ANTONIO GAVAZZONI
Advogado e doutor em Direito Público
contatogavazzoni@gmail.com

Anjos da Terra

12 Janeiro 2018 13:43:00

Sabe aquelas pessoas iluminadas, que parece que vêm ao mundo com um dom, uma missão, e conseguem chegar lá, atingir seus objetivos? Elas certamente não conseguiram sozinhas. Por trás de quase todo gênio existe uma mente mais modesta, mas não menos obstinada. Pessoas que dão seu melhor, não por si, mas pelo outro. São os anjos da vida terrena. 

As mães e esposas são os exemplos mais comuns. Muitas delas fazem sacrifícios inenarráveis por seus filhos ou maridos. Abrem mão da própria vida e trabalham incessantemente para que aquela outra pessoa possa dar ao mundo o seu melhor. Para elas a glória e os holofotes não interessam; sua realização se dá pela plenitude do outro.

Existem muitos exemplos, alguns famosos, retratados em livros e filmes. Um deles é a trajetória do cientista Stephen Hawking, responsável pela teoria sobre buracos negros e portador de esclerose lateral amiotrófica, doença que o confinou a uma cadeira de rodas e a uma expectativa de vida de dois anos, quando ainda era jovem. Nessa época ele estava começando a namorar com Jane Wilde, uma bela jovem, estudante de artes, que não apenas optou por começar uma vida junto com Hawking, como teve três filhos com ele. Por décadas, a vida de Jane teve como foco a carreira de seu marido, que em poucos anos se tornou completamente dependente dela e, graças à sua dedicação, conseguiu contribuir com conhecimento de altíssimo nível para a humanidade. Pode soar machista ou antiquado uma mulher largar tudo para ajudar o marido. Mas foi uma missão abraçada por escolha própria e que acabou tendo um desfecho surpreendente, que não vou contar para não estragar a surpresa a quem não conhece a história.

Outro gênio, dessa vez da matemática, John Forbes Nash Jr só ganhou o Nobel de Economia em 1994 por sua teoria dos jogos porque teve ajuda incondicional da esposa Alícia. Ela, que foi uma das 16 mulheres entre aproximadamente 800 homens a ser aprovada para o curso de Física do MIT - Massachussetts Institute os Technology em 1955, abdicou de sua própria carreira para cuidar de Nash, que muito cedo começou a sofrer de esquizofrenia paranoide.

Outro caso famoso, retratado no filme "O discurso do Rei" é o do Príncipe Albert da Inglaterra. Indicado a ascender ao trono como Rei George VI, Albert tem uma gagueira severa que poderia ridicularizá-lo perante os súditos. Mais uma vez a esposa entra em cena, mas o herói por trás do protagonista dessa vez é um homem, o fonoaudiólogo contratado por Elizabeth, a mulher, para resolver o problema do futuro rei. Utilizando meios não convencionais, ele passa a ser um dos amigos mais próximos da família, se dedica diuturnamente e consegue fazer com que o rei faça um pronunciamento impecável.

Em todas essas histórias há uma pessoa determinada a ajudar. Certamente você conhece alguém que não mede esforços para que outra pessoa possa se desenvolver com todo seu potencial. Essas pessoas, que abraçaram missões altruístas, são geralmente pouco valorizadas. Mas elas não se importam com isso, pois desfrutam de um sentimento que nem todos nessa vida podem experimentar: o de missão cumprida. Mesmo que ninguém reconheça, elas sabem que fizeram seu melhor - e isso lhes basta.

Antonio Gavazzoni, advogado e doutor em Direito Público

contatogavazzoni@gmail.com

logo_rodape.png

Rua Adolfo Melo, 38 - Sala 901 - Centro | Florianópolis-SC | CEP: 88015-090 |
(48) 3298-7979 | jornalismo@adjorisc.com.br