Comércio em Santa Catarina registra maior variação no volume de vendas desde 2012

13 Setembro 2017 00:06:00

Para Bruno Breithaupt, comportamento das vendas no Estado atingiu um patamar mais sólido após meses seguidos de números positivos

Foto: Divulgação

Enquanto o varejo brasileiro registra resultados negativos no volume de vendas, Santa Catarina acumula nove altas consecutivas, conforme a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O crescimento de 14,2% em julho, em relação ao mesmo mês do ano passado, reforça a tendência de recuperação do setor visto como um "termômetro" da economia do Estado. Novamente, o comércio catarinense tem o melhor desempenho do país, seguido pelo estado de Alagoas, com 10,3%. Em termos de receita nominal, que aponta o que entrou no caixa, a variação foi positiva em 10,9%.

No acumulado de 12 meses, o avanço no volume de vendas do comércio varejista restrito (sem atividades de material de construção e veículos) foi de 6,8%, a taxa mais alta desde dezembro de 2012 e também o melhor saldo entre todos os estados. O faturamento de agosto de 2016 a julho de 2017 cresceu 11,1%. 

De acordo com o presidente da Fecomércio SC, Bruno Breithaupt, o comportamento das vendas no Estado atingiu um patamar mais sólido após meses seguidos de números positivos. Fatores como a liberação do saldo inativo do FGTS, o mercado interno consolidado e elevação da renda no Estado pesaram na recuperação. "O comércio precisava desse fôlego. A inflação e os juros mais baixos favorecem o setor, por que barateiam o crédito e trazem mais poder de compra ao catarinense, estimulando o consumo e, consequentemente, toda a economia", afirma.


Dois setores que vêm se destacando nos últimos meses apareceram de novo com os melhores resultados: o segmento de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (41,9%)- que estavam bastante prejudicados pela demanda fraca com o encolhimento nos investimentos- e os Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (24,5%), impactados pela desinflação dos alimentos. Já o segmento de móveis, que é mais dependente do crédito, apresentou queda de 22,9%.

O varejo nacional registrou alta de 3,1% no volume de vendas em relação ao mesmo mês do ano passado- o quarto resultado positivo consecutivo, após 23 taxas negativas- e variação da receita em 1,2%. No acumulado de 12 meses, o setor fechou com queda de 2,3% e a receita nominal atingiu 2,8%. 

Emprego reage lentamente

Com a retomada do setor, a expectativa é começar a reverter a situação do mercado de trabalho. Apesar de Santa Catarina ter o menor índice de desemprego, a taxa de desocupação cresceu a passos largos desde o segundo semestre de 2015. 

Os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, mostram que o comércio continua demitindo mais do que contratando (fechamento de 6.576 vagas no primeiro semestre de 2017), mas os números negativos estão desacelerando e estão inferiores aos dois anos anteriores. 

"A empregabilidade é a última a se recuperar após uma recessão, por que demora para o mercado conseguir absorver todo o contingente que está sem trabalho. A produção e o consumo reagem antes, como já podemos visualizar", explica o economista da Federação, Luciano Córdova. O nível de estoque de empregos formais que Santa Catarina tinha em 2014, no período de pleno emprego, só deve recuperado em 2019.

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