Fiesc defende política para reduzir ociosidade na cadeia de petróleo e gás

19 Abril 2017 16:53:00

Indústria brasileira fornecedora para o segmento de óleo e gás tem ociosidade média de 60% a 70%, chegando a 100% em alguns casos, diz Abimaq

No lançamento do Movimento Produz Brasil, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte, defendeu a instituição de uma política industrial urgente para reverter a queda sofrida nos últimos anos pela cadeia fornecedora setor de petróleo e gás. "Trata-se de um importante momento de direcionamento para o futuro sem que nos esqueçamos dos erros cometidos no passado que atingiram o setor e temos que estar atentos para não repeti-los", afirmou. 

Na abertura do encontro, Côrte disse que a recuperação das encomendas e o restabelecimento das atividades são essenciais para o polo naval localizado em Itajaí e Navegantes e para as indústrias catarinenses que compõem a cadeia. "Há dois anos, a indústria naval de Santa Catarina abrigava cerca de 6,5 mil trabalhadores e 64 empresas. Informações disponíveis dão conta que a crise cortou mais de 5 mil empregos", alertou. Em 2014, o Estado ocupava a terceira colocação no cenário nacional em número de trabalhadores e era o maior exportador nacional de barcos de recreio e esporte. Dados mostram que o Brasil possui a quarta maior indústria naval, atrás da China, Coreia do Sul e Japão.

Em sua palestra, o presidente-executivo da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, salientou que hoje a indústria brasileira fornecedora para o segmento de óleo e gás tem ociosidade média de 60% a 70%, chegando a 100% em alguns casos. "Então o Brasil pode voltar a produzir imediatamente sem sequer realizar R$ 1 de investimento, pois eles já foram feitos. Desde que a crise da Petrobras começou, o desemprego nesse setor alcançou 1 milhão de trabalhadores", informou ele, lembrando que integram esse cálculo profissionais dos segmentos de serviços, estaleiros, componentes e eletrônicos. "O setor fornecedor da cadeia de óleo e gás investiu na última década mais de US$ 60 bilhões. Isso tudo será perdido caso não haja uma política", advertiu.  

O vice-presidente da Fiesp José Ricardo Roriz Coelho afirmou que alguns países produtores de petróleo construíram uma sólida cadeia de fornecedores nesse segmento, com aplicação de políticas de conteúdo local e citou como exemplo Estados Unidos, Canadá, China, Noruega e Reino Unido. Por outro lado, os países que priorizaram exclusivamente a extração de petróleo e gás em detrimento do fortalecimento de uma cadeia produtiva local não avançaram na geração de riquezas. Entre eles estão Bolívia, Equador, Líbia, Nigéria e Venezuela.

Para a SCGás, responsável pela distribuição de gás natural no estado, quando a economia se estabilizar, o setor tende a crescer rapidamente devido à capacidade de produção já existente. Durante sua apresentação no evento, o coordenador do Comitê de Petróleo e Gás da Fiesc, Edgar Cardoso da Silva, declarou que "é imperativo que o Brasil dê andamento à sua política industrial, com contrapartidas econômicas e tecnológicas que beneficiem o País. É urgente a realização de medidas de resgate da cadeia fornecedora para o setor de petróleo e gás".  


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