caso dos respiradores

Erro foi do Estado em não pedir garantias, diz empresário à CPI

Depoimento de integrante da CGE foi fechado à imprensa

Foto: Rodolfo Espínola / Agência AL

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada na Assembleia Legislativa de SC (Alesc) para apurar a compra dos 200 respiradores da Veigamed ouviu nesta quinta-feira (9) mais dois depoimentos. O primeiro foi do empresário Cauê Lopes Martins; e o segundo foi do integrante da Controladoria-Geral do Estado (CGE), Clóvis Renato Squio, que liderou o processo administrativo da CGE sobre a compra. 

Cauê era participante do grupo de WhatsApp criado para agilizar a compra dos respiradores. Segundo ele, chegou ao processo por intermédio do representante comercial Germano Lincoln, a fim de trazer expertise em importação. Ele atua no ramo de comércio exterior do agronegócio. 

Como nunca comprara equipamentos médicos, indicou o empresário Rafael Wekerlin para o grupo. Wekerlin é representante da empresa Brazilian Trading, de Joinville, e ficou conhecido no processo por deixar a conversa após pedido de comissão. 

"O Germano criou o grupo para tratar de questões logísticas e documentais. Entrou o senhor Samuel [Rodovalho] e trouxe a descrição dos equipamentos. Depois o Samuel pediu comissão para alguém de fora e nós saímos da negociação", disse.

As investigações mostram que, desse grupo, saiu a proposta assinada pela Brazilian Trading, que depois foi substituída pela da Veigamed. A nova proposta era uma cópia da antiga e fora apresentada pelo empresário Fábio Guasti, atualmente preso em Florianópolis. 

A comissão citada por Cauê foi um pedido de Rodovalho. No seu depoimento, Rodovalho disse que a comissão era uma exigência do advogado Cesar Augustus Braga, e que depois ficou sabendo que seria destinada a Guasti. 

"É inadmissível um governo, na altura do campeonato que a gente está, com todas as tecnologias disponíveis e possíveis não fazer a qualificação técnica dessa empresa. É inadmissível haver um negócio desses", disse Cauê, negando participação na sequência do negócio. "Faltou ao Estado pedir garantias... O erro não foi nosso, foi do Estado", complementou. 

 

O segundo depoimento, de Clóvis Renato Squio, foi fechado. Apenas os deputados tiveram acesso. O depoente pediu - e conseguiu - na Justiça um habeas corpus para que o conteúdo não fosse divulgado. 

Squio liderou o processo administrativo da CGE que apontou indícios de crimes de agentes políticos e servidores públicos. O pedido à Justiça tem base no sigilo das investigações da CGE. 


Próximos passos

A CPI chegou à 15ª sessão e já ouviu uma série de testemunhas e investigados. O objetivo do relator, deputado Ivan Naatz (PL), é apresentar o relatório até o final de julho. Para isso, ainda precisa das respostas do governador Carlos Moisés da Silva, cujas perguntas foram enviadas nesta quarta (8)




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