ENTREVISTA DA SEMANA

'Estamos fazendo uma política comercial de facilitar os pagamentos e evitar inadimplência', diz Juarez Lippi

Em entrevista, diretor da SCGÁS comentou sobre novo contrato de suprimento, a crise causada pelo Coronavírus na distribuição e mudanças nos planos de investimento

Foto: Julio Cavalheiro/Secom

No último dia 20 de março, a Companhia de Gás de Santa Catarina (SCGÁS), assinou com a Petrobras um novo contrato de suprimento de gás natural. A assinatura é um marco para a empresa: foi sua primeira transição contratual da história.

A assinatura traz algumas mudanças para o mercado energético catarinense. As principais delas ocorrem a longo prazo, especialmente porque o monopólio de suprimento da Petrobras foi quebrado e este movimento agrada os empresários. A expectativa é de que, com o mercado aberto, o preço seja mais competitivo. 

O plano da Companhia é seguir buscando fornecedores com novas contratações para iniciar atividades em 2022. 

Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias, o assessor de segurança e membro do comitê que coordenada a chamada pública da SCGÁS, Juarez Lippi, comentou sobre novo contrato de suprimento, a crise causada pelo Coronavírus na distribuição do gás natural, e as mudanças nos planos de investimento da empresa.


Rede Catarinense de Notícias - Após 20 anos, a SCGÁS tem um novo contrato de suprimento. Qual a importância que o senhor atribui a essa assinatura?

Juarez Lippi -  O contrato foi assinado em 20 de março e passou a valer do dia 22. De cara, ele trouxe a oportunidade da gente estar negociando em função desse momento em que o país está vivendo. Usamos um fator que a cada trimestre irá aumentar um pouco o valor, desde o atual até o valor do começo do contrato. Isso foi um ganho muito importante para nós. Outro ganho foi facilitar o pagamento da última fatura do contrato antigo e das duas faturas novas do contrato novo porque a gente passou por um impacto muito grande de mercado. Houve uma retração, por consequência uma diminuição da receita e uma dificuldade no pagamento.


RCN - Qual o impacto da assinatura para o mercado?

Lippi - A SCGÁS foi uma das primeiras a assinar. Com isso, vai dar margem para a gente poder contratar novos supridores ou mesmo estar abrindo para novos modais de fornecimento. Os novos players vão poder ainda estar negociando conosco à medida em que a gente avança nessa nova fase de suprimento e à medida que o mercado também amadurece, porque ainda falta, em termos de regulação do sistema, acesso à infraestrutura.


RCN - Qual a duração deste contrato?

Lippi - Ele é um contrato de quatro anos com dois anos de fornecimento cheio e mais dois anos de rampdown, que significa que vai diminuir o volume fornecido nos dois últimos anos do contrato.


RCN - E a nova chamada pública já começa este ano?

Lippi - Ela começaria desde agora, mas ela seria para 2022, 2023 em diante, que é quando começa o rampdown desse contrato. E um volume menor e com a possibilidade de estar contratando outros e em simultaneidade estar absorvendo esse fornecimento.


RCN - A SCGÁS já tem dados sobre a queda de distribuição com a crise do novo Coronavírus?

Lippi - Nós temos cinco nichos comerciais, que é industrial, GNV comercial, residencial e cogeração de energia elétrica. Uma média dos cinco mercados está se mostrando com um decréscimo de volume de 40%. Isso tem um impacto muito grande na receita da Companhia. Com isso, a gente teve que ter uma série de medidas de ajuste de caixa para poder absorver essa redução no volume de vendas. Tivemos que ajustar também este contrato, que recém iniciamos.


RCN - Isso inclui o cronograma de investimentos? Essa queda de receita vai ter uma influência sobre eles?

Lippi - Sem dúvida, porque na verdade esse impacto se dá muito mais na empresa agora em 2020 e alguma coisa em 21. Não vai significar uma desistência, uma alteração do plano de investimento, mas ele vai influenciar na velocidade da aplicação desse plano. A gente não vai deixar de fazer nenhum dos projetos, mas a velocidade inicial vai ser comprometida em função dessa receita menor que a empresa vai ter.


RCN - Essa queda de distribuição tem relação com a crise econômica provocada pelo vírus. Que papel o novo contrato pode desempenhar na retomada econômica?

Lippi - Eu acho que está acontecendo um efeito em cadeia que tanto os nossos clientes como nós estão pedindo flexibilização do contrato. Nós temos alguns itens contratuais como pakeourpay que prevê quantidades mínimas. Se a gente não consumir, não vender aquela quantidade de gás, pagamos igual. Esse é um dos alvos da flexibilização. Assim como a gente também está concedendo a alguns clientes facilitações, também iremos pleitear essas facilitações. Esse contrato é mais flexível que o anterior em termos de itens contratuais.  


RCN - Quais são as flexibilizações para os consumidores de gás?

Lippi - Fracionamento dos pagamentos das contas, por exemplo. Isso aí escalonado por mercado. O mercado industrial foi dividido em frações de consumo médio das empresas. Então, cada uma dessas frações têm um tipo de negociação. Na verdade o que nós estamos fazendo é uma política comercial de facilitar os pagamentos e evitar inadimplência.


RCN - O preço do petróleo caiu nos últimos meses. Isso atinge de alguma maneira a Companhia?

Lippi - O que aconteceu foi uma compensação porque os contratos são baseados no petróleo. Esse preço caiu, porém o dólar subiu. Nosso gás hoje ainda é predominantemente importado e o preço dele é em dólar. Como o dólar subiu, houve um equilíbrio. Nós continuamos tendo o preço mais barato do Brasil. 


RCN -Como está o trabalho durante o isolamento?

Lippi - Nós, em momento nenhum deixamos de fornecer o gás natural e nem perdemos nossa operacionalidade. Não houve falha nenhuma na distribuição e aprendemos a trabalhar dentro da crise. A crise também pode ser olhada por um outro aspecto, trazendo coisas boas, de aprimoramento. A visão é sempre negativa quando se fala dos números, mas eu queria trazer essa visão positiva porque a empresa deu continuidade à sua função.



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