ANTONIO GAVAZZONI
Advogado e doutor em Direito Público
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Artigo: Inteligência artificial, transformação real

13 Novembro 2017 23:03:00

A principal promessa dos smartphones de última geração que estão sendo lançados com grande expectativa no mercado de tecnologia é a incorporação de mecanismos de inteligência artificial em telefones de uso pessoal. Uma das principais aplicações é a capacidade de identificação do rosto de uma pessoa com base em modelos matemáticos pré-cadastrados, o que autoriza o desbloqueio do celular e o pagamento por aplicativos e serviços. A partir daí, as possibilidades de criação de outras funcionalidades serão infinitas e poderemos fazer cada vez mais atividades com um aparelho de telefone. Coisas que ainda nem imaginamos, mas que alguma mente brilhante não demorará a nos revelar. 

O certo é que a inteligência artificial deixou de ser ficção científica. As máquinas estão sendo preparadas para aprender, o que até então era privilégio nosso. A infinidade de dados e a velocidade de seu processamento deverão ser nossos grandes aliados nas mais variadas áreas do conhecimento. E uma das mudanças que certamente virá é a nossa forma de relacionamento com os equipamentos eletrônicos. Se hoje muitos de nós mal vivem sem um smartphone nas mãos, como será quando pudermos efetivamente interagir com ele? 

No pré-lançamento de um desses smartphones, o diretor de operações da empresa avaliou que a computação no dispositivo, junto com o potencial da inteligência artificial, é um ponto de inflexão para realmente mudar o mundo. Eu não tenho dúvidas disso. O advento da internet, por si só, já promoveu mais transformações nas nossas formas de relacionamento nos últimos 40 anos que nos 400 anos anteriores. Quando a inteligência artificial estiver incorporada à nossa vida cotidiana, provavelmente não saberemos mais como vivíamos antes sem ela.

O diretor Spike Jonze fez uma leitura muito interessante do que pode acontecer em "Ela" (Her, originalmente). O filme é de 2013 e conta uma história de amor entre um escritor de cartas - o que por si só já é peculiar, se tratando de futuro - e o sistema operacional de seu computador. Com muita sensibilidade e uma ambientação curiosamente "retrô", o filme mostra um painel dos relacionamentos na era da inteligência artificial. O sistema operacional, batizado pelo usuário de Samantha, aprende a cada dia com as reações dele e passa a ser confidente e a dizer tudo o que seu "dono" desejaria ouvir. A história mostra as possibilidades de envolvimento real entre um humano e um "ser" virtual, com direito a todas as nuances de um relacionamento afetivo convencional. O envolvimento entre humanos e sistemas é tão intenso que não se consegue imaginar uma vida sem interação virtual. Além das excelentes atuações, o filme é um interessante exercício de imaginação sobre o que poderá vir por aí. 

Acredito que a tecnologia será sempre bem-vinda e que nos adaptaremos rapidamente às mudanças, até porque não teremos outra opção. Nossa preocupação deve ser na sua utilização para a nossa evolução como humanos, e não para que nos tornemos seus escravos. A ética deverá ser sempre a palavra-chave para as aplicações tecnológicas. Se isso for seguido, temos muito a ganhar em áreas como saúde e educação, especialmente. Que cada vez mais saibamos utilizar a nossa inteligência em torno do bem comum. Não há limites para o que homens e máquinas são capazes de fazer juntos.

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