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Entrevista: 'O grande foco é a infraestrutura', diz Sérgio Rodrigues Alves

Foto: Graziella Itamaro

Na última semana, a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) elegeu Sérgio Rodrigues Alves como novo presidente da entidade. Ao longo de sua trajetória, o empresário joinvilense já ocupou o cargo de presidente da Associação Empresarial de Joinville (Acij), da Celesc, da Câmara de Assuntos Tributários da Federação das Indústrias de SC (Fiesc), foi secretário de Estado da Fazenda, e vice-presidente da Facisc para região Norte. A posse ainda não tem data marcada. 

Segundo ele, o Programa Voz Única - que é um documento de demandas e anseios dos empresários - será uma grande ferramenta na mão dos futuros prefeitos. Após 2018, o documento virou uma referência ao governo Carlos Moisés da Silva.  

Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias, Alves comentou sobre as prioridades da gestão, o momento atual da economia e da política, e sobre os questionamentos ao processo eleitoral da Facisc, que é contestado pela oposição.


Rede Catarinense de Notícias - O senhor assume em meio a um período eleitoral, em que a Facisc está estendendo a metodologia do Programa Voz Única para os municípios. Como é que vai ser esse primeiro momento à frente da entidade?

Sérgio Rodrigues Alves - Assumir a Facisc é um grande desafio para qualquer um. A Facisc é uma entidade extremamente representativa. Atua em 148 municípios do nosso Estado: 50%. O Voz Única é um programa que eu reputo de muita excelência em termos de apelo que os municípios têm a oportunidade de fazer. É um desafio mantermos o nível desse Voz Única. Naturalmente que isso sempre vem ao encontro do maior desafio que é a satisfação de todos os associados. A gente está aí para ajudar o associado e fortalecer o associativismo.


RCN - O Voz Única de 2018 apontou a necessidade de infraestrutura. Agora, o que seria o principal para as prefeituras?

Alves - Quando eu fui presidente da Celesc eu tive a oportunidade de correr todo o Estado e vi quais eram as necessidades regionais. Poderia afirmar que 80%, ou até mais, é voltado à falta de infraestrutura, municipal, estadual e federal. Pelo meu sentimento, vai ser novamente fortalecido pela importância de investimentos na área de infraestrutura. Eu tenho certeza de que os novos prefeitos vão ter uma cartilha muito boa na sua mão. Claro que existem outros [temas], na parte educacional, da saúde, ambiental, segurança. Mas sem dúvida o grande foco é a infraestrutura.


RCN - A infraestrutura demanda capacidade de investimento do Estado, que enfrentou uma crise severa. Com o senhor avalia a retomada econômica?

Alves - Eu estou bastante surpreso com a retomada que está acontecendo. Hoje, eu escuto empresários dizendo que já estão com a carteira de pedidos fechada até dezembro. Outros dizem "demiti 80, 90, recontratei 120"; "não consigo entregar meus produtos porque me falta embalagem". A retomada é bem surpreendente e positiva. Eu só espero que não seja um voo de galinha, porque no Brasil é complicado fazer planejamento. Claro que os recursos são escassos. É uma pena que não existem mais recursos para investimentos nesta área, mas é uma questão de tempo. Acho que nós vamos superar. Tem um fator que devemos considerar é que o governo precisa enxugar a máquina para sobrar um pouco mais de dinheiro, porque hoje em dia o que se arrecada praticamente vai para pagar folha e encargos do governo.


RCN - Falando em enxugar a máquina, existem diversas propostas de reformas tributárias. Qual agrada mais?

