transmídia

Indústria criativa busca novos modelos de negócios

30 Novembro 2017 17:06:00

Adaptação de conteúdo para outros formatos tem ganhado espaço

A indústria criativa de Santa Catarina, com foco em mídia e entretenimento, está construindo o planejamento estratégico do setor para encontrar novos modelos de negócios. Oito tendências orientam o plano. Entre elas, destaca-se a transmídia, que significa criar negócios baseados numa determinada propriedade intelectual autoral que dê origem a diferentes tipos de produtos e receitas.

Um exemplo disso é a Turma da Mônica, que começou com histórias em quadrinhos, mas ganhou outras mídias (desenho em TV, filme, produtos licenciados, etc.). A iniciativa faz parte do Programa de Desenvolvimento Industrial Catarinense (PDIC), da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). O encontro para a elaboração do planejamento foi realizado nesta quarta-feira (29), em Florianópolis, com a participação de representantes dos segmentos audiovisual, games, TV, rádio, eventos de entretenimento, música, mercado editorial, publicidade, expressões culturais, patrimônio, artes e instituições de ensino. 

A indústria criativa passa por forte expansão e transformação no mundo. Santa Catarina tem vocação para esse setor, mas o Estado tem atraído uma parcela pequena dos investimentos disponibilizados por meio de mecanismos federais de fomento para os segmentos criativos. O volume de investimentos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) alcançou R$ 622 milhões em 2016. Os estados que apresentam maior utilização dos recursos do FSA são Rio de Janeiro e São Paulo (71% do total). Santa Catarina encontra-se na 16ª colocação, com a utilização de R$ 1,79 milhão dos recursos disponíveis.

Além disso, a convergência digital tem mudado a forma e os meios pelos quais a informação chega ao consumidor final. Os serviços Over-The-Top (OTT), que são as transmissões de conteúdo audiovisual e música por meio de plataformas IP diretamente ao consumidor final, sem o controle dos distribuidores tradicionais desse conteúdo, estão ganhando relevância.

O Netflix é um exemplo. Ele alcança o consumidor sem precisar de uma operadora de TV por assinatura. Em 2017, o Netflix, que tem 50 milhões de assinantes, superou o número total de assinantes de TV por assinatura nos Estados Unidos (48 milhões). Nos últimos cinco anos, a TV por assinatura perdeu quase 10% dos assinantes (4 milhões). Pesquisa da CVA Solutions revela que mais de dois terços dos consumidores brasileiros assistem a filmes on-line; 36,2% utilizam Netflix e 24,5% o YouTube. O número de pessoas com smart TVs aumentou de 27,8% em 2016 para 35% em 2017. 

O diretor de desenvolvimento institucional e industrial da Fiesc, Carlos Henrique Ramos Fonseca, disse que por meio do PDIC a entidade monitora as tendências com o objetivo de antecipar aos setores as tecnologias disruptivas ou não que podem afetar diretamente os negócios. "Um dos objetivos do monitoramento é identificar tecnologia emergente. A indústria criativa tem suas particularidades, mas é transversal a vários setores, como turismo, cultura e tecnologia da informação e comunicação. Por isso, decidimos construir uma rota estratégica específica, até pela potencialidade do Estado, que é reconhecido como um ecossistema de inovação ímpar em nível nacional. Então temos potencial de ser líder nesse setor", explicou.

logo_rodape.png

Rua Adolfo Melo, 38 - Sala 901 - Centro | Florianópolis-SC | CEP: 88015-090 |
(48) 3298-7979 | jornalismo@adjorisc.com.br