cooperativismo

'Com a crise, o cooperativismo cresce', diz presidente do Sicoob SC/RS

Rui Schneider da Silva diz que cooperativas foram essenciais para socorrer os associados

Nesta quinta-feira (15), comemorou-se o Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito. A data é importante para marcar o trabalho alternativo aos bancos que as cooperativas desempenham. Em especial, em Santa Catarina, um dos berços do cooperativismo.

Desde a aprovação de livre adesão a cooperativas, celebrado na década passada, o setor cresce muito acima da economia nacional. Em um período de pandemia, o crédito facilitado e personalizado ficou ainda mais importante. 

O presidente do Sicoob SC/RS - a principal cooperativa de crédito do Estado -, Rui Schneider da Silva, diz que o trabalho durante o isolamento social não mudou, mantendo-se o foco no associado. Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias, ele falou sobre a data, o problema do crédito, e o futuro das instituições financeiras. 


Rede Catarinense de Notícias - Neste dia 15 de outubro comemora-se o Dia do Cooperativismo de Crédito. Como será essa data para o Sicoob?

Rui Schneider da Silva - O que a gente faz é uma demonstração do que o cooperativismo de crédito está fazendo para a comunidade em geral, onde atua, onde está presente. O dia dá uma ênfase no social porque o cooperativismo de crédito tem uma atuação muito grande em todo o mundo. E no Brasil também temos um corporativismo muito forte. As cooperativas estão crescendo, com aquele atendimento diferenciado. Nós atendemos não um número, mas um nome.

RCN - A época de pandemia revelou um grande problema de crédito no país. Qual papel as cooperativas representaram neste período?

Schneider - Na pandemia, quando o governo pensou em liberar recursos por meio do crédito emergencial, nós já estávamos fazendo nas nossas cooperativas empréstimos a juros menores, mais baixo do que o normal, para atender aqueles associados que precisavam de continuidade dos seus negócios. As cooperativas começaram a criar produtos dentro das suas possibilidades. Só que nós fizemos uma coisa diferente. Nós fomos proativos na busca do associado, conversar com ele, ver a real necessidade dele para poder resolver o seu problema financeiro. Nós sabíamos que a pandemia demora para passar. Não queremos deixar ninguém sem solução.

RCN - Hoje, passamos por uma crise econômica profunda. O Brasil teria melhor desempenho se tivesse um sistema financeiro descentralizado?

Schneider - Não acredito porque o sistema financeiro, em todas as partes do mundo, tem uma leve ou grande concentração de recursos em poucas instituições. E essas instituições trabalham para movimentar os seus recursos e gerar renda para os seus acionistas. E isso não vai mudar nunca. É bem diferente do nosso atendimento. Nós conhecemos o nosso associado. Estamos com ele lá na ponta. O sistema financeiro de um modo geral trabalha com números. Pode dar uma freada momentaneamente, mas quer recuperar lá na frente. Por que os juros são altos? Porque ele tem medo da inadimplência e nós na cooperativa não. Temos as menores taxas. Às vezes a metade do que o banco cobra porque a gente trabalha muito mais na confiança.

RCN - 2020 foi o ano em que o Sicoob atingiu 1 milhão de associados e também teve o trabalho durante a pandemia. Foi um ano diferenciado?

Schneider - Nossa maneira de trabalhar não mudou. Apenas procuramos prestar um pouco mais de atenção na necessidade do associado durante a pandemia. Fizemos reuniões, treinamos e capacitamos os funcionários. No caso da pandemia existe muito medo. Tivemos a tranquilidade para a liberação dos recursos com garantias do Sicoob e do governo. Nossa preocupação é grande, lógico. Mas acho que em março vamos estar em uma situação diferente da atual. Aí sim poderemos dizer que passamos ao largo dessa crise, e vai reforçar o ditado: Quando tiver crise, mais o cooperativismo cresce. Isso aconteceu desde sempre, e vai acontecer por muito tempo.

mais sobre:

Geral Economia Sicoob


logo_rodape.png

Rua Adolfo Melo, 38 - Sala 902 - Centro | Florianópolis-SC | CEP: 88015-090 |
(48) 3298-7979 | jornalismo@adjorisc.com.br