ANTONIO GAVAZZONI
Advogado e doutor em Direito Público
contatogavazzoni@gmail.com

Futebol e política

23 Abril 2018 13:53:00

Em ano de Copa do Mundo, até quem não costuma acompanhar futebol veste a camisa do país. Entra em campo o patriotismo, mas, acima de tudo o sentimento de competição que faz parte de quase todo esporte. Nessa época a gente se envolve, sabe os nomes dos jogadores, acompanha as prévias e muitas vezes torce contra e xinga o oponente. Os álbuns de figurinhas da Copa são febre não somente entre as crianças, mas entre muitos adultos. E esse envolvimento vai crescer muito até junho. Em dia de jogo do Brasil, muitas empresas suspenderão o expediente para que os funcionários possam acompanhar o jogo. Afinal é a nossa pátria que estará sendo representada ali. Entraremos em campo junto com os jogadores. E se eles errarem, não ou pouparemos também. Nem ao técnico. Afinal, eles se prepararam anos para estar ali e agora não podem fazer feio. 

Mas, como se diz no clichê, futebol é uma caixinha de surpresas. E lá está o sete a um contra a Alemanha, latente nas nossas memórias, para nos lembrar disso. Já faz quatro anos, mas quem viveu essa derrota não esquece. Os mais fanáticos lembram inclusive dos nomes dos jogadores que estavam em campo naquele dia. Até os da Alemanha!

Mas será que lembram em quem votaram nas últimas eleições? As diferenças começam por aí. Enquanto o futebol é paixão nacional, a política infelizmente se transformou no desgosto da nação. Acontece que se não nos envolvermos na formação do próximo time a governar nosso país, nosso estado, vamos continuar amargando derrotas no campo político. E isso, lhes garanto, é muito pior que o malfadado sete a um. Gestões públicas ruins são hospitais ruins. São escolas fracas. São empregos a menos. É a insegurança nas ruas.

Futebol é muito bom, é saudável, une as pessoas. Não há quem não entenda a linguagem universal da bola. Mas a Copa do Mundo não pode ser mais uma vez o "ópio do povo". Por mais diferenças que tenham, futebol e política guardam uma relação direta, uma vez que, quanto mais envolvidos estivermos com a competição, menos estaremos com a análise política. E não tenha dúvidas que maus políticos se aproveitarão disso. Um povo distraído é a alegria da política velha. Quem está só de olho na bola não questiona. Não vai atrás de informações, não pesquisa o passado dos candidatos nem suas propostas para o futuro. Acaba convocando para entrar em campo aquele primeiro nome que lhe vier à mente, ou pior, não vota em ninguém.

Troque figurinhas sim, mas também busque conhecer quem são os postulantes ao jogo político. Ensine seu filho sobre Copa do Mundo sim, mas fale também sobre este ano de eleições. No almoço de família, na mesa do bar com os amigos, puxe assunto, sem puxar briga. Envolva-se um pouco mais em vez de somente reclamar pelo que está errado. Se você parar para pensar, temos muito mais chances de interferir no processo político do que nos resultados dos jogos de futebol. Porque política não se faz com torcida, mas com participação. Se não entrarmos em campo para ganhar politicamente, amargaremos o mau resultado, todos os dias, durante os próximos quatro anos. Que vença o Brasil, dentro e fora das quatro linhas.

Antonio Gavazzoni, advogado e doutor em Direito Público

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