ANTONIO GAVAZZONI
Advogado e doutor em Direito Público
contatogavazzoni@gmail.com

Como será o amanhã?

18 Maio 2018 18:12:00

Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade. Essas quatro palavras formam em inglês o acrônimo VUCA, criado por militares norte-americanos lá na década de 90 para definir a dinâmica do mundo em que viveríamos após a guerra fria. Mas é agora que estamos vivendo o mundo Vuca na prática. Sabe aquele esforço todo que fizemos nas empresas e organizações nos últimos anos para ter o bom e velho planejamento estratégico? Pois é. Só sobrou o velho. No mundo Vuca, ele terá pouquíssima utilidade. 

E não falo só de trabalho. "Jovens maduros" na casa dos quarenta e poucos anos, como eu, ainda cresceram com a expectativa de um casamento duradouro entre homem em mulher, um emprego "fixo", uma boa casa, filhos crescendo e seguindo profissões tradicionais. Mas olhe em volta: o mundo mudou. Nós só fomos descobrir a internet na faculdade; hoje as crianças já nascem inseridas nessa realidade. O impacto do acesso quase irrestrito à informação está na disruptura de todos esses padrões. O casamento mudou, o trabalho mudou, a criação dos filhos mudou, o trabalho mudou. E mudar é extremamente difícil - mas pode ser muito enriquecedor. Ou a gente se adapta ou fica para trás. Eu prefiro ir na direção da opção A.

Os desafios pessoais e profissionais desse mundo Vuca são enormes porque rompem padrões. Nossa mente foi treinada para padronizar, mas temos que reprogramá-la para a imprevisibilidade. Está bem mais difícil projetar a política, a economia, o comportamento social. Isso exige mais rapidez de pensamento, mais resiliência, ou seja, maior capacidade de se adaptar se reinventar. Dizem, por exemplo, que ainda não existem as profissões nas quais trabalharão nossos filhos.

A realidade já nos desafia a mudar padrões aprendidos por décadas e exige mentes abertas. Conceitos imutáveis dão lugar a experiências e aprendizados que vêm das realizações, dos erros cometidos e da capacidade de mudar a rota no meio do caminho. A Volatilidade e a Incerteza do mundo em que vivemos já estão interferindo na política, na economia e nas religiões. A Complexidade e a Ambiguidade das comunicações têm reflexo direto na nossa família e no nosso jeito de se relacionar. E tudo leva a crer que a velocidade da mudança só vai aumentar.

A "modernidade líquida" prevista por Zygmunt Bauman chegou para valer. A liquidez a que Bauman se refere é justamente essa inconstância e incerteza que a falta de pontos de referência socialmente estabelecidos e generalizadores gera. Sem tantos parâmetros sólidos, não temos onde nos agarrar, precisamos seguir esse novo fluxo, nos abrindo para o novo. Para tomarmos as melhores decisões na vida pessoal e no trabalho, precisamos desafiar nossas premissas e matar nossos preconceitos, questionando-nos permanentemente. Não existem mais donos da verdade. Sai na frente quem admite isso.

Essa confusão que faz parte de todo processo de transformação pode ser uma experiência rica para a nossa geração, que viveu a adolescência e juventude num mundo completamente diferente a agora vai ver seus filhos crescendo nessa nova conjuntura. Se não nos paralisarmos pela mudança, seremos uma geração privilegiada por ter vivido essas transformações, e chegaremos na maturidade com uma riqueza invejável de experiências.

Antonio Gavazzoni, advogado e doutor em Direito Público

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