entrevista

'O empresário catarinense tem diferenciais, como o espírito empreendedor e inovador'

05 Janeiro 2018 18:00:00

Presidente da Fecomércio-SC fez um balanço de 2017 e falou, entre outras coisas, do crescimento gradativo da economia

Rede Catarinense de Notícias - A crise política afetou a economia no ano que passou. Quais são os principais reflexos para o comércio em Santa Catarina desta crise que afetou o país? 

Bruno Breithaupt - A economia se descolou desta crise política. Evidentemente que, se não houvesse essa situação incômoda na vida política do país, a economia estaria respondendo com mais vigor. Mas, de todo modo, destes últimos 12 meses a atividade do comércio de bens, serviços e turismo vem mostrando sinais de reaquecimento. O que vem reforçar também este crescimento é a queda da inflação e da Selic- a taxa que vem cedendo e, pelo que tenho lido de economistas, tem espaço para cair mais ainda. Então tudo isso fez com que nossa economia começasse a responder positivamente em 2017.

RCN - A crise impediu um crescimento maior, mas não a ponto de causar um decrescimento?

Breithaupt - Sem dúvida. A crise política existe de longo tempo. Não vejo sinais de que, em curto prazo, haja uma mudança. Quem sabe, por ser um ano eleitoral, nós possamos ter a possibilidade de avanço com os novos congressistas. Quem sabe eles analisem as reformas que nós precisamos. A reforma previdenciária, infelizmente, começará a ser discutida em ano eleitoral. Ela deveria ter sido votada em 2017. Também temos a reforma tributária e a reforma política por serem feitas. Mas eu acho que a reforma previdenciária é a mais importante.

RCN - A Federação tem posições bem firmes e nem sempre populares, como nas reformas. Por que é importante a reforma previdenciária para o cidadão comum?

Breithaupt - A reforma trabalhista, no meu entendimento, não foi melhor reforma, mas houve avanços significativos tanto para o empregado quando para o empregador. Trouxe, acima de tudo, flexibilização para os dois lados. Não houve perda financeira e nem previdenciária para ninguém.

Quanto à reforma da previdência, a nossa expectativa de vida nos últimos anos mudou muito. Nós vivemos mais hoje e, consequentemente, aumentou o tempo de nossa atividade produtiva. Evidentemente, é necessário fazer um novo cálculo da Previdência para que se garanta nos próximos anos o pagamento aos futuros aposentados. Se não houver mudança, essa conta não vai fechar. E digo mais: eu tive a oportunidade, há um ano e meio, de estar na Coreia do Sul. Naquela semana, o governo coreano teve que fazer mudança na previdência porque eles estavam preocupados com o fato de que, daqui a 40 anos, o governo coreano não teria recursos para garantir o pagamento dos beneficiados. Eles fizeram o cálculo pensando nas próximas quatro décadas. Infelizmente, aqui no país há quantos anos não se mexe na previdência. Mudou a expectativa de vida, mudaram hábitos, mudou a cultura. Evidentemente que tem que haver uma discussão. Não existe mais possibilidade de, aqui no Brasil, nos aposentarmos com 50, 52 anos.

RCN - Em 2017, foi extinta a exigência obrigatória da contribuição sindical dos trabalhadores, assim como o recolhimento compulsório das empresas para as entidades laborais. O senhor destacaria a importância da contribuição sindical por quê?

Breithaupt - A contribuição sindical passou a ser facultativa com a Reforma Trabalhista. Com isso, aumenta a nossa responsabilidade em ter mais representatividade na defensa dos interesses da categoria. Eu sou favorável a esta mudança. A grande preocupação da Fecomércio SC é dar sustentabilidade aos sindicatos que fazem com que a representatividade da Federação aconteça. Sem sindicatos, nós não temos uma Federação atuante e representativa. Cabe aos sindicatos e à Federação, daqui para frente, representar, de fato, os seus segmentos.

RCN - Falando de novo sobre economia? como você avaliaria o ano de 2017? Foi um ano bom?

Breithaupt - Eu acho que foi um ano positivo por que em 2017 nós passamos a avançar gradativamente. Para quem veio de anos complicados, como 2015 e 2016, eu digo que tivemos um resultado positivo pelo simples fato de termos registrado crescimento, embora percentualmente pequeno. Não foi o melhor ano, mas foi positivo.  

RCN - E qual a expectativa para 2018?

Breithaupt - Os indicadores econômicos apontam que ano de 2018 poderá ser melhor do que 2017, desde que alguns fatores internos e externos não venham prejudicar a nossa atividade. Eu acho que existe ainda algum espaço para o recuo da inflação e da Selic. Este cenário faz com que tenhamos a possibilidade de aumentar o número de contratações. A alta da massa salarial resultará em mais consumo e, consequentemente, no crescimento de vendas.

RCN - Qual o recado para os empresários dos setores de comércio e serviços?

Breithaupt - O empresário catarinense tem diferenciais que os outros estados não têm, como o espírito empreendedor e inovador. Se não fosse a tenacidade, a responsabilidade e o compromisso com o seu negócio, nós não teríamos estes percentuais de crescimento. Eu gostaria de enaltecer o trabalho de todos os empresários que têm esta visão de gestão e buscam produtividade no seu negócio. Se não fosse essa visão, nós teríamos resultados pífios. Todo empresário, a partir de agora, terá outras oportunidades de crescimento. Cabe a ele analisar bem o momento, a possibilidade de voltar a crescer, com alguns cuidados, para que consiga alcançar novamente os números de oito, dez anos atrás. Muitas empresas cresceram neste período. Tiveram oportunidades e analisaram os dados à disposição. Não é sorte. Existe a possibilidade de saber se deve investir ou não. Eu acredito nos catarinenses, nessa força do trabalho. Eu acho que a resiliência do empresariado catarinense fez com que nós saíssemos antes deste momento mais difícil e voltássemos a crescer.


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