FATOS E INTERPRETAÇÕES
Coluna assinada pelo corpo docente da Unisul

Inovação e humanização nas relações de trabalho

Por Luciana Flôr Corrêa Felipe, professora da Unisul e Doutoranda em Educação Científica e Tecnológica

Foto: Divulgação

Todos os dias, milhares de pessoas no mundo investem tempo e energia no trabalho. Outras saem em busca de uma nova oportunidade, ou do primeiro emprego. Desde os primórdios, a ocupação no mercado acompanha a história da humanidade. Foram os próprios seres humanos que inventaram o trabalho. Ele surgiu a partir do momento em que o homem estabeleceu relação com a natureza para obter recursos para sua sobrevivência. Nessa perspectiva, uma profissão sempre figurou como condição da existência do ser humano: o trabalhador reproduz sua própria vida ao produzir os meios de subsistência. Essa relação se transforma e se reinventa ao longo do tempo histórico. Assim, a história do homem é também a do trabalho. É dessa relação que obtemos e criamos os recursos necessários para vivermos.

No entanto, não é de hoje o discurso que insiste em sobrepor o mercado/trabalho às pessoas, isto é, o consumo/lucro aos laços sociais, e isso traz consequências dramáticas à sociedade. Ser feliz deixa de ser uma aspiração para ser uma obrigação do homem pós-moderno; obrigação que se constitui em um projeto individual, privatizado e diretamente relacionado ao "ter".

Como a cobrança é intensa e o mercado sagaz, a obsessão pela eficiência aumenta e a pressa em conseguir sucesso material impede o tempo de elaboração do "ser sujeito", induzindo-o a uma superficialidade que, traduzida em estresse, competição desmedida, ansiedade, depressão, desmotivação... inevitavelmente atinge toda a vida em sociedade.

O mundo organizacional carece de humanização e de novas maneiras de condução, pois os modelos de negócios que ainda priorizam a centralização, a hierarquia e o autoritarismo, são insustentáveis. A concepção do funcionário "homem-máquina" típica da revolução industrial, não é mais viável, nem para a empresa, nem tampouco para o trabalhador, pois esse arquétipo desumaniza as organizações, além de furtar-lhes a capacidade de inovação.

Nesta perspectiva, é imperioso ver e tratar o empregado como ser humano que carece de atenção, de respeito e de amor. Que precisa e merece incentivos e elogios de lideranças que saibam fomentar os seus pontos fortes. As pessoas se motivam pelo exemplo e não pela ameaça ou pelo medo da hierarquia; quando se sentem parte, são capazes de produzir grandes feitos. É a materialização das habilidades individuais e coletivas que poderá conduzir a autorrealização delas no trabalho, a inovação nas empresas e, por consequência, à consolidação de organizações mais humanas e sustentáveis do ponto de vista econômico, social e ambiental.

Somente tomando consciência disso e exercendo essa prática, viveremos em um mundo em que o trabalho faz sentido, onde pessoas com boas relações humanas e realizações pessoais, primem pelo bem-estar coletivo. Um mundo onde a inovação esteja em todas as áreas, inclusive nas relações de trabalho.





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