FATOS E INTERPRETAÇÕES
Coluna assinada pelo corpo docente da Unisul

Comunicação eficaz: por que o feedback é tão relevante?

11 Dezembro 2018 14:24:00

Por prof. dr. Willian Máximo, coordenador de Comunicação da Unisul

Lembro como se fosse hoje: bastava um passo em falso, uma palavra mal colocada ou atitude impensada dirigida a alguém (por menor ou maior que fosse) que lá vinha a Dona Lucinda, minha avó materna, sem perder tempo e oportunidade, repetindo uma expressão bíblica que fazia questão de dizer em alto e bom som, mais ou menos assim: "quem semeia vento, colhe tempestade". Confesso... demorei um tempo para compreender que o significado de semeadura e de colheita que minha avó trazia à tona naqueles momentos, a cada 'proeza' minha, ia além do cotidiano agrícola dos hebreus do século oito antes de Cristo. Minha avó, na verdade, estava metaforicamente alertando (e antecipando) sobre os sintomas da Lei do retorno, das consequências das minhas ações e do compromisso com o aprendizado a partir de cada uma delas, a partir da retroalimentação/do feedback.

Certamente minha avó não se dava conta, mas, no exemplo da semeadura e da colheita, acabava aproximando a sua experiência de vida à ciência (para além da religião, embora fosse muito devota), por exemplo, da terceira Lei de Newton: "toda ação gera uma reação"; regra simples de interação entre causa e efeito. Ou seja, minha avó estava certa: nunca haverá ação sem reação e vice-versa (estímulo sem resposta), uma espécie de efeito bumerangue, onde tudo que vai (ou se esvai), um dia volta.

Trazendo para o nosso contexto - nossa vida, o cotidiano dos jornais, empresas, instituições, entre outros: até que ponto estamos atentos às nossas atitudes e ações (nossa semeadura)? Temos o hábito de antecipar ou avaliar cada impacto? E, especialmente, a resposta recebida (feedback, digo, a colheita), seja positiva ou negativa, é reconhecida, gerenciada e/ou considerada enquanto aprendizado?

Pouco se comenta, mas a retroalimentação ou o feedback (colheita), a cada resposta, é etapa relevante para o APRENDIZADO no processo comunicativo. A 'palavra gringa' feedback, já devidamente dicionarizada na nossa língua, está (ou deveria estar) muito presente no nosso dia a dia, com reflexo direto nas rotinas (pessoais e/ou organizacionais). A atitude estar atento, de monitorar e de aprender com os efeitos da sua ação (semeadura) e de cada resposta (colheita) tem auxiliado (e muito) no engajamento, na performance, nas tomadas de decisão, na avaliação de desempenho e, mesmo, na transparência da gestão nas organizações.

Estar disposto a ouvir (por meio do feedback) e, principalmente, saber o que fazer com o que ouviu (sejam críticas positivas ou negativas) pode ser uma ferramenta e tanto para corrigir falhas, reconhecer méritos e talentos, encorajar novas ideias, enfim, para deixar de lado o mau hábito de pressupor as coisas, maximizando os resultados (colheita).

A retroalimentação ou o feedback ajuda-nos a manter a relação de empatia com o outro. Ou seja, demonstramos que tão importante quanto fazer parte da semeadura e do cultivo, ele (o outro) é e será sempre fundamental na colheita, partícipe desse movimento positivo e propositivo. Aliás, ele estará JUNTO e será considerado em cada um desses processos comunicativos (do estímulo à resposta). Neste sentido, feedback é sim uma ferramenta imprescindível de marketing de relacionamento, mas, sobretudo, é o que também torna a nossa comunicação, eminentemente, mais eficaz, atrativa e humana.

E, a pergunta final: como você encara o feedback que recebe? Como tem sido a sua colheita?

Minha avó (que Deus a tenha) estava certa: antes de mostrar ao outro que você se importa, é fundamental que você demonstre, na prática, como se comporta. E, vice-versa. Vó Lucinda tinha razão: sem semeadura e cultivo (que transforma tudo isso em disciplinamento, em hábito) jamais haverá colheita.

Boas Festas!



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