Entrevista da Semana

A proposta do governo não atende os anseios dos militares, diz Pawlick

Em janeiro, a Associação dos Praças de Santa Catarina (Aprasc) realizou um protesto com mais de 3 mil pessoas reivindicando reposição das perdas inflacionárias, que segundo a categoria chega a 37% em seis anos. Em reunião, o governo do Estado ofereceu 12,5%, proposta que não agradou os praças

Em entrevista à Rede Catarinense de Notícias, o presidente da Aprasc, João Carlos Pawlick, falou sobre as negociações, a insatisfação da categoria, e sobre a Indenização por Regime Especial de Serviço Público Ativo (Iresa).


Rede Catarinense de Notícias - Os militares já realizaram dois encontros com o governo para negociar a reposição salarial. Como o senhor avalia a conversa?

João Carlos Pawlick - É um processo lento, que depende da LOA [Lei Orçamentária Anual], como está o governo do Estado, como eles vão se cotizar com toda a emblemática com outras categorias. Mas a Aprasc segue firme e acha que a proposta do governo não atende os anseios da corporação, já que são seis anos sem qualquer tipo de reposição salarial e o governo quer fazer uma projeção para mais três. Ou seja, até 2022, e lá no final, um soldado de terceira categoria, aquele está na luta do dia a dia, vai ter no seu contracheque uma reposição desses nove anos de R$ 200, pago em três vezes. Então não temos como aceitar uma proposta dessas, que nem tem como avaliar, de tão fraca que veio.


RCN - O governo propôs 12,5% escalonado em três anos...

Pawlick - Mas lá no final não repõe nada. Não tem nem como avaliar porque o impacto é totalmente negativo. São nove anos e uma reposição de R$ 200 no líquido, e aí o governo coloca a culpa no quê? 'Ah, que nós temos um pacote que inclui o Iresa'. Nós policiais militares e bombeiros militares já temos o Iresa no nosso contracheque quando a gente vai para a reforma, porque a gente ganha um grau a mais que equivale ao Iresa e que o policial militar ganha na ativa. Então, a Polícia Civil quer o Iresa porque eles não ganham. O Iresa, que é um estímulo operacional, ficou fora da grande reforma de 2013 que o governo fez. Não entrou dentro do subsídio. Então ficou como penduricalho, que não se leva para a reserva. Mas o policial militar quando vai para a reserva ganha um grau a mais. Se o cara é cabo, se percebe como sargento. É como se levasse o Iresa para a reserva. O governo quer dar com uma mão e tirar com a outra. Ele dá o Iresa, no entanto retira aquele grau a mais que é uma lei estadual.


RCN - A entidade está preparando uma contraproposta? 

Pawlick - Positivo. Estamos preparando uma contraproposta e vamos enviá-la agora na terça-feira [11], que é a próxima reunião que nós temos com o conselho gestor. Vamos aguardar o que o governo vai dizer. Se ele disser que não tem mais como flexibilizar ou não aceitar nossa proposta, nós convocaremos uma assembleia geral de todos os praças aqui em Florianópolis e eles vão dizer se atendem ou não essa proposta do governo. Se não, como a Polícia Militar não pode fazer greve, a gente tem outros meios, operação padrão, operação tartaruga, e manifestação em frente à Assembleia.


RCN - O que a entidade deve pedir na contraproposta?

Pawlick - Nós estamos com um tributarista agora porque o governo não quer reconhecer 2014 e 2015 porque ele acha que aquela lei do subsídio em 2013 contemplaria até 2015, mas a gente sabe que o governo não paga nem para trás, como é que vai pagar para frente? Segunda-feira [10] tem uma reunião para a gente fazer essa contraproposta de uma maneira que seja pelo menos razoável, com esses dois anos que não estão na conta, mais 2019. O governador quando assumiu sabia que tinha dívidas. Mas ele não pode deixar a categoria para trás. Nada existe sem segurança pública e, no final, quem paga a conta é o pagador de imposto.


RCN - Essa insatisfação traz reflexos à corporação?

Pawlick - Santa Catarina, que está à frente de outros estados, trata a segurança pública não valorizando os seus componentes. Isso realmente desmotiva o policial e o bombeiro militar porque atrás de cada farda existe um pai de família, uma mãe de família, que tem que honrar seus compromissos.


RCN - A Aprasc fala em perda de 37% e o governo propôs 12,5%. Existe um meio termo passível de aceitação? Algo próximo a 20% é viável?

Pawlick - Eu acho que 20% seria um meio do caminho que todo mundo cederia e todo mundo ganharia. Ficaria razoável para nós aguentarmos mais um tempo sem essa pressão, porque no momento que a categoria faz um acordo, a gente fica sem poder ir para às ruas protestar porque fez aquele acordo. Acho que o razoável é atender aos militares estaduais. Nós não somos melhores, nem especiais, mas tem peculiaridades na segurança pública que fazem com que o policial fique estressado, não consiga trabalhar direito, busque um bico para manter o padrão. Isso derruba a qualidade do serviço.



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