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Entrevista: Novo presidente da Fecam fala sobre imagem arranhada e diálogo com o Executivo

Paulo Weiss comentou prisão do antigo mandatário, desafios da Covid e relação com o Executivo estadual

Foto: Divulgação

Com a prisão e renúncia do prefeito de Major Vieira, Orildo Antônio Severgnini (MDB), da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), o cargo caiu nas mãos de Paulo Roberto Weiss (PT), prefeito de Rodeio. Weiss entrou na chapa como 2º vice-presidente em janeiro, subiu para 1º vice-presidente com a saída de Saulo Sperotto (PSDB), de Caçador, e agora chega ao posto máximo do municipalismo catarinense. 

O mandato é curto, até dezembro, mas terá pela frente o combate à pandemia de Covid-19 e as eleições municipais, em dezembro. Além disso, existe a missão de retomar o prestígio da Fecam após o que ele chama de "imagem arranhada".

A posse oficial acontecerá na próxima segunda-feira (17). Para o dia seguinte, já tem reunião marcada com o secretário de Estado da Casa Civil, Juliano Chiodelli. O novo presidente busca ainda audiências com o governador Carlos Moisés da Silva, com o Tribunal de Contas do Estado (TCE), e o Ministério Público (MPSC). 


Rede Catarinense de Notícias: Como foram os primeiros momentos como presidente da Fecam? 

Paulo Weiss - O ato de posse será somente na segunda, mas a gente já fez uma reunião com o conselho executivo, o conselho fiscal, e o conselho político falando do fato acontecido com o então presidente. E colocando isso de uma forma muito transparente sobre o momento e dizendo que a Fecam é soberana e que o trabalho vai continuar.


RCN - Qual é o sentimento entre os prefeitos após a prisão de Severgnini?

Weiss - Logicamente sempre fica uma imagem ruim, ainda mais quando se trata de uma prisão no exercício do mandato. Não vou dizer que não causa constrangimento para toda a classe. E ocupando um cargo de representante de todos os prefeitos. Mas isso tem que ser feito como uma forma de respeito aos poderes também. Ele terá direito à defesa e de se manifestar. A imagem fica arranhada, mas a instituição é soberana e vai conseguir com muita capacidade e discernimento superar esse desafio.


RCN - As prefeituras têm enfrentado um problema gigante com o avanço da Covid-19. O que será prioridade para ajudar as prefeituras neste sentido? 

Weiss - Nós temos que estreitar a relação com o governo do Estado e o governo do Estado voltar a ser protagonista. Eu acho que os municípios e o Estado não podem dividir forças e sim somar forças para superar esses obstáculos: a Covid e o problema econômico.


RCN - Alguns prefeitos têm reclamado da falta de ajuda do governo do Estado e do governo federal contra a pandemia. Isso é pertinente?

Weiss - Faltou muito diálogo por parte do governo federal e do governo do Estado com os municípios. A gente precisa encontrar essa sintonia. Não adianta ter o recurso, precisa ter a gestão também. E o município precisa fazer o dever de casa com a testagem da população, com atenção básica, de medidas restritivas. Por outro lado, o governo do Estado precisa garantir leitos de UTI, equipamentos e leitos de retaguarda.


RCN - As eleições no final do ano atrapalham?

Weiss - A eleição é um fato que já está colocada na Constituição. Foi algo que a gente não conseguiu colocar aos nossos deputados e senadores, de que não haveria clima para realizar uma eleição esse ano. Como Fecam, a gente tem que garantir a orientação jurídica para os mandatários sobre o que pode ser feito e o que não pode ser feito no período. É um pleito diferente, atípico, até porque não se pode fazer aglomerações, comícios, reuniões ampliadas. Cada um vai ter que usar suas artimanhas para poder disputar as eleições que se aproximam.


RCN - 2020 era o ano do PSDB, mas o prefeito Saulo saiu para reeleição. O que significa para o PT ter a presidência da Federação?

Weiss - Quando a gente ocupa um cargo como presidente, você representa não um partido, mas todo o pluralismo partidário que existe no nosso país. Tem pelo menos duas dezenas de partidos representados nos prefeitos. A nossa ideia é levar a sigla como representação, mas o mandato enquanto presidente será suprapartidário e com as mais divergentes correntes políticas.




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