entrevista

'Queremos que o CREA/SC se torne uma entidade protagonista', diz Kita

Foto: Divulgação

Recém-empossado para mais um mandato à frente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (CREA/SC), Carlos Alberto Kita Xavier faz planos para os próximos três anos. 

Segundo ele, o foco será a contratação de mais fiscais e auxílio da tecnologia para prestação de serviços. Além disso, promete apoiar o CREA Júnior e a realização da chamada engenharia pública. 

Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias, ele falou sobre esses e outros assuntos. Confira: 


Rede Catarinense de Notícias - Como será o início do trabalho à frente do CREA/SC?

Carlos Alberto Kita Xavier - Nós temos grande propostas, esperamos que essa pandemia chegue ao final e que a gente encontre a vacina para que possamos entrar num ritmo de normalidade no setor.


RCN - Quais as prioridades para a gestão em 2021? 

Kita - Queremos que o CREA se torne novamente uma entidade protagonista. Nós tivemos algumas brigas internas, entre algumas categorias, então a gente precisa resgatar a nossa credibilidade perante a sociedade, ocupar os espaços junto à prefeituras, a órgãos públicos. Queremos participar ativamente, como uma entidade de apoio técnico, participar de comissões, comitês de gerenciamento de todas as áreas, estar discutindo ativamente planos diretores. Agora com essa onda de cidades inteligentes, temos muito que colaborar. Quero também investir na engenharia pública gratuita. Nós temos o Engenheiros Sem Fronteiras, que estão fazendo um trabalho fantástico, que iniciou em Joinville e tem um núcleo em Florianópolis. Mas também queremos os profissionais possam doar um pouco do seu tempo para contribuir com as famílias de baixa renda, então acho importante fazer este trabalho social. E logicamente precisamos ter a renovação, por incrível que pareça estou indo para o terceiro mandato, mas vou investir muito no nosso programa CREA Júnior para formação de novas lideranças, para que eles também conheçam nossa legislação e questões éticas e profissionais.


RCN - O senhor já comandou o CREA/SC por dois mandatos. Tem alguma coisa que o senhor pretende fazer agora que não conseguiu antes?

Kita - Sim, nós fizemos um trabalho de aproximação com os órgãos públicos e defendemos algumas bandeiras que pretendemos voltar. Digo isso porque a gente modernizou o CREA/SC, tanto que ele foi considerado o melhor CREA do Brasil. Na época recebemos do Confea o certificado afirmando que fomos os únicos a cumprir todas metas. Investimos muito em tecnologia e vamos voltar a investir. Nós passamos naquele momento uma nova filosofia para nossa fiscalização, mais orientativa. Eu sempre falo que ela deve ser consultiva. O objetivo do CREA não é multar o proprietário, é verificar se possui um profissional legalmente habilitado à frente de obras e serviços. Então nossa ideia era que a obra fosse regularizada por intermédio de um profissional do nosso Sistema. Não queríamos chegar a essa finalidade de irregularizar uma obra através de uma multa, e sim, com a contratação de quem detém o conhecimento para regularizar a situação. Junto com diversos outros órgãos fizemos vários convênios, nos aproximamos dos órgãos públicos para justamente trabalhar nessa conscientização.


RCN - O senhor pretende continuar realizando as fiscalizações de impacto durante a pandemia?

Kita - Todos os protocolos de segurança foram tomados. Estamos agindo dentro dos decretos. Muitos dos nossos colaboradores estão em home office, a gente sabe que a fiscalização efetiva nesse trabalho do dia a dia ficou um pouco prejudicada. Hoje temos uma deficiência de fiscais. O objetivo é fazer um concurso público para contratar novos profissionais, para que a gente possa cobrir o Estado inteiro. Hoje estamos presente em 30 cidades, e em alguns locais com postos de atendimento. Mas nessas 30 cidades que tem uma sede do CREA/SC, a ideia é ter pelo menos um fiscal ativo, hoje nem todas têm.


RCN - Quantos fiscais seriam contratados neste concurso?

Kita - Eu teria que fazer esse levantamento, mas a gente pretende fazer um plano de demissão voluntária, até porque a gente tem pessoas de mais idade que com a pandemia estão repensando suas profissões. Mas queremos contratar pelo menos 20 fiscais para o ano que vem. Lógico que depende de um estudo técnico e econômico. Temos que verificar as cidades que possuem essa necessidade e também aos profissionais que vão aderir a esse plano de demissão.


RCN - O setor de construção teve um resultado importante no segundo semestre de 2020. O senhor acredita que essa alta possa influenciar nas atividades do Conselho?

Kita - Sim, nossas atividades ficaram de certa forma paradas no começo da pandemia, mas com incentivo do governo, com novas linhas de crédito aliadas a juros baixos, as pessoas começaram a investir novamente na construção civil. Esse setor realmente está aquecido. Temos alguns problemas de falta de materiais por conta do dólar alto, com as empresas prestigiando as exportações, mas o nosso mercado está aquecido e está retomando. Estive acompanhando os números pelo nosso sistema através das ARTs, e cada uma delas significa uma obra, um serviço do nosso setor, que teve uma ligeira queda mas já esta num crescente novamente, então o pessoal está realmente investindo. Uma das questões que queremos implementar na nova gestão com nosso BI é que a gente tenha esse documento todo tratado para que se mostre para a sociedade onde estão acontecendo as obras, em que setores isso está acontecendo. O agronegócio não caiu em nenhum momento, teve uma produção muito grande, e acabou segurando a economia brasileira, fruto da agronomia que é um setor forte.


RCN - O volume de ARTs de 2020 vai superar o de 2019?

Kita - Não. Eu não tenho os números oficiais, mas a gente vinha mantendo o número entorno de 300 mil ARTs nos últimos três anos, vínhamos nessa crescente. Quando eu assumi o CREA/SC tínhamos ai, na média, 220 mil ARTs lá em 2012, e chegamos a 320 mil, enquanto o Brasil estava em uma queda. Santa Catarina tem um povo diferente, que gosta de trabalhar certinho, regularizar essas obras e procurar uma orientação técnica. E nós temos essa fiscalização orientativa, então o pessoal buscou a ART. Eu me orgulho muito que nos meus seis anos de mandato o número de multas caiu ano a ano. Isso significa que o Conselho passou a ser orientativo e ao contrário do Brasil, que o número de anotações estava diminuindo, número de ARTs diminuiu. Já o número de multas no Brasil aumenta e em SC diminuiu.


RCN - Quando o senhor estava no comando do CREA/SC o Conselho ainda contava com os técnicos agrícolas...

Kita - São os desafios que a gente encontra. Lá em 2012, quando eu assumi, os arquitetos saíram do sistema e isso teve um impacto violento nos recursos do CREA. Naquela oportunidade foi 16%, isso por força de lei. No ano retrasado os técnicos industriais saíram e agora os técnicos agrícolas. Todos eles formaram seus conselhos próprios, por força de lei, e reduzem a arrecadação do CREA. Mas, a gente manteve um índice muito bom das nossas ARTs, mesmo com a saída dos técnicos, que são profissionais que estão buscando através de sua entidade outros mercados. Eu digo que não são concorrentes, nós somos colegas de profissão, colaboramos um com o outro, nós nos complementamos.




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