Dólar

'Com dólar alto, fornecedores locais podem ser a saída', dizem empresários

Durante conferência online industriais debateram impacto da valorização da moeda americana nos pequenos e médios negócios

Foto: Reprodução

Nesta sexta-feira (22), a Federação das Indústrias de SC (Fiesc) realizou uma conferência online com empresários para discutir os impactos da variação do dólar nas pequenas e médias empresas. Segundo eles, esses negócios são fortemente afetados pelas mudanças no câmbio, pois além das dificuldades em acessar os mercados externos, as pequenas empresas geralmente não dispõem do conhecimento necessário para utilizar mecanismos de proteção cambial. 

Outro problema apontado foi que alguns empresários tem a falsa sensação de que a alta dólar traz apenas benefícios para seus negócios. Além de aumentar valor dos produtos de exportação, o preço da moeda americana também influencia nos custos de produção. Uma das soluções para resolver esta questão seria deixar de trazer insumos de fora do país e substituir por produtos locais. 

"Ao invés de realizar importações, nós sugerimos que os industriais utilizem fornecedores locais. Claro que existe toda uma complexidade nesta cadeia, existem padrões de qualidade que precisam ser exigidos, mas a Federação está lançando um produto para ajudar a substituir fornecedores internacionais por regionais", destacou a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante.

Durante o encontro os empresários também discutiram as perspectivas para o futuro da moeda americana. Com instabilidades no cenário político e econômico, é improvável que a cotação do dólar chegue a valores muito mais baixos que os encontrados atualmente.

"Essa variação do dólar é um resumo de várias situações, algumas globais, que são externas ao Brasil. Antes da pandemia vínhamos em um quadro de recuperação, porém a economia ainda é muito frágil. Além disso, o cenário político no país ainda é muito perturbado, e com isso, não existe uma perspectiva de melhora nessa situação", afirmou Maria Teresa.

Com esse cenário instável, os empresários propõem que os pequenos e médios negócios busquem ajuda adequada para lidar com o comércio exterior.  "As empresas precisam procurar uma retaguarda de assessoria para esses momentos. Hoje as pequenas indústrias representam apenas 3% das exportações catarinenses, a maioria ainda para a América Latina onde os custos são menores. Existe potencial para mais", ressaltou o presidente da Câmara da Micro e Pequena Indústria da Fiesc, Célio Bayer.



Consumidor não quer pagar mais caro

Outro ponto ressaltado pelos empresários foi de que o consumidor final está atento à valorização da moeda americana e sempre tentará tirar uma vantagem disso. A recomendação é que os industriais economizem os seus ganhos quando o dólar está em alta para se protegerem caso o cenário se inverta. 

"Nesse momento onde a nossa moeda está desvalorizada, existe uma pressão de quem importa pela diminuição do preço. Quando o cenário se inverte e o real se valoriza, é mais difícil que o cliente esteja disposto a pagar mais", afirmou a gerente comercial da fabricante de móveis catarinense Temasa, Caroline Tesser.  





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