ROQUE PELLIZZARO JÚNIOR, PRESIDENTE DO SPC BRASIL

'Começamos a ter sinais de melhora em 2018'

09 Janeiro 2019 16:24:00

Dirigente fez um balanço do ano que passou e falou das perspectivas da entidade acerca do cenário econômico brasileiro para 2019

Foto: Assessoria CNDL/SPC Brasil

Em entrevista à RCN, presidente do SPC Brasil, Roque Pelizzaro Júnior, apresentou um balanço do ano de 2018 e falou das perspectivas da entidade para 2019. Para o dirigente, as expectativas em relação ao ano passado não se confirmaram e a retomada da economia não ocorreu conforme o esperado. Pelizzaro cita o desemprego e a inadimplência dos consumidores como fatores que contribuíram para um cenário econômico ruim.

Acompanhe abaixo a entrevista na íntegra

Rede Catarinense de Notícias - Qual a avaliação da economia brasileira no ano que passou, 2018?
Roque Pelizzaro -
2018 foi um ano praticamente morto. Havia uma expectativa de retomada, mas essa expectativa foi ficando aos poucos ao longo do ano. Primeiro pelos escândalos políticos, depois pela greve dos caminhoneiros, pela dificuldade no andamento das reformas e pela agenda microeconômica que o governo havia proposto. Então, um crescimento que era próximo a 2,6% vai ficar abaixo disso, em torno de 1,4%, se der tudo certo. Foi um ano que deixou a desejar para a economia. Mas tivemos uma eleição em meio a isso tudo que colocou o Brasil em outra direção. Não falo em uma direção política, mas uma direção econômica. É um governo claramente liberal na economia e que deverá trazer mudanças importantes, e as expectativas com essas mudanças são muito boas. Todo mercado vê isso. Não só o mercado, mas a população começa a sentir isso. Os índices de confiança, tanto dos empresários quanto dos consumidores, já melhoraram após o período eleitoral, isso sinaliza um 2019, 2020 melhor.

RCN - Nesse contexto, quais indicadores merecem ser destacados?
Pelizzaro -
Vimos que alguns índices não tiveram muitas alterações durante 2018, principalmente desemprego e inadimplência, que foram dois pontos negativos durante o ano. Os positivos, temos a questão da inflação, que passou sob controle durante o ano e vai permitir que em 2019 tenhamos uma política econômica que poderá ser 'jogada' mais abertamente.

RCN - Quais outros fatores podem contribuir nessa retomada que é esperada para 2019?
Pelizzaro -
Começamos a ter sinais de melhora da renda em 2018. Conseguimos nos posicionar com o mesmo índice de renda que tínhamos em 2014. Foram quatro anos não só de desemprego, mas também de queda real da renda de todos os brasileiros e havendo essa retomada na coluna emprego e na coluna renda a gente vai poder conseguir efetivamente um desempenho melhor da economia. Num país do tamanho do Brasil, com seu mercado interno, o consumo das famílias é extremamente pesado na composição do PIB. Países pequenos não têm o mesmo impacto. Nos países grandes o consumo das famílias é algo extremamente relevante na formação do PIB e para que isso melhore, precisa melhorar emprego e renda. Sem isso você não tem um desempenho melhor.

RCN - Ao longo do ano houve uma queda na taxa básica de juros. Isso implicou também na redução da inadimplência? Qual foi o comportamento do consumidor?
Pelizzaro -
A inadimplência não reduziu, se manteve alta, perto de 63 milhões de brasileiros. Então, como estão com o nome ainda sujo, você só vai conseguir ter uma melhora na inadimplência se tiver uma melhora na coluna emprego e renda. Sem isso só vai pagar a conta velha. Temos que expandir renda e expandir empregos, antes disso, muito difícil que haja um redesenho no quadro de inadimplência.

RCN - Sobre o cadastro positivo, como está a aceitação e o impacto desta ferramenta?
Pelizzaro -
O cadastro positivo foi aprovado no modelo up teen, ou seja, os consumidores precisam autorizar o nome e o uso. É um modelo quase que como uma jabuticaba, só tem aqui. Em outros países no mundo, todos entram e o consumidor pede para sair, se ele quiser sair desse modelo de cadastro. Então, ao longo dos anos ele não performou, ou seja, nós temos um histórico de muito poucos consumidores. Não há um número de brasileiros suficiente dentro da estrutura do cadastro positivo que gere qualquer impacto. A alteração que está tramitando no Congresso é justamente para alterar o modelo de up teen para um up alt, mas com critérios bastante rígidos. Já foi aprovado na Câmara, com a inserção de vários destaques por parte dos deputados. Esses destaquem aguardam votação. Não conseguimos que eles fossem levados em pauta e isso ficou para 2019. Enquanto não houver essa alteração, o cadastro positivo não gerará nenhum efeito, nem positivo nem negativo, sobre a concessão de crédito.

RCN - Qual pauta estará em destaque para a entidade no próximo ano?
Pelizzaro -
A grande expectativa está justamente sobre o cadastro positivo, que pode efetivamente redesenhar a forma de se conceder crédito no Brasil. Esperamos, após a aprovação, que consigamos crescer a relação crédito e PIB em torno de 15% e 20% já no primeiro ano.

RCN - Quais são as perspectivas para 2019 nas áreas política e econômica?
Pelizzaro -
Temos uma expectativa pós-eleição que sinaliza um ano melhor, mas temos cenários a serem considerados. Avançando nas reformas conseguiremos um ano com crescimento próximo a 3%, podendo até ultrapassar isso. Se as reformas não andarem provavelmente não chegaremos a 3% ou 2%. Primeiro a reforma da Previdência e em seguida a Tributária. O Brasil precisa se reestruturar tributariamente e precisa levantar essa âncora que está nos puxando, que é a Previdência Social. Precisamos ter coragem para enfrentar isso. Sem que haja um andamento dessa agenda, mesmo que de maneira lenta, fica muito difícil o país avançar.



logo_rodape.png

Rua Adolfo Melo, 38 - Sala 901 - Centro | Florianópolis-SC | CEP: 88015-090 |
(48) 3298-7979 | jornalismo@adjorisc.com.br