ANTONIO GAVAZZONI
Advogado e doutor em Direito Público
contatogavazzoni@gmail.com

2017, ano da resiliência

29 Dezembro 2017 15:02:00

Não apenas para mim, mas para muitos amigos e conhecidos, 2017 foi um ano de provações. Injustiças, desentendimentos entre colegas, problemas com propriedades, questões importantes de saúde fizeram parte dos últimos 12 meses de algumas pessoas que eu conheço. A sensação que dá é que para alcançar dez quilômetros tivemos que percorrer vinte. O que não quer dizer que foi um ano ruim, mas uma oportunidade de reflexão sobre o que queremos, planejamos e esperamos e aquilo que precisamos experimentar. 

Por mais que tenhamos infinitas possibilidades de escolha, muitas vezes a vida é quem decide nossos insondáveis caminhos no mundo. E acredito que o maior aprendizado de 2017 foi a nossa capacidade de lidar com o impensado, aceitar o que fugiu ao nosso controle e tentar tirar boas lições de tudo isso. Essa capacidade, conhecida por resiliência, é o que nos impulsiona a superar as adversidades e transformar situações difíceis em oportunidades para nos transformar também. As pessoas resilientes geralmente são as otimistas. Elas não apenas sobrevivem àquilo que não as satisfaz, mas saem mais fortes depois de vencer a fase mais crítica do seu problema. Ser resiliente nos conduz a um salto no amadurecimento e nos permite manter os propósitos mesmo em novas e inesperadas condições.

Foi por conta de um desentendimento com um colega que um amigo se permitiu tirar uma licença há muito adiada. Foi por conta de um problema na entrega do apartamento que outra amiga acabou indo morar na praia e descobriu uma nova e melhor maneira de viver. Foi por uma injúria que abandonei um trabalho no qual ainda tinha muito a contribuir, mas que me consumia a ponto de eu não conseguir ver meus filhos crescendo. Não apenas vivo um novo e melhor momento com a minha família, como pude redescobrir a paixão pela advocacia. Em todos esses casos, foram realidades impostas por mudanças inesperadas no curso dos acontecimentos planejados.

É fato que não podemos controlar os ventos, mas nos cabe ajustar as velas do barco para retomar ou até mudar o destino final. Os caminhos e rotas são variados, e quando só vemos um, acabamos por anular outras muitas oportunidades.

Para quem tem fé, independente de religião - ou de ter uma religião - esses testes ou provações podem trazer ainda uma chance de amadurecimento espiritual. No livro "O problema do sofrimento", C.S. Lewis escreveu que "Deus nos sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas brada em nosso sofrimento: o sofrimento é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo."

Cada um trilhou 2017 com seus obstáculos e conquistas individuais, mas a sensação que tenho é que foi um ano desafiador para a maioria. Um tempo de aprendizado, algumas vezes a duras penas. Mas diz o ditado que aquilo que não nos mata, nos fortalece.

Muitas vezes na vida temos a pretensão do total controle sobre os acontecimentos nos nossos ambiente profissionais e familiares. Quando as coisas saem diferente, nos resta ter capacidade de adaptação, reconhecer nossas limitações e entender que os encaixes do universo são perfeitos. Cedo ou tarde tudo acaba se justificando.

Antonio Gavazzoni, advogado e doutor em Direito Público

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