MERCADO EXTERNO

Duas plantas industriais de SC estão desabilitadas de exportar carne de ave para a Arábia Saudita

23 Janeiro 2019 17:09:00

Uma delas está localizada na serra e outra no oeste. Informação é da Associação Catarinense de Avicultura

Foto: Divulgação / Fiesc

A Associação Catarinense de Avicultura (Acav), entidade que representa as indústrias de abate e processamento de aves em Santa Catarina, publicou uma nota na tarde desta quarta-feira (23) a respeito da decisão recente da Arábia Saudita em desabilitar industriais brasileiras que exportavam carne de aves àquele país. A medida foi informada na segunda-feira (21) à noite ao governo federal e recebida com surpresa pelos produtores no dia seguinte.  

A notícia repercutiu durante a terça-feira (22) em Santa Catarina, ainda com um grande desencontro de informações. Representantes do setor produtivo chegaram a afirmar que o descredenciamento teria atingido duas das maiores indústrias de proteína animal do Estado.

A informação divulgada nesta quarta (23) pela Acav dá conta de que a empresa Vossko, de Lages, na serra, foi desabilitada, e também a unidade de perus da BRF, em Chapecó, na região oeste. Esta última retomou as atividades recentemente após um período de lay off, ou seja, estava com produção temporariamente paralisada. A associação considera que o impacto será "relativamente pequeno". 

Conforme a nota divulgada, a suspensão das importações não está relacionada a problemas técnicos, sanitários ou mesmo de logística. A afirmativa é de que uma missão oficial da Arábia Saudita esteve no Brasil em 2018 para inspecionar as unidades e proceder a renovação da certificação do abate Halal e, desse processo, algumas unidades não foram certificadas.

Divergências diplomáticas

Outras causas também são pontadas como possíveis fatores para a suspensão das importações. Amr Moussa, que atuou como secretário-geral da Liga árabe até 2011, e um dos diplomatas do Oriente Médio de maior influência na região, afirmou durante Fórum Econômico, em Davos, na Suíça, que a decisão da Arábia Saudita de descredenciar frigoríficos brasileiros a exportar carne de frango ao país seria uma retaliação à ideia apontada pelo presidente Jair Bolsonaro em mudar a embaixada brasileira em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém. "O mundo árabe está enfurecido [com o Brasil]", disse Moussa.

Exportações

Com a medida anunciada pela Arábia Saudita, o Brasil mantém a autorização de exportação de 25 plantas frigoríficas de carne de frango para o país. Cinco delas são catarinenses: duas da BRF (Videira e Capinzal) e três da Seara/JBS (Itapiranga, Itaiópolis e Ipumirim).

Santa Catarina é o segundo Estado produtor e exportador, tendo, em 2018, embarcado para 135 países 1,4 milhão de toneladas de carne de frango, obtendo divisas de 1,8 bilhões de dólares. Isso corresponde a 28,67% das receitas das exportações brasileiras. Os principais compradores são o Japão, a China e a Arábia Saudita.




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