Entrevista da Semana

'Os custos aumentaram e precisamos de mais apoio do governo federal'

Em entrevista, presidente da Fehosc, comentou sobre o panorama do Estado, repasses do Governo e a situação dos profissionais de saúde

Na linha de frente do combate ao Coronavírus, as condições dos profissionais de saúde e de estrutura dos hospitais são de fundamental importância para diminuir os impactos da Covid-19. 

Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias, o presidente da Federação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas do Estado de Santa Catarina (Fehosc), Hilário Dalmann, comentou sobre o panorama do Estado, repasses do Governo e a situação dos profissionais de saúde.


Rede Catarinense de Notícias - Nos últimos dias tem sido feita uma corrida para melhorar a estrutura de saúde. Qual é a avaliação geral sobre o cenário atual?

Hilário Dalmann - Na minha visão, eles estão enxergando a importância da saúde, não só dos hospitais filantrópicos. Os governantes estão se mexendo, tem que ser feito alguma coisa. Eu acredito que o governo está fazendo a parte, devagar, mas está fazendo sim. Algumas coisas ainda têm que ser ajustadas, mas se encaminhando, pelo menos. 


RCN - O que precisa ser ajustado?

Dalmann - Acho que poderia ser melhor a parte do governo federal que é melhorar o valor de remuneração da UTI, embora que deve ser publicando uma portaria ainda hoje [6] para sair de R$ 800 para R$ 1,6 mil o custo. Estamos esperando que seja pago pelo menos o custo que os hospitais tem, porque os gastos com o Coronavírus aumentou muito. Principalmente com material descartável. A gente espera que o governo libere recursos neste sentido também para auxiliar os hospitais filantrópicos para poder passar esse momento difícil. Eles já perderam com cirurgias eletivas, não só do SUS, mas particular e de convênios e isso causa grande prejuízo.


RCN - O governo fez o anúncio de que ia pagar o teto para cada hospital...

Dalmann - Já tem um plano do governo anunciado no ano passado. Ele realmente fez, anunciou essa semana que vai aumentar esses valores. Isso com certeza vai ajudar bastante. Isso foi positivo do governo do Estado, mas também precisamos do governo federal. 


RCN - Muito se fala de ganhar tempo para o sistema de saúde. Houve melhora na estrutura nesses dias?

Dalmann - A gente não sabe o que vem pela frente. Só se for muito, muito pior do que a gente espera. Mas, se não, os hospitais estão preparados. A gente também não sabe a quantidade de pessoas que vão ser afetadas. Da maneira que está indo, acredito que a estrutura é suficiente e que nós conseguiremos atingir a demanda do Estado e dos municípios. 


RCN - O senhor tem conversado com os diretores dos outros hospitais? Qual o sentimento?

Dalmann - Todo mundo preocupado com a vida financeira e em salvar vidas e com certeza todos estão preparados para atender a população. Todos os hospitais filantrópicos estão preparados para atender a população. Como sempre fizeram, porque 70% da população sempre foi atendida pelos hospitais filantrópicos e neste momento não vai ser diferente. Vão atender e não vão deixar a população na mão. 



RCN - Alguma mudança de gestão, como contratação de profissionais?

Dalmann - Contratar neste momento é quase impossível e o afastamento de profissionais é que traz maior preocupação porque isso sim pode afetar o atendimento. As vezes não é falta de equipamento, mas o atendimento em si, caso continue o numero de afastamentos muito alto. Mas por enquanto ainda está normal.


RCN - Mas tem afastamentos?

Dalmann - Com certeza. Todos já tiveram, mas é por ordem de quem tem risco, gestante, sempre tem afastamento. 


RCN - O que o senhor espera para os próximos meses?

Dalmann - Eu espero que o governo olhe por esses hospitais que possam atender a população. Se não tiver uma injeção financeira, fica muito difícil. Talvez tenhamos que contratar pessoas. Nosso grande problema ainda é o transporte aos hospitais. A dificuldade dos profissionais de chegar e com isso também tem o aumento de custo para eles. 

 

 



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