Recuperação

Falta de insumos e preços em alta são desafios da retomada

Produção industrial de SC cresceu acima do nível pré-pandemia, mas itens básicos estão em falta

Foto: Júlio Cavalheiro/Secom

A retomada da crise tem acontecido de forma acelerada em Santa Catarina. Segundo o Banco Central, de abril a setembro, a atividade econômica - considerado uma prévia do PIB - cresceu 15,5% no Estado e atingiu o maior resultado da história. Em setembro, segundo o IBGE, a taxa de desocupação caiu para 7,8% e setores importantes como serviços (+3,7%) e indústria (+4,5%) registraram alta no período. 

Apesar dos bons resultados, uma questão tem preocupado os empresários: os insumos. Na indústria o problema está relacionado à falta de disponibilidade das matérias-primas. Com isso, 50,5% das empresas do setor não conseguem aumentar sua produção, de acordo com a Federação das Indústrias de SC (Fiesc). Isso acontece porque a velocidade na retomada pressionou a demanda, tornando a produção atual insuficiente.

Para atender a alta, o setor tem se movimentado. A ociosidade da indústria, por exemplo, chegou a 16% em novembro, menor resultado da história. Além disso o Estado também aumentou sua importação de cobre, matéria-prima essencial para a produção de motores elétricos, um dos principais produtos de exportação de SC. Segundo o Ministério da Economia, o Estado importou US$ 91 milhões do insumo em outubro, alta de 43,6% na comparação com o mesmo período de 2019.

Já na agroindústria o problema não está na disponibilidade, mas sim no preço. De acordo com a Epagri, a saca de 60kg de milho cresceu 44,6% nos últimos quatro meses, chegando a R$ 71,26 em outubro. Já a soja passou de R$ 103,33 para R$ 155,78, crescimento de 50,8% no período. 

O aumento nos preços é ocasionado pela alta do dólar, o que também faz com que a maior parte da produção nacional seja exportada. Com isso, produtores de proteína animal, que dependem do milho e do farelo de soja para alimentar suínos, bovinos e aves, precisam importar os insumos, aumentando o custo de sua produção.

"Se continuar o cenário, ou os frigoríficos vão diminuir a produção ou fechar as portas. Nesse caso, quem é penalizado é o consumidor. Nós estamos avisando com antecedência, porque o setor não vai conseguir absorver esse aumento dos custos de produção", destacou o presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), José Antônio Ribas Júnior.

Outro insumo em alta é a energia elétrica. A Celesc já começou a praticar a nova tarifa, com alta média de 8,14%, e que atinge principalmente os micro e pequenos empresários. Quem consome energia de outros fornecedores deve ser afetado pela pressão do setor e pela seca histórica.



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