FATOS E INTERPRETAÇÕES
Coluna assinada pelo corpo docente da Unisul

Não seja engolido pela rotina: pense e reinvente-se, por Luciana Flor

14 Agosto 2018 16:07:00

O trabalho deve ser dividido em planejamento, execução e análise. Sim, pensar, analisar e planejar fazem parte do trabalho! A pessoa que somente executa tarefas pode, com maior facilidade, ser substituída por uma máquina. E, tarefas repetitivas não acontecem somente no parque fabril, mas em qualquer lugar (Gilmar Duarte, 2017).

Pensou sobre o que foi dito acima? Fez algum sentido para você? Discordou da ideia? Hesitou? Perfeito, você está trabalhando. As transformações sociais que vêm ocorrendo desde a segunda metade do século 20 estão gerando mudanças profundas no mundo do trabalho. Além disso, o próprio conceito de trabalho vem sofrendo alterações ao longo da História. 

Durante muitos anos o trabalho serviu para a manutenção e a reprodução biológica do ser humano, sendo desempenhado sob a forma de coleta, extrativismo e, mais tarde, pesca, caça e pastoreio. Com o advento da agricultura, essa relação começou a modificar-se, pois a ideia de produção de excedentes veio acompanhada da ideia de acumulação, poder e escravidão. Os alicerces da produção social deslocaram-se da agricultura para a indústria apenas quando o comércio se sobrepôs ao trabalho agrícola e ampliou suas atividades.

A revolução industrial, que se iniciou no século 18, também foi outro fator de alteração da concepção de trabalho, uma vez que as fábricas juntaram, num só espaço, trabalhadores e máquinas, aumentando a especialização das tarefas e a divisão do trabalho, contribuindo para o afastamento das pessoas do conteúdo de suas próprias atividades.

Nos últimos anos temos vivido ainda outra revolução, a qual nos inseriu na era do conhecimento, requerendo-nos o desenvolvimento de habilidades para lidar com um mundo extremamente complexo, incerto e instável.

No entanto, somos os únicos seres capazes de, antes de realizar um trabalho, projetá-lo. Como o trabalho e a existência humana são indissociáveis, a função do pensamento é clarificar essa relação para que o homem possa reconhecer que o seu trabalho lhe proporciona não somente os meios de satisfazer as necessidades básicas de sobrevivência, mas também a estruturação psíquica, a transformação do ambiente em que vive e a realização pessoal. Por isso, o trabalho deve criar identidade social e transcender à necessidade de sobrevivência, ir além do conceito de emprego, fazer com que nos vejamos como agentes transformadores do ambiente em que vivemos, com que nos sintamos valorizados, reconhecidos e artífices de nossos próprios destinos.

Ser apenas um executor de tarefas pode, por vezes, parecer mais simples e até seguro, mas não podemos nos enganar, além do risco de sermos substituídos por máquinas (que executam com maior precisão e confiabilidade), há o risco de nos tornarmos profissionais exauridos pela repetição e pela imutabilidade.

Precisamos nos reinventar todos os dias! Deixar a zona de conforto, observar, sugerir, ter coragem e fazer a diferença por meio de nossa capacidade criativa, crítica e reflexiva. Precisamos ser inovadores, onde quer que estejamos, independente do cargo ou da função que ocupemos. Não podemos poupar, a nós ou o mundo, de nossa capacidade mais essencial: a de pensar!

Por Luciana Flôr Corrêa Felipe, professora da Unisul e Doutoranda em Educação Científica e Tecnológica  



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