Alves - Quando eu fui secretário da Fazenda eu tive o prazer de fazer parte de um grupo de estudo da reforma tributária. Hoje, eu posso dizer e garantir que estamos, no mínimo, uns 10 anos atrasados numa reforma necessária nesta área. O setor produtivo não aguenta mais a quantidade de encargos e obrigações decorrentes da falta de uma reforma. Existem duas propostas, a PEC 45, que engloba todos os tributos e existe a do governo, que é a Contribuição sobre Bens e Serviços, que não contempla todos os impostos, mas faz um enxugamento do PIS e da Cofins, e abre uma porteira para uma reforma maior. Eu acho que no mínimo a gente tem que partir com essa porque é de aplicação imediata. Em seis meses já há compensação. E não só a tributária, mas a reforma administrativa, já houve a da Previdência. Existe um momento positivo para retomada dessas discussões.


RCN - Existem alguns conflitos na área econômica. Se fala numa possível saída do ministro Paulo Guedes e entrada de Rogério Marinho, que tem outro perfil. Como o senhor vê essa disputa?

Alves - Eu vejo assim: o fogo amigo é um problema. Esses comentários de substituição de ministro, Paulo Guedes por Rogério Marinho, eu particularmente conheço muito bem Rogério Marinho, sei da competência dele. Não acho que esse seria o momento para uma discussão dessa. Meu sentimento é de que isso não acontece. Não vai acontecer, por mais que existem interesses que fogem à nossa compreensão. A verdade é que o governo precisa fazer essas reformas, precisa ter uma união centrada com relação a investimentos, a recursos para estados e municípios.


RCN - O Estado está passando por um processo de impeachment. A Facisc chegou a sinalizar que seria contrária ao processo. O senhor assina embaixo?

Alves - Para mim, não é nenhuma surpresa esse momento que está acontecendo. Se você for resgatar o que acontecia em fevereiro, março, do ano passado, os empresários estavam apavorados porque o governo queria cortar todos os incentivos, e uma série de outras razões para estar se discutindo impeachment. Meu sentimento, com muita sinceridade, acho que não vai acontecer impeachment nenhum. Primeiro, porque o fato gerador é sem substância, muito fraco, no meu ponto de vista, na minha modesta visão sobre a situação. Segundo porque nunca é bom para um Estado passar por um processo de impeachment. Felizmente a nossa economia é bem resolvida, e não depende do governo. O que depende é de investimentos em área de infraestrutura. Isso afeta de forma até indireta. Nunca é bom um processo de impeachment. Eu torço para que isso não aconteça e acredito que não vá ocorrer.


RCN - A eleição da Facisc teve um movimento de oposição contestando o processo eleitoral. Como o senhor viu essa ação?

Alves - Desnecessário. Sem o espírito associativo. Você acaba criando algumas situações não favoráveis para o associativismo. Mas é um processo democrático, um direito que cada um tem de fazer isso. A verdade é que eu registrei a minha chapa, o outro movimento não registrou a chapa. Não tem o que reclamar. Nós temos um estatuto que foi cumprido. Se foi cumprido para eu conseguir registrar a minha chapa, porque não poderia ser para eles registrarem a chapa deles? Não adianta agora que passou ficar chorando sobre isso. A verdade é que eu obtive quase 80% dos votos das associações, uma vitória inquestionável e eu não tinha dúvida disso. Procurei desde o início fazer uma composição. Não quiseram. É uma forma de cada um ver. Passado tudo isso nós vamos recompor e eu sempre vou estar aberto a conversar e manter o espírito associativo, que é a união de esforços.


RCN - Quais serão as prioridades da gestão?

Alves - Desde o início da minha caminhada para a presidência eu elenquei cinco pontos primordiais para fazermos uma nova gestão. Esses cinco pontos são integração, representatividade, soluções, capacitação e tecnologia. Dentro da composição da diretoria, tenho 46 diretores, ex-presidentes, empresários. Nós estamos bem conscientes da importância de fazermos esse trabalho em conjunto, com as ideias e sugestões das entidades. Esse planejamento, essa execução, é em função do associado. Então é para ele que nós vamos fazer isso. Eu tenho a absoluta certeza de que nós vamos conseguir desenvolver uma boa gestão entre 2021-2023. Tem um slogan novo que eu venho falando desde o inicio que é uma 'Facisc que é de todos e é para todos'.  




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