controle de gastos

Apenas 11% dos brasileiros conseguem lidar com despesas inesperadas

13 Abril 2018 15:16:00

Dado é revelado na pesquisa 'Indicador de bem-estar financeiro', do SPC Brasil

Viver com bem-estar financeiro não é só ter dinheiro sobrando no bolso. Também envolve assegurar o futuro, aproveitar o presente e poder lidar com imprevistos. Desde julho de 2017, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) com o apoio de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), apuram o Indicador de Bem-Estar Financeiro dos brasileiros. De acordo com os dados, 66% dos consumidores afirmam não estarem preparados para lidar com imprevistos e apenas 11% disseram ter a capacidade de lidar com despesas inesperadas, percentual que cai para 7% entre a população com idade entre 18 e 34 anos e sobe para 22% nas classes A e B. 

A proteção contra imprevistos é um dos quatro pilares que sustentam o indicador, ao lado do controle sobre as finanças, compromisso com os objetivos financeiros e a liberdade para fazer escolhas que lhe permitam aproveitar a vida.

O nível de bem-estar financeiro de cada consumidor varia de acordo com respostas dadas em dez questões que avaliam os hábitos, costumes e experiências com uso do dinheiro. Numa escala que varia de zero a 100, quanto mais próximo de 100, maior o nível médio de bem-estar financeiro da população; quanto mais distante de 100, menor o nível.

Em março de 2018, o indicador marcou 48,0 pontos. O resultado não se distanciou da média dos últimos meses (47,6 pontos). "A evolução do indicador é algo que depende não só da consolidação da melhora do cenário econômico, mas também de mudanças de hábitos dos consumidores em relação às suas decisões financeiras", explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

A abertura dos dados por gênero mostra que, entre os homens, o nível médio de bem-estar financeiro foi maior (49,4 pontos) do que entre as mulheres (46,6). Consumidores mais jovens também mostram um nível de bem-estar financeiro menor, na comparação com os consumidores mais velhos: na faixa etária superior aos 50 anos, o indicador pontuou 50,3; já na faixa de 18 a 34 anos, marcou 46,2.

Na avaliação da economista, o fato de, na média, os jovens da atualidade ingressarem um pouco mais tarde no mercado de trabalho posterga o ganho de renda própria e, consequentemente, a possibilidade de se preparar financeiramente para o futuro. Mesmo entre aqueles jovens que já trabalham, no início de carreira a renda tende a ser menor e o futuro pode parecer distante, o que leva à priorização de outros objetivos, como estudo, carro, viagens, financiamento da casa, em detrimento da aposentadoria.

Entre os consumidores pertencentes às classes A e B, a pontuação média foi de 53,1, superior aos 46,5 pontos das classes C, D e E. Já entre os consumidores que declararam estar no vermelho, isto é, sem conseguir pagar todas as contas no momento da sondagem, a pontuação média do indicador foi de 44,1, abaixo da média nacional. Para aqueles que disseram estar no azul, a média foi de 55,4 pontos.

Controle das finanças

Outro ponto pesquisado no indicador é o controle das próprias finanças: A preocupação com o dinheiro acabar atinge cerca de 28% dos consumidores.

No geral, 42% nunca ou raramente deixam a desejar no cuidado com as finanças. Por fim, a sensação de que a situação financeira controla a própria vida acompanha 31% dos consumidores. O educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, explica que para mudar esta situação, é importante que a pessoa 'assuma as rédeas' de seu orçamento. Com planejamento e organização financeira, é possível honrar os compromissos financeiros e garantir a realização de sonhos, lidar com imprevistos e aproveitar a vida dentro de suas possibilidades, diz ele.

Junto ao Indicador de Bem-Estar Financeiro, o SPC Brasil também lançou o aplicativo SPC Consumidor, onde os consumidores podem fazer o cálculo do seu próprio bem-estar financeiro e comparar com a média nacional. O app está disponível para usuários Android e IOS.

Metodologia

O Indicador baseia-se num modelo de score desenvolvido pelo Consumer Financial Protection Bureau (CFPB), órgão americano de proteção ao consumidor, que tem como objetivo medir, periodicamente, o nível de bem-estar financeiro da população. A mensuração é feita por meio de entrevistas aplicadas periodicamente a uma amostra representativa dos brasileiros, com um questionário composto de dez questões.

De acordo com suas respostas, os entrevistados recebem uma nota, que pode variar entre zero e 100. Quanto mais próximo de 100, maior será o nível de bem-estar financeiro; quanto mais próximo de zero, menor o nível de bem-estar. O Indicador é obtido pela média dos scores da amostra.

Baixe a análise do Indicador de Bem-Estar Financeiro no link:  https://www.spcbrasil.org.br/imprensa/indices-economicos 




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