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Empresários veem liberação do FGTS com cautela

Lojistas dizem que a medida vai estimular o consumo, mas temem que efeito tenha curto prazo

Murici Balbinot
Foto: Murici Balbinot
Setor empresarial espera que inadimplência caia com liberação de recursos

O setor produtivo e as associações empresariais manifestaram apoio à decisão do governo federal de liberar parte do FGTS para mais de 100 milhões de brasileiros. Eles acreditam que a medida será positiva para a economia, mas lançam alerta para a baixa eficácia a longo prazo e a necessidade de novas ações. O governo federal espera injetar R$ 63 bilhões do FGTS e do PIS/Pasep de contas ativas e inativas até março de 2020.

Para o presidente da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), Jonny Zulauf, a situação é complexa. "Primeiro a sociedade agradece, é dinheiro na praça. Se nós fizermos outra aplicação desses recursos, eles serão, de alguma forma, bons para a sociedade. Entretanto, para o trabalhador, vai diminuir a segurança que ele tem. Temos que olhar por esse lado", disse. 

Zulauf diz que o rendimento nas contas é muito baixo e que uma melhor aplicação dos recursos vai contribuir com a economia. Pela regra estabelecida pelo Planalto, cada trabalhador pode retirar até R$ 500 por conta, de acordo com um cronograma que ainda vai ser detalhado pela Caixa Econômica Federal. 

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio/SC), Bruno Breithaupt, diz que a medida trará estímulo ao consumo. "Porém, o aquecimento da economia deve durar enquanto os recursos estiverem circulando, sem impacto a longo prazo. Para um crescimento duradouro é necessário a retomada dos investimentos com estímulos a iniciativa privada, como a redução dos juros, reforma tributária e uma reativação do mercado interno", afirmou. 

Os empresários temem que, mesmo com a liberação, a economia permaneça engatinhando. Quando as contas de parcelas inativas foi liberada pelo governo Michel Temer, houve uma redução momentânea da inadimplência segundo o SPC Brasil, mas que voltou aos patamares anteriores logo após o ciclo. Além disso, não houve grande impacto em investimentos. 

A Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) manifestou-se afirmando que "a medida vai ao encontro das expectativas dos varejistas". A entidade espera que, além de estimular o consumo, a liberação do Fundo vai ajudar os brasileiros a quitarem suas dívidas. "Os saques devem atender às necessidades de quem mais sofre neste momento, os cidadãos das classes C, D e E, que estão há muito tempo sem liquidez", disse o presidente, José César da Costa. 





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