é acompanhar as entregas que o Estado está fazendo, corrigindo os caminhos.



Foto: Murici Balbinot


Adjori/ADI - Durante pautas polêmicas ouviu-se muita reclamação por falta de diálogo do governo. Como o senhor avalia essas críticas?

Moisés - Eu acredito que não são procedentes as reclamações. Recebemos representantes do setor do agro aqui e conversamos, passando a posição do governo e recebendo a posição deles. Eles admitiram que há muito o que melhorar, especialmente em treinamento, cuidado com o agricultor. O que o Moisés fez foi tocar num assunto que ninguém tem coragem de tocar. Não estou dizendo que eu sou o dono da razão, mas esse é um assunto que não deve mais sair da pauta. E se depender de mim, não sairá, apesar de todo mundo dizer para deixar quieto porque já deu certo. Precisamos estabelecer rigor na entrega desses produtos e precisamos de envolvimento da sociedade. O resultado do debate que nós provocamos é muito melhor do que qualquer resultado prático, policialesco, de coação, ou de regra tributária, vai muito mais além. Não é rejeitar o que a gente tem, mas como a gente pode melhorar ainda mais.

Adjori/ADI - Mas o Moisés vai tomar a frente ou vai segue a intermediação por secretários? Porque essa é a crítica?

Moisés - Os deputados estiveram comigo aqui, da base de governo. Tem 28, 27 deputados, dependendo da pauta. Acho que o governo conversa sim. Quem chega só com críticas, não se sente muito assistido, não acompanha o governo e já se declarou opositor, obviamente que não vai ser tratado como os outros deputados. Se eu tenho um diálogo republicano, razoável, eu prefiro te receber do que alguém que só quer... 'Si hay gobierno, soy contra'. Mais ou menos nessa linha. E isso dói também. . Não a mim, mas a quem está de fora. Os deputados que estão conosco estão muito satisfeitos.






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