na ponta do lápis

Cresceu o número de brasileiros que controlam os próprios gastos

23 Janeiro 2019 17:05:00

Maior parte deles utiliza um caderno de anotações para monitorar as despesas. Principais métodos de economia são evitar gastos desnecessários, fiscalizar as contas da casa e pesquisar preços

Foto: Murici Balbinot
Contas do dia a dia, como luz e água, são mais fáceis de controlar. Gastos extras costumam complicar as contas

Uma pesquisa nacional apontou que o número de brasileiros que acompanham e analisam a sua própria situação financeira passou de 55%, em 2017, para 63%, em 2018. Apesar do aumento, o estudo mostra que 36% dos brasileiros não administra as próprias finanças, quantia que é considerada elevada por especialistas. Dentre os que fazem o controle, a maioria não consegue realizá-lo com antecedência.

Entre aqueles que estão de olho no vai e vem do próprio bolso, a opção é utilizar alguma ferramenta de controle. Um terço (33%) usa um caderno de anotações. Na sequência, as preferências são por planilha de computador (20%) e aplicativos em smartphones (10%). Também há aqueles que fazer o cálculo de cabeça (19%), os que não adotam método específico (13%) e os que pedem para outra pessoa fazer (3%). Os dados são da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceira com o Banco Central.

"Se o método for organizado, não importa qual seja a ferramenta. O importante é nunca deixar de analisar as informações anotadas. Algumas pessoas têm facilidade com planilhas ou aplicativos, mas outras ainda preferem um pedaço de papel. Ainda assim, é recomendável que o consumidor não se acomode e procure experimentar algo diferente, pois os aplicativos digitais surgiram para facilitar a vida financeira das pessoas, tornando o controle acessível a qualquer momento e lugar", orienta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. 

O levantamento também descobriu que, considerando os que não administram as contas, as justificativas mais comuns são não ver necessidade do controle de todos os gastos, pois eles podem ser feitos de cabeça (23%), não conseguir ter disciplina para exercer a tarefa (18%), preguiça (12%) e falta de tempo (11%).

"Alegar preguiça ou falta de disciplina significa que a pessoa não trata o controle das despesas com importância. Como o desconhecimento sobre as próprias finanças é um problema crônico no Brasil, é fundamental incluir a educação financeira como tema na formação escolar dos cidadãos, para que noções básicas sejam assimiladas desde criança", explica o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli.

Dificuldades

O controle dos gastos extras acaba ficando no segundo plano para o brasileiro em detrimento dos gastos do dia a dia. Gastos fixos, como mensalidades, mantimentos, produtos de higiene e contas da casa são anotados por 94% dos entrevistados que fazem algum controle. As prestações de compras feitas no cartão, cheque ou crediário que vencem no mês seguinte recebem a atenção de 91%. Já 87% anotam os rendimentos, como salários, pensões e aposentadorias.

Os itens que os entrevistados menos anotam são os gastos variáveis, como lazer, salão de beleza, compras de roupas e saídas para bares e restaurantes, que são deixados de lado por 25% dos entrevistados, assim como o valor que possuem na reserva financeira (24%).

O levantamento demonstra que não é somente a falta de conhecimento que impede o brasileiro de colocar a vida financeira em ordem, mas principalmente o consumo não planejado. Evitar compras por impulso ou desnecessárias através do planejamento das compras (90%), controlar as despesas da casa (90%), pesquisar preços (89%) e juntar dinheiro para adquirir bens de mais alto valor à vista (87%) são hábitos que os consumidores entrevistados mais citam como importantes no dia a dia.

No entanto, a prática está longe de ser frequente na vida dos entrevistados. Apenas 56% admitem ter disciplina para juntar dinheiro para comprar bens mais caros à vista. Outras atitudes que ficam aquém do desejado são planejar as compras para evitar o consumo impulsivo ou desnecessário (78%), realizar o controle dos gastos da residência (78%) e fazer pesquisa preço (83%).





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