ANTONIO GAVAZZONI
Advogado e doutor em Direito Público
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A justiça foi feita

15 Março 2018 15:11:00

"Anima-te por teres de suportar as injustiças; a verdadeira desgraça consiste em cometê-las". A frase, de Pitágoras, resume a luta de quem busca a verdade quando é acusado injustamente por algo que não cometeu. Nos últimos dez meses, essa foi a minha luta. 

Em maio de 2017, fui acusado por delatores - depois desqualificados pela própria justiça e presos - de ter sido intermediário de propinas. A notícia caiu como uma bomba sobre a minha vida pessoal e profissional. Já estava há dez anos na administração pública estadual e, na época, ocupava o cargo de Secretário de Estado da Fazenda, condição que me proporcionaria foro privilegiado. Nada me impediria de continuar no cargo durante o curso das investigações - exceto a minha paz de espírito. Para mim, não seria correto continuar à frente de uma das mais importantes Secretarias do Estado e ao mesmo tempo me dedicar à minha defesa. Era inconcebível permanecer sem mergulhar integralmente aos desafios da pasta. Preferi sair, mesmo com muitos projetos em andamento.

Decidi então reunir os diretores e colegas mais chegados para anunciar que sairia. Foi um dos dias mais difíceis da minha vida. Se, de um lado, me emocionei ao ver a emoção de alguns, que comigo sentiam o golpe da injustiça, de outro, me assombrava a ideia de que aquelas pessoas tão próximas, que confiavam em mim, pudessem, lá no fundo, achar que eu houvesse mesmo feito algo de errado. Pensei muito no meu pai, que lá em Xanxerê, sempre se orgulhou de ir à padaria encontrar os amigos e ler em voz alta as notícias boas a meu respeito no jornal. Foi doloroso assistir aos noticiários, ver minha imagem praticamente associada a um crime, ler comentários cruéis no rodapé das notícias. Acredito que muitos no meu lugar não aguentariam a pressão. Foram meses de muita angústia.

Mas além do apoio da minha família e dos meus melhores amigos, o que me manteve firme foi a minha consciência. Eu sabia que era inocente, por isso em nenhum momento perdi a esperança. Como advogado, eu tinha o dever de mostrar que existe justiça. Lancei mão de todo o conhecimento adquirido no mestrado, doutorado e nos anos em que ministrei aulas de Direito para perseguir a verdade. Não descansei.

O resultado veio no começo deste mês de março: fui absolvido. A Procuradoria Geral da República determinou o arquivamento das investigações a meu respeito.

Graças a Deus e ao trabalho competente e isento da Polícia Federal e dos Procuradores do Ministério Público Federal, heróis brasileiros, posso virar essa triste página. Mais que uma vitória pessoal, isso demonstra que o cidadão eventualmente acusado injustamente não precisa se desesperar, seus direitos serão respeitados e a verdade vai aparecer.

Também gostaria de agradecer a todos os amigos e familiares que estiveram ao meu lado neste que foi um dos episódios mais difíceis da minha vida. Como diz o ditado, "o que não nos mata, nos fortalece". Muito obrigado a cada um que confiou em mim e no meu trabalho e viveu comigo a mesma angústia. Podemos acreditar na justiça.

Antonio Gavazzoni, advogado e doutor em Direito Público



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