Novos Hábitos

Guardar dinheiro é principal meta financeira dos brasileiros em 2020

78% dos consumidores fizeram cortes no orçamento em 2019 e 61% diz estar otimista com cenário econômico para este ano

Foto: Murici Balbinot/Arquivo

Segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 49% dos brasileiros apontam que guardar dinheiro é uma de suas metas financeiras para 2020. Como outros objetivos apontados, 30% disseram que planejam fazer uma viagem, 28% pretendem comprar ou reformar a casa e 27% querem tirar as finanças do vermelho.

De acordo com o levantamento, 68% conseguiram realizar ao menos um projeto que tinham em 2019, o que representa uma aumento de 7,3% em relação a 2018. Entre os principais objetivos alcançados estão cuidar da saúde (25%), pagar dívidas atrasadas (20%), fazer uma reserva financeira (17%), realizar um tratamento odontológico (14%) e comprar ou reformar a casa (10%). Por outro lado, apenas 16% garantem ter concretizado todos os planos traçados e 15% não alcançaram nenhuma meta planejada.

Entre os 83% que não conseguiram realizar todos os seus projetos, a principal meta deixada para trás foi guardar dinheiro (22%). Entre as justificativas, 46% desses afirmam que o preço das coisas está muito alto, 38% que mal conseguiu pagar as contas mensais e 30% apontarem o surgimento de imprevistos, com gastos extras ligados à saúde, consertos na casa ou no carro. Além disso, 21% deixaram de alcançar suas metas por perderem o emprego ou terem alguém de casa na mesma situação. 


Percepção

A pesquisa revelou ainda que 61% dos entrevistados estão otimistas com o cenário econômico, 11% a menos que no ano passado. Já 19% acreditam em um ambiente igual e 12% pior. Entre as principais razões para o otimismo estão o sentimento de que as coisas podem melhorar apesar dos problemas (60%) e a confiança de que haverá uma recuperação econômica (48%).

Também caiu de 72% para 65% a percepção dos brasileiros que esperam uma melhora em sua vida financeira. Outros 21% acreditam que em 2020 sua situação deve ser igual e 7% pior. Os otimistas apontam como motivo a expectativa de conseguir manter as contas em dia (57%), economizar e fazer alguma reserva financeira (53%) e realizar algum sonho de consumo (52%).

Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, mesmo com a percepção menos otimista do que no início de 2019, a expectativa é de um cenário melhor para este ano. "Ainda que o ano de 2019 tenha exigido contenções de gastos entre os brasileiros, face ao desemprego e à perda do poder de compra, tudo indica que o país voltará a receber investimentos em 2020. A continuidade das reformas estruturais será essencial para preparar as bases de um novo ciclo de prosperidade em um futuro próximo", observa.


Crise

O levantamento apontou também que para 63% dos entrevistados, os efeitos da crise, como desemprego e renda baixa, afetaram o seu dia a dia. Em contrapartida, 19% não perceberam algum tipo de reflexo no cotidiano e outros 18% não souberam dizer.

No ano passado, 78% dos consumidores fizeram cortes no orçamento, principalmente em refeições fora de casa (46%), compras de itens e vestuário, calçados e acessórios (44%), viagens (41%), ida ao cinema ou teatro (36%), saída a bares e casas noturnas (35%) e gastos com salão de beleza (34%).

Para 2020, os consumidores pretendem tomar atitudes para evitar tais efeitos, como pesquisar mais antes de fazer compras (46%), ter maior controle sobre as contas da casa (42%), comprar produtos similares de marcas mais baratas (38%), evitar fazer parcelamentos (37%) e criar alguma reserva financeira (35%). 

"Apesar de os brasileiros continuarem sentindo os efeitos de um ambiente econômico que ainda patina, a maioria ainda traça planos para o ano que se inicia. É importante adotar uma postura mais preventiva, que deve vir acompanhada de preparo e de metas para que se possa atingir os objetivos sem se perder no controle das contas", destaca a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. 

 







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