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Governador avalia as consequências da paralisação de caminhoneiros em Santa Catarina

Há registro de 164 pontos de concentração de grevistas e 254 municípios com problemas no abastecimento de combustível

Foto: Jeferson Baldo / Secom SC

O governador de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira, concedeu uma entrevista coletiva no final desta sexta-feira (25) para falar sobre a situação da greve dos caminhoneiros no Estado e as consequências que as paralisações têm causado. Também estiveram presentes os secretários da Defesa Civil, Rodrigo Moratelli, da Segurança Pública, Alceu de Oliveira, e da Agricultura, Airton Spies. Durante a semana um comitê de crise foi formado com todos os secretários de governo e também um representante da Federação Catarinense de Municípios (Fecam). O objetivo é apontar ações para manter atividades essenciais em funcionamento no Estado.  

Durante a coletiva, Eduardo Pinho Moreira não poupou críticas ao governo do presidente Michel Temer. "A Sociedade brasileira, e a catarinense, estão sendo impactadas, e sofrendo, porque existe um governo fraco. Estamos pagando as consequências de um governo fraco, com impopularidade grande. Se fosse governo popular não teríamos esse tipo de manifestação", disse ele.

Pinho Moreira também criticou o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, na forma como conduz a estatal, e considera que a política de preços da companhia é o principal motivo para aumentos excessivos no valor dos combustíveis.

Situação em Santa Catarina

Conforme o Secretário da Defesa Civil, até a tarde de sexta-feira foram registrados 164 pontos de concentração de manifestantes, distribuídos em estradas federais, estaduais e municipais. Em todos os locais os protestos aconteceram de forma pacífica, e em apenas um deles ocorreu o bloqueio total da via.

Pinho Moreira ressaltou que não considera necessário o uso das forças armadas, medida autorizada e anunciada pelo presidente Temer durante pronunciamento oficial na tarde desta sexta-feira. O governador considera que Santa Catarina tem condições de resolver a situação com os próprios recursos que dispõe, como a polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. Somente será solicitado apoio às forças federais, diz ele, caso a situação saia do controle, o que não é esperado.

Acordo com grevistas

Uma negociação estabelecida diretamente com as empresas de transporte garante que produtos considerados de extrema necessidade terão passagem livre pelos pontos onde há concentração de grevistas. Estão contemplados produtos como combustíveis, gás, ração animal, medicamentos ou insumos usados em serviços essenciais, como no caso dos hospitais.

Conforme números do governo do Estado, 254 municípios registram problemas de abastecimento de combustível. Também há desabastecimento de alguns itens do setor de alimentos. Isso se deve, segundo o secretário Moratelli, ao pico de consumo dos últimos dois dias, que acentuou a falta dos produtos nas prateleiras dos supermercados. Segundo o governo, há, diante disso, um esforço para minimizar os efeitos da paralisação e desmobilizar o movimento grevista.

Agroindústrias temem falta de insumos

Até o momento, segundo o secretário da Agricultura, Airton Spies, não ocorreram mortes de animais por falta de alimentação. Em alguns casos, o transporte de insumos foi realizado até os locais de produção com escolta policial, medida que continuará sendo executada conforme a necessidade de cada agroindústria. Cerca de 16 escoltas já foram realizadas. Porém, o secretário revela que há uma preocupação maior a partir deste sábado, já que as carretas com produtos para a fabricação de ração estão paradas nos pontos de manifestação.

O transporte de leite foi interrompido, considerando que o produto possui vida útil curta. Também há problemas de desabastecimento no Ceasa. Os frigoríficos estão com estoques lotados e em razão disso aproximadamente 70 mil funcionários foram dispensados das atividades temporariamente. Essa situação, explica Spies, causa o represamento dos animais nas granjas, gerando outras consequências. As demandas de cada agroindústria podem ser informadas ao comitê de crise, que analisa cada caso pontualmente para dar o apoio necessário.

Alguns vídeos de canibalismo animal circulam nas redes sociais. Porém, o governo afirma que não há registros desse fato até o momento. Os materiais divulgados são de 2012 ou mesmo de outros estados.

Redução no ICMS

Durante a semana, o Ministério da Fazenda chegou a sugerir que os Estados abrissem mão de parte do ICMS do diesel para reduzir os preços do produto. Pinho Moreira descartou a possibilidade de fazer qualquer tipo de isenção do imposto. "Santa Catarina não vai pagar uma conta que não é nossa", disse ele. Atualmente, o governo estadual arrecada cerca de R$ 70 milhões por mês com o tributo, sendo a maior fatia proveniente dos combustíveis. O governador fez questão de ressaltar que qualquer medida será analisada com cautela.


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