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Com redução de área plantada, mandioca valoriza 55% em Santa Catarina

30 Novembro 2017 13:19:00

Desde 2010, as plantações da raiz no estado encolheram 25%. Valor pago ao produtor é o maior dos últimos sete anos

Murici Balbinot

Santa Catarina registrou um aumento de cerca de 55% do preço da mandioca nos últimos sete anos, apesar de grandes oscilações. Com a valorização em 2017, a expectativa é de rendimentos acima da média na próxima safra, o que animou os produtores. Mesmo com o preço alto, a área plantada da raiz vem diminuindo cada vez mais no estado.  

A média paga ao produtor de janeiro até setembro deste ano foi R$ 443,15 por tonelada. O preço representa um aumento de mais de 40% sobre 2016 e mais de 100% sobre 2015. Nesse período, a tendência foi de forte alta, variando os valores de região para região. Especialistas estimam que a mandioca continuará valorizada no ano que vem.

Mas apesar do aumento de preço, a área plantada da raiz em Santa Catarina vem diminuindo ano a ano. De 2013 para cá, a área passou de 29 mil hectares para 22 mil hectares, uma queda de 25%. A tendência é nacional. No mesmo período, a área plantada com mandioca no Brasil encolheu 10%.


Especialistas do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa), da Epagri, apontam duas causas principais. A primeira é o avanço da soja sobre outras culturas, um grão que tem mantido rentabilidade sem grandes oscilações nos últimos anos. A segunda é a dificuldade em mecanizar o processo de plantio e colheita. Por se tratar de uma raiz, a mandioca demanda muito mais mão-de-obra.

Eles lembram ainda que, apesar da diminuição da área, a produção segue estável. Isto porque nos últimos sete anos a produtividade cresceu muito, e os produtores têm colhido uma tonelada a mais por hectare em relação a 2010. A mandioca ainda tem outra singularidade. Dos produtos agrícolas, é um dos que tem mais presença na produção da agricultura familiar (87%) em relação ao agronegócio, mais do que o feijão (70%), o leite (60%), o milho (46%), o café (38%) e o arroz (34%), segundo o Censo Brasileiro.


O engenheiro agrônomo e analista do Cepa, Haroldo Tavares Elias, diz que a valorização pode atrair "apostadores". Para ele, o preço da mandioca se manterá bom se a produção manter o mesmo patamar. Caso produtores aumentem muito a área plantada em busca de maior rentabilidade, a oferta pode puxar o preço para baixo nas próximas safras.

Segundo Elias, a industrialização da raiz é um dos fatores de valorização do preço. Nesse sentido, se destacam a popularização e aumento de consumo de tapioca, farinha, farofa e mandioca in natura, embalada e congelada.


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