Educação

Professores catarinenses acreditam que novo ensino médio pode aumentar evasão

Governo do Estado reconhece possibilidade, mas não possui resposta para o problema

Foto: Bruno Collaço/Agência AL
Professores participaram de audiência pública na Alesc

Durante audiência pública da Comissão de Educação, Cultura e Desporto (CECD), realizada nesta quinta-feira (12) no plenarinho da Assembleia Legislativa de SC (Alesc), professores catarinenses criticaram o o novo ensino médio apresentado pela Secretaria de Estado da Educação (SED). Segundo a categoria, o novo modelo pode ocasionar no crescimento da evasão escolar no Estado.

"Sem politica econômica decente tudo isso é ilusão. Em Itajaí tem um projeto de ensino integral com alunos pobres, mas as famílias precisam que trabalhem. A quantidade de alunos diminuiu e de duas turmas de 30, estamos terminando com uma de 20 alunos", relatou Tiago Mazzetti, professor de Sociologia em Itajaí.

A presidente da Comissão de Educação da Alesc, Luciane Carminatti (PT) concordou com o diagnóstico da evasão e sugeriu bolsas de estudos para manter o aluno que precisa trabalhar em sala de aula. "Por favor, se preocupem com evasão, não vejo saída para enfrentar a evasão se não tiver bolsa. Com a bolsa amplia a carga horária e põe o trabalhador para dentro da escola", defendeu.

A gerente de Ensino Médio e Profissional da SED, Maria Tereza Paulo Hermes Cobra, reconheceu a possibilidade de abandono escolar por causa da ampliação da carga horária, mas admitiu que não tem uma resposta para o problema.

"Se pensou em bolsa, mas não tenho resposta. De fato precisa olhar a juventude no contexto econômico, com jornada ampliada é preciso que tenha um mecanismo para oferecer aos alunos. O índice de evasão não é por conta da metodologia, os estudantes abandonam pela dificuldade de permanecer em tempo integral. A escola de Itajaí poderá rever sua matriz para voltar a atender a comunidade", afirmou.

Em 2020, o novo ensino médio será implementado em 120 das 713 escolas catarinenses, com três modelos diferentes. O primeiro é composto por turno único de seis horas diárias, com um dia de sete horas e almoço, ou de cinco horas semanais com um dia de dez horas. O segundo contempla jornada de 35 horas-aula, com dois dias de tempo integral e o terceiro possui tempo integral com 50 horas semanais, sendo quatro dias com 11 horas.

O professor de São José, Ricardo Cunha, também demonstrou preocupação com os estudantes que precisam trabalhar para ajudar a família. "E os alunos que trabalham? Aumentou carga horária, maravilhoso, mas onde eles vão estudar? Esses jovens que estão trabalhando, para onde vão, para o Ceja? Não vejo inclusão. A escola Dom Jaime, no Sul da Ilha, na capital, virou piada, só o filho da diretora não saiu", questionou. 







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