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Avanço do impeachment de Moisés esbarra no empresariado

Setor produtivo teme que disputa política prejudique retomada econômica. Objeto do processo é considerado frágil

Foto: Fábio Queiroz/Agência AL
Presidente da Alesc, Julio Garcia (PSD), deu sinal verde à abertura do processo oficialmente na última quinta-feira (30)

A abertura do processo de impeachment na Assembleia Legislativa de SC (Alesc) contra o governador Carlos Moisés da Silva desagrada parte importante do setor produtivo catarinense. Desconsiderando o mérito do pedido, empresários afirmam que o avanço de uma crise política afetará a estabilidade e pode tirar o foco da retomada econômica.

Logo após o anúncio da abertura do processo, o presidente da Federação das Associações Empresariais de SC (Facisc), Jonny Zulauf, publicou um vídeo em que chama o movimento de "absolutamente inconveniente". Segundo ele, o andamento do pedido pode paralisar o Executivo, que priorizaria a própria defesa.

No mesmo sentido, a Federação do Comércio (Fecomércio/SC) afirmou que deseja rápida resolução para o imbróglio político, e que "não percamos a atenção primordial à saúde e à economia".

Em nota, a Federação das Indústrias (Fiesc), diz que "o processo é democrático e legítimo, contudo dispersa energia" e que "todos os esforços deveriam estar concentrados na saúde e na retomada econômica".

O posicionamento resultou em uma nota publicada pelo Conselho das Federações Empresariais de SC (Cofem) dizendo que "trata-se de um processo democrático, no âmbito das atribuições da Assembleia Legislativa, mas que deve ser avaliado no menor tempo possível, dentro do rito legal, para minimizar os prejuízos à economia do estado". 

Outro ponto avaliado, mas que não aparece oficialmente, é a avaliação da fragilidade política do possível crime de responsabilidade. A base, uma ação de equiparação salarial de procuradores do Estado, é considerada pouco importante e sem apelo entre a população. O movimento seria diferente caso seja comprovado, por exemplo, um envolvimento direto de Moisés na compra fraudulenta dos 200 respiradores da Veigamed. 

A baixa adesão do empresariado ao processo é minimizada por alguns opositores de Moisés na Alesc. "Não é [esse sentimento] que a gente vê nas ruas", afirmou Kennedy Nunes (PSD). Segundo ele, o governo é "um avião que perdeu os trens de pouso", o que impedirá novos voos.

O parlamentar critica o afastamento de Moisés do bolsonarismo e das demandas do povo. Nunes é ferrenho opositor do governo e pediu para não participar da comissão especial que avalia o processo já que sua "posição é conhecida". 

O PSD, liderado por Nunes, firmou posição favorável ao processo. O PSL sinalizou no mesmo sentido. Já outros partidos, como PP, PL, MDB e PT, ainda estão analisando a materialidade do caso.




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