poder

Não há dúvidas de que é uma fraude, diz Ivan Naatz

Relator da CPI dos respiradores disse que 'não vai passar a mão na cabeça de ninguém'

Foto: Rodolfo Espínola/Agência AL

O deputado Ivan Naatz (PL), relator da CPI dos respiradores, disse que pretende entregar o relatório da Comissão em até 60 dias. Para ele, está caracterizado que houve uma fraude na compra dos equipamentos e é preciso identificar quem "apertou o botão" e quem "tinha a possibilidade de fazer alguma coisa e não fez". 

Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias, Naatz disse que a primeira ação é conhecer os procedimentos padrão da Secretaria de Saúde. Também falou sobre a saída do secretário Helton de Souza Zeferino, do apoio de órgãos externos e o os caminhos da CPI



Rede Catarinense de Notícias - Quais são os próximos passos para a CPI a partir de agora? O que tem no planejamento?

Ivan Naatz - O objetivo agora é fazer uma investigação rápida. Vamos usar os instrumentos que a gente já tem em paralelo que é o Tribunal de Contas, para avaliar a parte técnica, a Gaeco [Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, da Polícia Civil] identificando as relações criminais, e o setores internos do governo que estão em procedimento de sindicância. Com três frentes de trabalho vai ficar mais fácil para a CPI identificar as pessoas que participaram desta fraude. Não há dúvidas de que é uma fraude. Uma fraude está caracterizada. Agora, eu tenho pretendo implementar na CPI uma investigação que a gente chama no direito criminal de efeito caracol, ou seja, dos menos importantes para os mais importantes. Primeiro para compreender o processo dentro da Secretaria, como funcionou no governo passado, e onde houve falha. E depois os setores que deveriam fazer a fiscalização e não acompanharam processo, porque as controladorias falharam. E, por fim, quem foram os responsáveis por apertar o botão. Quem foi o responsável pela transferência do dinheiro. 


RCN - O senhor acredita que o depoimento mais importante para a CPI seja do secretário Helton? Ou do secretário Tasca? 

Naatz - Acho que na verdade é o cruzamento de informações. Os réus têm direito de ficar calados, têm direitos de mentir, têm direito de negar. Acho que o que a gente tem que buscar são as evidências. Ninguém vai chegar na CPI e dizer 'eu roubei, eu favoreci'. As pessoas vão se defender, ou mentindo ou acusando o outro. Nós vamos precisar fazer um trabalho de cruzamento de informações. E trabalhar também na questão omissiva. Quem tinha a possibilidade de fazer alguma coisa e não fez. 


RCN - O senhor falou em terminar cedo as investigações por causa da importância do tema. Para quando planeja entregar o relatório?

Naatz - Como tem outras frentes trabalhando na investigação, a imprensa está tendo um papel fundamental. Está ajudando bastante. Eu acredito que em 60 dias, mais tardar, um pouquinho mais do que isso para ter o relatório concluído. E se nós identificarmos a participação, mesmo que omissiva, de qualquer pessoa, a Assembleia vai responsabilizar. Pode ter certeza. Eu não vou passar a mão na cabeça de ninguém. 


RCN - A saída do secretário ajuda na investigação? Que tipo de efeito tem na CPI?

Naatz - Eu acredito que o secretário Helton não pediu demissão. Eu acredito que ele foi catapultado. Por que? Porque o Ministério Público tinha ajuizado uma ação pedindo o afastamento dele da Secretaria. Esse processo estava na mão do juiz para despachar. O governo teve conhecimento dessa situação. Se ele [Moisés] não afasta, o poder Judiciário afasta. Tua pergunta é se mudou alguma coisa, né? Em nada. Acho que a saída do secretário Helton teria que acontecer. Se não fosse pelo governador seria ou pela Assembleia ou pelo poder Judiciário. Acho que a saída dele só visa a gente esclarecer o que de fato aconteceu. 

 

 




logo_rodape.png

Rua Adolfo Melo, 38 - Sala 902 - Centro | Florianópolis-SC | CEP: 88015-090 |
(48) 3298-7979 | jornalismo@adjorisc.com.br